Câncer de pulmão ALK positivo: o que muda no tratamento?
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Por Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica, CRM-SP 156477 e RQE 87552.
Como a alteração ALK muda o tratamento do câncer de pulmão?
Quando o tumor apresenta alteração no gene ALK, o tratamento pode incluir terapias-alvo desenvolvidas para bloquear especificamente esse mecanismo de crescimento das células cancerígenas. Essa identificação é feita por testes moleculares realizados na amostra da biópsia e permite uma abordagem mais personalizada. Dependendo do caso, essas medicações podem ser a principal opção de tratamento, oferecendo melhor controle da doença em pacientes selecionados.
Introdução
Embora esse termo,
câncer de pulmão ALK positivo, possa parecer complexo, ele representa um avanço importante da medicina de precisão. Hoje, muitos pacientes não são tratados apenas com base no tipo e no estágio do tumor, mas também nas características genéticas das células cancerígenas. Identificar alterações como a fusão do gene ALK pode ampliar as opções terapêuticas e permitir o uso de medicamentos desenvolvidos especificamente para esse perfil tumoral.
Continue a leitura e entenda neste artigo o que significa essa alteração, como ela é identificada e de que forma pode influenciar o tratamento.
O que é câncer de pulmão ALK positivo?
O câncer de pulmão ALK positivo é um subtipo do câncer de pulmão de não pequenas células que apresenta uma alteração no gene ALK (Anaplastic Lymphoma Kinase). Essa alteração faz com que as células tumorais passem a produzir uma
proteína capaz de estimular seu crescimento e sua multiplicação de forma descontrolada.
Na maioria dos casos, essa alteração surge apenas
nas células do tumor ao longo da vida e não é hereditária, ou seja, não é transmitida de pais para filhos. Trata-se de uma característica adquirida durante o desenvolvimento do câncer.
O grande impacto dessa descoberta é que ela permite um tratamento mais personalizado. Quando a alteração ALK é identificada por exames específicos, o
oncologista pode indicar terapias-alvo desenvolvidas para bloquear esse mecanismo, oferecendo uma abordagem mais direcionada ao perfil molecular do tumor.
Quer saber mais sobre câncer de pulmão? Assista ao vídeo: Guia completo do Câncer de Pulmão:
Quem tem maior chance de apresentar essa alteração?
A alteração no gene ALK pode ocorrer em qualquer pessoa com câncer de pulmão, mas alguns perfis são mais frequentemente associados a essa característica molecular.
Ela costuma ser encontrada com maior frequência em pacientes que apresentam:
- Adenocarcinoma de pulmão
- Idade mais jovem em comparação com a média dos casos de câncer de pulmão
- Sexo feminino
- Pouca ou nenhuma exposição ao cigarro
- Ausência de outras alterações moleculares importantes, como mutações em EGFR
Ainda assim, é importante destacar que essas características não são suficientes para confirmar ou excluir a presença da alteração. Existem fumantes com tumores ALK positivos e pessoas que não se encaixam nesse perfil também podem apresentar essa alteração genética.
Por esse motivo, a decisão sobre o tratamento não deve ser baseada apenas nas características clínicas do paciente. A confirmação depende da realização de testes moleculares, que avaliam diretamente o perfil biológico do tumor e ajudam a definir a estratégia terapêutica mais adequada.
Como o diagnóstico é feito?
O diagnóstico do câncer de pulmão ALK positivo começa da mesma forma que o de outros tipos de câncer de pulmão: por meio da confirmação do tumor com uma
biópsia. A partir do material coletado, além da análise tradicional que identifica o tipo de câncer, podem ser realizados exames capazes de pesquisar alterações moleculares específicas.
Os métodos utilizados variam conforme cada caso, mas os principais incluem:
- Imuno-histoquímica (IHQ) - mais comum e mais rápido para iniciar o tratamento
- Hibridização por fluorescência (FISH) - menos utilizado hoje em dia
- Sequenciamento de nova geração (NGS) - método ideal, pois vai além da detecção do ALK, caracterizando o parceiro da fusão e a variante e presença de outras co-mutações (importantíssimos para prognóstico)
Nos últimos anos, a
biópsia líquida também passou a fazer parte da prática clínica em situações selecionadas. Esse exame utiliza uma amostra de sangue para identificar fragmentos de DNA liberados pelo tumor na circulação e pode ser útil quando não há tecido suficiente para novos testes ou quando se deseja investigar alterações adquiridas durante o tratamento.
A pesquisa da alteração ALK tornou-se uma etapa importante na avaliação de muitos pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células, principalmente nos casos de
adenocarcinoma avançado. Isso porque o resultado pode modificar significativamente o planejamento terapêutico desde o início da doença.
Por que identificar a alteração ALK muda o tratamento?
A identificação da alteração ALK representa um dos melhores exemplos de como a medicina de precisão vem transformando o tratamento do câncer de pulmão.
No passado, pacientes com tumores semelhantes recebiam, em grande parte, as mesmas opções terapêuticas - basicamente quimioterapia. Hoje, sabe-se que dois tumores aparentemente iguais podem apresentar alterações moleculares completamente diferentes, e isso influencia diretamente a escolha do tratamento.
Quando o câncer de pulmão ALK é confirmado, torna-se possível utilizar medicamentos desenvolvidos especificamente para
bloquear
essa alteração genética. Em vez de agir de forma ampla sobre todas as células que se multiplicam rapidamente, esses medicamentos atuam em um alvo molecular específico presente nas células tumorais.
Essa estratégia pode proporcionar benefícios como:
- Tratamento direcionado às características biológicas do tumor
- Maior precisão na escolha da terapia
- Preservação relativa das células saudáveis
- Possibilidade de controlar a doença por períodos prolongados em pacientes selecionados
Por isso, os testes moleculares deixaram de ser exames complementares em muitos casos e passaram a fazer parte da investigação inicial de pacientes com doença avançada.
Como funcionam as terapias alvo para ALK?
As terapias alvo são medicamentos desenvolvidos para
bloquear a proteína produzida pela alteração no gene ALK. Ao interromper esse mecanismo, conseguem reduzir os sinais que estimulam o crescimento e a sobrevivência das células cancerígenas.
Diferentemente da quimioterapia convencional, que atua de forma mais ampla, essas medicações procuram agir especificamente sobre uma alteração presente no tumor. Isso explica por que a identificação correta do perfil molecular é tão importante antes do início do tratamento.
Entre os medicamentos utilizados para pacientes com câncer de pulmão ALK estão:
Alectinibe, Brigatinibe, Lorlatinibe, Crizotinibe (em situações específicas), e outros inibidores de ALK aprovados conforme disponibilidade e indicação clínica.
A escolha da medicação considera diversos fatores, como o estágio da doença, tratamentos realizados anteriormente, presença de metástases, especialmente no sistema nervoso central, possíveis mecanismos de resistência e as condições clínicas de cada paciente. Assim, mesmo entre pessoas com a mesma alteração molecular, o tratamento pode ser individualizado. Hoje, o lorlatinibe traz a eficácia mais robusta e é a preferência para a maior parte dos casos. Porém, vem atrelado a mais efeitos colaterais que precisam ser ponderados na decisão terapêutica e muito bem monitorados e manejados, para garantir a segurança durante um tratamento que pode ser para a vida inteira.
O tratamento com terapia-alvo substitui quimioterapia e imunoterapia?
Quando o tumor apresenta alteração ALK, as terapias-alvo costumam ser a principal opção de tratamento sistêmico em muitos pacientes com doença avançada. No entanto, isso não significa que outras modalidades terapêuticas deixem de ter importância.
Ao longo da evolução da doença, diferentes estratégias podem ser utilizadas de forma sequencial ou combinada, dependendo da resposta ao tratamento e das características do tumor.
Entre elas estão:
- Quimioterapia
- Radioterapia
- Cirurgia, em situações específicas
- Cuidados de suporte
- Participação em estudos clínicos
O planejamento terapêutico é dinâmico e pode ser ajustado sempre que necessário. Cada decisão leva em consideração a evolução da doença, os exames de acompanhamento e os objetivos do tratamento em cada fase.
O que acontece se o tumor desenvolver resistência?
Assim como ocorre com outras terapias oncológicas, alguns tumores podem desenvolver mecanismos de resistência ao longo do tempo. Isso significa que as células cancerígenas passam a encontrar novas formas de crescer mesmo diante do medicamento inicialmente eficaz.
Quando há sinais de progressão da doença, costumo solicitar uma nova avaliação do perfil molecular do tumor para entender quais alterações surgiram durante o tratamento. Essa investigação pode incluir uma nova biópsia do tumor, biópsia líquida e novos testes moleculares.
Essas informações ajudam a identificar possíveis mecanismos de resistência e podem indicar outras terapias alvo ou diferentes estratégias de tratamento, tornando o cuidado mais personalizado ao longo da evolução da doença.
Qual é o papel do acompanhamento após o início do tratamento?
O acompanhamento médico é uma parte fundamental do tratamento do câncer de pulmão ALK positivo. Além de avaliar a resposta da doença aos medicamentos, ele permite monitorar possíveis efeitos colaterais, identificar sinais de progressão e definir o momento adequado para eventuais mudanças na estratégia terapêutica.
Esse acompanhamento costuma incluir:
- Consultas periódicas
- Tomografia computadorizada
- Ressonância magnética em situações específicas
- Exames laboratoriais
- Reavaliação molecular quando houver indicação
Cada paciente apresenta uma evolução diferente. Por isso, o acompanhamento é sempre individualizado e baseado nas características do tumor, na resposta ao tratamento e nas necessidades de cada pessoa ao longo da doença.
Perguntas frequentes
O que é câncer de pulmão ALK positivo?
É um subtipo do câncer de pulmão de não pequenas células que apresenta uma alteração no gene ALK. Essa alteração favorece o crescimento das células tumorais e pode ser tratada com terapias-alvo específicas quando identificada por testes moleculares.
Como é feito o diagnóstico do câncer de pulmão ALK positivo?
O diagnóstico começa com a confirmação do câncer por biópsia. Em seguida, o material coletado é analisado por exames moleculares, como imuno-histoquímica, FISH ou sequenciamento genético, para identificar a alteração no gene ALK.
Quem deve fazer o teste para identificar a alteração ALK?
O teste é recomendado principalmente para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células, especialmente adenocarcinoma avançado. A indicação é feita pelo oncologista conforme as características do tumor e as diretrizes atuais.
Pessoas que nunca fumaram também podem ter câncer de pulmão ALK positivo?
Sim. A alteração ALK é mais frequente em pessoas com adenocarcinoma de pulmão que nunca fumaram ou tiveram pouca exposição ao tabaco, embora também possa ocorrer em fumantes.
O que muda no tratamento quando o tumor é ALK positivo?
A identificação da alteração ALK permite indicar terapias-alvo que atuam diretamente sobre esse mecanismo molecular. Isso torna o tratamento mais personalizado e pode oferecer melhor controle da doença em pacientes selecionados.
Quais medicamentos podem ser utilizados no câncer de pulmão ALK positivo?
Entre as principais opções estão medicamentos como alectinibe, brigatinibe, lorlatinibe e outros inibidores de ALK. A escolha depende das características do paciente, dos tratamentos anteriores e da evolução da doença.
O tratamento com terapia-alvo substitui a quimioterapia?
Nem sempre. Em muitos casos, a terapia alvo é a primeira opção para tumores ALK positivos, mas a quimioterapia e outras modalidades podem ser necessárias em diferentes momentos da evolução da doença.
Quais são os possíveis efeitos colaterais das terapias-alvo para ALK?
Os efeitos variam conforme o medicamento utilizado, mas podem incluir fadiga, alterações gastrointestinais, dores musculares, inchaço e alterações em exames laboratoriais. O acompanhamento médico é importante para monitorar e controlar essas reações.
É possível que a alteração ALK apareça apenas depois que o tratamento já começou?
A alteração ALK geralmente está presente desde o início do desenvolvimento do tumor. O que pode acontecer é ela não ter sido pesquisada inicialmente ou só ser identificada quando são realizados testes moleculares mais completos.
Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman
O diagnóstico de câncer de pulmão ALK positivo demonstra como a medicina de precisão vem transformando a oncologia. Hoje,
conhecer as características moleculares do tumor é tão importante quanto identificar seu tipo e estágio, permitindo indicar tratamentos mais personalizados e adequados ao perfil de cada paciente. A realização dos testes moleculares tornou-se uma etapa essencial para muitos casos de câncer de pulmão de não pequenas células e pode ampliar significativamente as possibilidades terapêuticas.
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Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.
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Dr. Gustavo Schvartsman
Oncologia Clínica | CRM-SP: 156477 | RQE: 87552
Oncologista no Albert Einstein SP




