Biópsia líquida: Um exame que analisa o sangue em busca de fragmentos de DNA tumoral

Gustavo Schvartsman • 1 de outubro de 2025

O avanço constante da oncologia traz novas ferramentas que permitem compreender melhor o câncer e oferecer tratamentos mais personalizados. Entre elas, a biópsia líquida se destaca como uma alternativa inovadora e menos invasiva em comparação às biópsias tradicionais. Esse exame analisa uma simples amostra de sangue para identificar fragmentos de DNA tumoral circulante, auxiliando no diagnóstico, no monitoramento da resposta ao tratamento e na detecção precoce de recidivas.


Neste artigo, você vai entender como funciona a biópsia líquida, suas indicações, vantagens e limitações. Continue a leitura para descobrir por que essa técnica tem se tornado cada vez mais relevante na oncologia moderna.


O que é a biópsia líquida?


A biópsia líquida é um exame moderno capaz de
identificar biomarcadores tumorais no sangue, em especial fragmentos de DNA tumoral circulante (ctDNA). Ao contrário da biópsia convencional, que exige a retirada de tecido tumoral, esse exame utiliza apenas uma amostra de sangue, o que o torna muito menos invasivo e mais seguro para o paciente.


Além do ctDNA, a biópsia líquida também pode detectar outros elementos associados ao câncer, como RNA tumoral circulante, exossomos (vesículas liberadas pelas células tumorais) e células tumorais circulantes (CTCs). Essa variedade de informações permite um retrato mais abrangente do comportamento da doença.



Como funciona a biópsia líquida?


O exame se baseia na
detecção de alterações genéticas liberadas pelas células tumorais na corrente sanguínea. O processo envolve:


Coleta de sangue:
simples e semelhante a exames laboratoriais comuns.

Extração do DNA: separação do plasma para análise dos fragmentos tumorais.

Sequenciamento genético: uso de tecnologias como PCR digital ou NGS para identificar mutações ou alterações.

Interpretação clínica: correlação dos achados com o histórico e tipo de tumor do paciente.


Com isso, é possível detectar mutações específicas que orientam tratamentos mais personalizados e eficazes.


Indicações da biópsia líquida


A biópsia líquida pode ser empregada em diferentes contextos da oncologia, entre eles:


  • Detecção precoce de câncer em pessoas de risco elevado.
  • Definição de terapias-alvo por meio da identificação de mutações acionáveis.
  • Monitoramento da resposta ao tratamento em tempo real.
  • Detecção de resistência a medicamentos, especialmente em câncer de pulmão.
  • Identificação precoce de recidivas, até mesmo antes de aparecerem nos exames de imagem.


A biópsia líquida já é consolidada no manejo de tumores como pulmão, mama, cólon e próstata.


Vantagens e limitações


Entre os principais benefícios da biópsia líquida estão a natureza
pouco invasiva, a possibilidade de repetição frequente, a rapidez nos resultados e a capacidade de refletir a heterogeneidade tumoral, identificando mutações em diferentes locais do tumor ou em metástases.


Por outro lado, ainda existem
limitações. O exame pode apresentar sensibilidade reduzida em tumores muito pequenos, não substitui totalmente a biópsia convencional e pode ter custo elevado, sem cobertura garantida por todos os planos de saúde ou pelo SUS. Assim, deve ser considerado um exame complementar, e não substitutivo em alguns casos.


Diferença para a biópsia convencional


A biópsia convencional fornece detalhes estruturais do tumor, já que envolve a retirada direta de tecido. A líquida, por sua vez, mostra a
evolução dinâmica da doença através do sangue. Em muitos casos, a combinação das duas é a forma mais completa de avaliação.


Tipos de câncer em que pode ser aplicada


O exame já apresenta
resultados promissores em diferentes tipos de câncer, como:



Estudos continuam em andamento para ampliar sua aplicabilidade em outros tumores.


O futuro da biópsia líquida


Mais do que um exame complementar, a biópsia líquida tende a se tornar uma ferramenta central na medicina personalizada. Pesquisas atuais investigam seu uso em
rastreamento populacional, acompanhamento contínuo e definição de terapias direcionadas ao perfil genético de cada paciente. Essa técnica é apontada como um dos avanços mais significativos da oncologia na última década.


Perguntas frequentes


  • O que é biópsia líquida?

    A biópsia líquida é um exame de sangue que detecta fragmentos de DNA tumoral e outros biomarcadores, ajudando no diagnóstico e no acompanhamento do câncer.


  • Como é feita a biópsia líquida?

    É realizada por meio de uma coleta de sangue comum, onde o plasma é analisado com técnicas genéticas avançadas para identificar alterações ligadas ao tumor.


  • Para que serve uma biópsia líquida?

    Ela é usada para detectar câncer precocemente, definir terapias personalizadas, monitorar resposta ao tratamento e identificar risco de recidiva ou resistência a medicamentos.


  • Quais tipos de câncer podem ser acompanhados pela biópsia líquida?

    A técnica é especialmente utilizada em câncer de pulmão, mama, cólon, próstata e melanoma, mas pesquisas buscam ampliar sua aplicação a outros tumores.


  • A biópsia líquida substitui a biópsia convencional?

    Não. Embora seja menos invasiva e traga informações moleculares importantes, a biópsia líquida ainda é considerada complementar à análise de tecido.

  • Quais são as vantagens da biópsia líquida?

    Entre os principais benefícios estão: menor risco, coleta simples, possibilidade de repetição frequente e monitoramento dinâmico da evolução tumoral.


  • Quem deve fazer a biópsia líquida?

    O exame pode ser indicado para pacientes em tratamento oncológico, pessoas com câncer metastático, histórico de mutações conhecidas ou risco elevado da doença.


  • Quanto tempo demora para sair o resultado da biópsia líquida?

    O prazo varia conforme o laboratório, mas em geral os resultados ficam prontos entre 7 e 15 dias úteis após a coleta de sangue.


  • A biópsia líquida está disponível no Brasil?

    Sim. O exame já está disponível em laboratórios privados e centros oncológicos de referência, embora o acesso ainda seja limitado no sistema público de saúde.


  • Qual o valor de uma biópsia líquida?

    O custo varia conforme o tipo de painel genético analisado e o laboratório.


  • A biópsia líquida consegue detectar câncer antes mesmo de aparecer em exames de imagem?

    Sim. Em alguns casos, fragmentos de DNA tumoral circulante podem ser identificados no sangue antes que o tumor seja visível em tomografias ou ressonâncias, permitindo intervenção precoce.

  • A quantidade de DNA tumoral circulante varia durante o dia?

    Não há variação significativa ligada ao horário da coleta. Porém, fatores como tratamento em andamento e características do tumor podem influenciar a quantidade detectada.

  • A biópsia líquida pode indicar resistência a medicamentos antes que os sintomas ou exames mostrem?

    Sim. O exame pode revelar mutações que surgem durante o tratamento e que tornam certos medicamentos menos eficazes, possibilitando ajustes precoces na terapia.

  • É possível monitorar múltiplos tumores diferentes no mesmo exame de biópsia líquida?

    Sim. Quando há metástases, a biópsia líquida pode detectar mutações de diferentes locais, refletindo a heterogeneidade tumoral que nem sempre é captada em uma única biópsia de tecido.


  • O uso repetido da biópsia líquida aumenta a precisão do acompanhamento?

    Sim. Realizar o exame em intervalos regulares ajuda a mapear a evolução do tumor e a resposta ao tratamento de forma dinâmica.



Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman


A biópsia líquida é um exame inovador que permite analisar o sangue em busca de fragmentos de DNA tumoral, trazendo benefícios no diagnóstico, na escolha de terapias personalizadas e no acompanhamento da resposta ao tratamento. Embora ainda não substitua a biópsia convencional em todos os casos,
tem se mostrado uma ferramenta promissora para tornar a oncologia cada vez mais precisa e menos invasiva.


Você já conversou com um oncologista sobre a possibilidade de utilizar a biópsia líquida como parte do acompanhamento?


Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.



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Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. 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