Resposta ao tratamento do câncer: Entenda as definições

Gustavo Schvartsman • 8 de outubro de 2025

Durante o tratamento oncológico, uma das maiores dúvidas dos pacientes e familiares é saber se a terapia está realmente funcionando. Termos como “resposta completa”, “resposta parcial”, “doença estável” e “progressão da doença” são frequentemente utilizados por médicos, mas nem sempre compreendidos por quem está vivendo essa jornada.


Neste artigo, vou explicar o que significa a resposta ao tratamento do câncer, quais são as classificações utilizadas, como os resultados são avaliados e o que cada definição representa na prática.
Continue a leitura para entender de forma clara como interpretar a evolução do tratamento oncológico.


O que significa a resposta ao tratamento do câncer?


A resposta ao tratamento do câncer diz respeito a
como o organismo, especialmente o tumor, reage às terapias aplicadas, que podem incluir quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, terapias-alvo ou a combinação dessas estratégias. Essa resposta é avaliada ao longo do tempo, por meio de exames de imagem, análises laboratoriais e da observação clínica direta.


Entender essa resposta é
fundamental para definir se o tratamento está sendo eficaz, se precisa ser ajustado ou se é necessário buscar uma nova abordagem. A avaliação é feita em momentos específicos do tratamento, conforme definido pelo protocolo adotado para cada tipo de câncer.


Como os médicos classificam a resposta ao tratamento?


Na prática clínica, utilizamos critérios internacionais para avaliar se e como o tumor está reagindo. O mais comum é o
RECIST (Critérios de Avaliação de Resposta em Tumores Sólidos), que organiza a resposta em quatro principais categorias:


Resposta completa (RC)


  • O tumor desaparece nos exames de imagem.
  • Não há sinais clínicos de atividade tumoral.
  • Apesar de muito positiva, essa resposta não garante cura definitiva, por isso o acompanhamento segue sendo essencial.


Resposta parcial (RP)


  • Há uma redução de pelo menos 30% no tamanho das lesões observadas inicialmente.
  • Mostra que o tumor está regredindo, mas ainda permanece ativo em parte.


Doença estável (DE)


O tumor não encolheu de forma significativa, mas também não cresceu.


Representa um
controle da doença, o que muitas vezes permite boa qualidade de vida. Há tipos de tumor cujo tratamento muitas vezes estabiliza a doença por anos, então não haver redução nem sempre é uma notícia ruim.


Progressão da doença (PD)


  • Indica que o tumor cresceu mais de 20%, surgiram novas lesões ou os sintomas se agravaram.
  • Sugere falha da estratégia atual, exigindo reavaliação da conduta.


Quais exames ajudam a medir essa resposta?


A resposta ao tratamento é monitorada com ferramentas diagnósticas complementares, sempre escolhidas conforme o tipo de câncer e o plano terapêutico:


Exames de imagem


PET-CT
: detecta atividade metabólica do tumor, sendo muito útil para avaliar resposta em fases iniciais do tratamento.


Tomografia e ressonância magnética:
acompanham mudanças no volume tumoral.


Exames laboratoriais


Alguns tipos de câncer liberam substâncias específicas na corrente sanguínea (
marcadores tumorais), que podem sugerir evolução ou regressão da doença, mas nem sempre são fidedignos.


Exames de sangue
também ajudam a monitorar os efeitos colaterais do tratamento.


Avaliação clínica


Sintomas como
dor, fadiga, falta de ar e sangramentos são observados atentamente.


Melhoras no apetite, no sono e na disposição também são levadas em consideração.


Resposta é o mesmo que cura?


Não exatamente. Ter uma boa resposta ao tratamento, inclusive uma resposta completa,
não significa que a doença foi curada. Em muitos casos, células tumorais ainda podem estar presentes no organismo, mas não são detectadas pelos exames disponíveis.


Fala-se em cura quando o paciente permanece sem sinais da doença por um longo período, geralmente
superior a 5 anos, e sem recidiva. Mesmo assim, o comportamento da doença pode variar bastante de acordo com o tipo e a agressividade do câncer.


Por que o acompanhamento contínuo é tão importante?


Após uma boa resposta,
é essencial manter o acompanhamento com a equipe médica para:


  • Identificar precocemente qualquer sinal de retorno da doença
  • Monitorar possíveis efeitos tardios das terapias
  • Avaliar se há necessidade de tratamentos complementares
  • Oferecer suporte físico, emocional e social ao paciente


A frequência das consultas e exames varia de acordo com cada caso, mas o seguimento é sempre personalizado.


O que pode influenciar a resposta ao tratamento?


A maneira como cada pessoa responde ao tratamento
depende de diversos fatores, incluindo:


  1. Tipo e estágio do câncer
  2. Alterações genéticas presentes no tumor
  3. Mutações específicas (como BRCA, EGFR, ALK, entre outras)
  4. Estado geral de saúde do paciente, idade e presença de outras doenças
  5. Tipo e intensidade do tratamento proposto


Com os avanços da medicina de precisão, é possível personalizar as terapias com base nas
características moleculares do tumor, aumentando a chance de uma resposta mais eficaz.


Qual o impacto da resposta sobre a qualidade de vida?


Mesmo que não se alcance uma resposta completa, é possível controlar o câncer por longos períodos,
mantendo a estabilidade da doença e qualidade de vida. Em muitos casos, o foco deixa de ser eliminar o tumor completamente e passa a ser oferecer mais tempo com bem-estar e autonomia.


A decisão de seguir com o mesmo tratamento ou buscar alternativas leva em conta tanto os resultados dos exames quanto os objetivos pessoais do paciente.


Perguntas frequentes


  • O que é a resposta ao tratamento do câncer?

    É a forma como o tumor reage à terapia proposta, podendo indicar redução, estabilização ou progressão da doença. Essa resposta é avaliada por exames de imagem, laboratoriais e observações clínicas.


  • Como saber se o tratamento do câncer está funcionando?

    A efetividade do tratamento é medida por exames como PET-CT, tomografia e ressonância, além da melhora de sintomas e dosagens de marcadores tumorais, de acordo com o tipo de câncer.


  • Qual a diferença entre resposta completa e resposta parcial ao tratamento?

    A resposta completa ocorre quando o tumor desaparece totalmente nos exames. A resposta parcial indica que houve uma redução significativa no tamanho da lesão, mas ainda há doença detectável.


  • O que significa doença estável no tratamento do câncer?

    Significa que o tumor não aumentou nem diminuiu de forma significativa. Embora não represente cura, indica que a doença está controlada, o que pode trazer qualidade de vida ao paciente.


  • O tratamento pode ser mantido mesmo sem resposta completa?

    Sim. Em muitos casos, manter a doença estável já é considerado um bom resultado, especialmente quando o tratamento proporciona controle dos sintomas e preservação da qualidade de vida.


  • A resposta ao tratamento significa que o câncer está curado?

    Não necessariamente. Mesmo em caso de resposta completa, ainda pode haver células cancerígenas não detectadas. A cura só é considerada após longo tempo sem recidivas, geralmente mais de 5 anos.


  • Com que frequência a resposta ao tratamento deve ser avaliada?

    Depende do protocolo e do tipo de câncer, mas geralmente a cada 2 ou 3 ciclos de quimioterapia ou após um número definido de semanas com outra terapia. O oncologista define o intervalo ideal.


  • O que fazer quando o câncer não responde ao tratamento?

    Quando há progressão da doença, o médico pode indicar uma mudança na estratégia terapêutica, como troca de medicação, inclusão de outro tipo de tratamento ou cuidados paliativos, conforme o caso.


  • Quais fatores influenciam a resposta ao tratamento do câncer?

    A resposta pode variar de acordo com o tipo e estágio do câncer, perfil genético do tumor, mutações específicas, saúde geral do paciente e adequação da terapia às características da doença.


  • A resposta ao tratamento pode variar mesmo entre pacientes com o mesmo tipo de câncer?

    Sim. Cada organismo reage de forma única, influenciado por fatores como perfil genético do tumor, mutações específicas, idade, comorbidades e tipo de terapia utilizada.


  • Como a medicina de precisão pode impactar a resposta ao tratamento do câncer?

    Ela permite personalizar o tratamento com base nas características moleculares do tumor, aumentando a chance de resposta eficaz e reduzindo efeitos colaterais desnecessários.


  • É possível manter qualidade de vida mesmo sem resposta completa ao tratamento?

    Sim. Em muitos casos, controlar a doença já permite reduzir sintomas, evitar internações frequentes e preservar a autonomia do paciente por longos períodos.


  • A ausência de sintomas garante que o câncer está controlado?

    Não. Alguns tumores podem crescer sem causar sintomas visíveis. Por isso, os exames periódicos são fundamentais, mesmo quando o paciente se sente bem.


  • Quando um tumor reduz de tamanho, isso significa que ele está morrendo?

    Nem sempre. A redução pode indicar resposta parcial, mas ainda pode haver células ativas. Só exames complementares e o tempo podem confirmar a resposta real.


  • Existe risco de progressão mesmo após uma resposta completa?

    Sim. A resposta completa não elimina a possibilidade de recidiva futura. Por isso, o acompanhamento de longo prazo é fundamental para detectar qualquer retorno da doença.


  • O sistema imunológico influencia na resposta ao tratamento?

    Sim. Um sistema imunológico saudável pode potencializar a ação de algumas terapias, especialmente da imunoterapia, ajudando o organismo a combater as células tumorais.


Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman


A resposta ao tratamento do câncer é
um dos principais indicadores de que a abordagem terapêutica está no caminho certo. Saber interpretar termos como resposta completa, parcial ou doença estável ajuda a reduzir a ansiedade e fortalece o protagonismo do paciente em sua jornada. O acompanhamento contínuo, o apoio da equipe médica e a confiança nas decisões compartilhadas são fundamentais para lidar com os desafios do câncer com mais clareza e segurança.


Você entendeu bem como a resposta ao tratamento pode guiar a conduta? Que tal conversar com um médico sobre o significado dos resultados mais recentes?

Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.



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Como resultado, reduz o crescimento do tumor e prolonga a sobrevida . Evidências mostram benefício consistente até mesmo em pessoas previamente tratadas com outros TKIs, reforçando seu papel como terapia de alto impacto. Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão Pacientes com mutações EGFR sensibilizantes O grupo mais beneficiado inclui pessoas com: Deleções no éxon 19 L858R no éxon 21 Algumas outras alterações mais raras no EGFR Pacientes com mutação T790M A mutação T790M aparece como forma de resistência em aproximadamente 50 a 60 por cento dos pacientes tratados com TKIs de gerações anteriores. O Osimertinibe foi o primeiro TKI a demonstrar eficácia comprovada contra essa alteração, com impacto direto no controle da doença. Pacientes com metástases cerebrais Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para: Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas Prevenir o surgimento de novas lesões Reduzir sintomas neurológicos Postergar radioterapia Dados publicados no New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana. Pacientes recém diagnosticados com doença avançada No estudo FLAURA , considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual. Pacientes operados com alto risco de recidiva Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte. Efeitos colaterais O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança. Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve. Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. O monitoramento com o oncologista reduz riscos e permite ajustes adequados do tratamento quando necessário. Como é feito o diagnóstico das mutações EGFR Para indicar o Osimertinibe corretamente, é essencial identificar as mutações por meio de: Sequenciamento de nova geração (NGS) PCR em tempo real Biópsia líquida (quando o tumor libera DNA no sangue) Esses métodos estão amplamente disponíveis e ajudam a escolher a melhor abordagem terapêutica. Atenção! O NGS é sempre preferível para buscar co-mutações associadas ao EGFR que podem afetar prognóstico e auxiliar na decisão de tratamento, uma vez que hoje há mais de uma opção. Esse método sequencia centenas de genes ao mesmo tempo. Por que isso é decisivo Sem o teste molecular, não é possível confirmar se o tumor depende da via EGFR. Sem essa informação, o tratamento pode não trazer o benefício esperado. Osimertinibe como parte de um tratamento personalizado O plano terapêutico é individualizado e leva em conta o tipo e localização do tumor, o estágio da doença, a existência de metástases e as condições clínicas do paciente. Muitas vezes, o Osimertinibe integra um programa terapêutico que pode incluir: Imunoterapia Quimioterapia Radioterapia Cuidados de suporte Essa integração promove melhor controle, diminui sintomas e contribui para avanços importantes na qualidade de vida. Perguntas frequentes
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