Sono e câncer: Existe relação entre noites mal dormidas e risco aumentado?

Gustavo Schvartsman • 10 de fevereiro de 2026

A ciência indica que existe uma relação indireta entre noites mal dormidas e aumento do risco de câncer. A privação crônica do sono pode desregular o sistema imunológico, alterar hormônios e comprometer o ritmo circadiano, fatores envolvidos no controle do crescimento celular. Além disso, a redução da produção de melatonina e o aumento da inflamação sistêmica podem criar um ambiente biológico menos estável ao longo do tempo. Embora dormir mal não cause câncer de forma isolada, o sono inadequado pode contribuir para um risco maior quando associado a outros fatores.


Introdução


Dormir bem é um dos pilares da saúde, ao lado da alimentação equilibrada e da prática regular de atividade física. No entanto, o
impacto do sono vai além do cansaço do dia seguinte. Evidências científicas vêm mostrando que alterações crônicas do sono podem interferir em processos biológicos fundamentais, incluindo aqueles relacionados ao desenvolvimento do câncer. A relação entre sono e câncer tem sido cada vez mais estudada por pesquisadores do mundo todo, levantando questionamentos importantes sobre risco, prevenção e qualidade de vida.


Neste artigo, você vai entender como o sono influencia o funcionamento do organismo, o que a ciência já sabe sobre essa associação e quando é importante buscar orientação médica.
Continue a leitura e aprenda sobre essa relação.


Como o sono atua no funcionamento do organismo?


O sono não é um período de inatividade do corpo, mas um
processo biológico dinâmico e essencial para o equilíbrio do organismo. Ao longo das diferentes fases do sono, ocorrem ajustes finos em sistemas hormonais, metabólicos e imunológicos, fundamentais para a manutenção da saúde ao longo do tempo. Durante esse período, o corpo executa funções de reparo, regulação e organização que não acontecem com a mesma eficiência quando estamos acordados.


Principais funções do sono:


  • Fortalecimento e regulação do sistema imunológico
  • Controle da liberação e do ritmo hormonal
  • Reparação celular e recuperação dos tecidos
  • Consolidação da memória e dos processos de aprendizado


De acordo com a
National Sleep Foundation, adultos devem dormir entre 7 e 9 horas por noite para que essas funções ocorram de forma adequada.


O que acontece quando o sono é insuficiente ou fragmentado


Quando o sono é reduzido ou interrompido de forma frequente, o organismo entra em um
estado contínuo de estresse fisiológico. Esse desequilíbrio, quando se repete ao longo do tempo, pode se tornar crônico e afetar diversos sistemas do corpo, ultrapassando o simples cansaço físico.


Consequências fisiológicas mais comuns:


  • Aumento da inflamação sistêmica
  • Alterações no metabolismo da glicose
  • Desorganização do eixo hormonal
  • Redução da eficiência da resposta imunológica


A privação crônica do sono está associada a maior risco de doenças cardiovasculares, metabólicas e imunológicas.


Sono e câncer: o que a ciência tem demonstrado


A relação entre sono e câncer é complexa e multifatorial. Embora
não exista uma ligação direta e isolada, evidências científicas sugerem que noites mal dormidas podem interferir em mecanismos biológicos envolvidos no desenvolvimento tumoral, especialmente quando a alteração do sono é persistente.


Evidências observacionais e experimentais


Estudos populacionais indicam que pessoas com distúrbios crônicos do sono apresentam
maior incidência de determinados tipos de câncer. Um marco importante nesse tema foi a classificação do trabalho em turnos noturnos como potencialmente carcinogênico pela Organização Mundial da Saúde, devido à desorganização do ritmo circadiano.


A alteração do relógio biológico pode impactar processos celulares relacionados à proliferação e ao controle tumoral.


O papel do ritmo circadiano na relação entre sono e câncer


O ritmo circadiano funciona como um
relógio interno, regulando ciclos de sono e vigília, temperatura corporal e liberação hormonal. Ele é fortemente influenciado pela exposição à luz e pela regularidade dos horários de dormir e acordar.


Por que o ritmo circadiano é tão relevante?


  • Regula a produção de melatonina
  • Coordena o ciclo celular
  • Influencia diretamente a resposta imunológica


A desorganização crônica desse ritmo pode levar a um
ambiente celular menos controlado, favorecendo processos inflamatórios e alterações no controle do crescimento celular.


Melatonina e sua possível ação protetora


A melatonina é um hormônio produzido principalmente durante a noite e tem
papel central na regulação do sono. Além disso, ela participa de mecanismos biológicos associados à proteção celular.


Principais funções da melatonina:


  • Atividade antioxidante
  • Modulação do sistema imunológico
  • Influência sobre o ciclo celular


A melatonina apresenta propriedades oncostáticas em modelos experimentais, ou seja, pode ajudar a
modular processos relacionados ao crescimento celular, embora não deva ser vista como fator preventivo isolado.


Distúrbios do sono mais estudados na oncologia


Nem todas as alterações do sono têm o mesmo impacto biológico. Alguns distúrbios
despertam maior atenção quando se analisa a relação entre sono e câncer, especialmente pela frequência e pelos efeitos sistêmicos associados.


Distúrbios mais relevantes:


  • Insônia crônica
  • Apneia obstrutiva do sono
  • Trabalho noturno prolongado
  • Fragmentação frequente do sono


A apneia obstrutiva do sono, por exemplo, está associada à hipóxia intermitente, condição que pode ativar vias inflamatórias e angiogênicas.


Sono durante o tratamento oncológico


Além da possível influência no risco, o sono exerce
impacto direto no tratamento do câncer. Distúrbios do sono são frequentes em pacientes oncológicos e podem interferir na resposta ao tratamento e na qualidade de vida.


Impactos clínicos do sono inadequado:


  • Aumento da fadiga
  • Menor tolerância aos tratamentos
  • Piora da qualidade de vida
  • Alterações de humor e desempenho cognitivo


Estratégias voltadas à melhora do sono contribuem para melhor adesão terapêutica e bem-estar global dos pacientes.


Dormir melhor reduz o risco de câncer?


Dormir bem, por si só, não garante a prevenção do câncer. A relação entre sono e câncer envolve
múltiplos fatores, como predisposição genética, hábitos de vida, alimentação, atividade física e exposições ambientais. Ainda assim, o sono adequado contribui para o equilíbrio de sistemas fundamentais do organismo.


O que o sono adequado pode favorecer:


  • Funcionamento mais eficiente do sistema imunológico;
  • Redução de inflamação crônica;
  • Preservação do equilíbrio hormonal.


O
National Cancer Institute reforça que hábitos saudáveis atuam de forma integrada na redução de riscos, e o sono é parte essencial desse conjunto.


Quando procurar ajuda médica para problemas de sono


Alterações persistentes do sono não devem ser encaradas como algo normal ou inevitável.
A avaliação médica é fundamental para identificar causas, orientar tratamentos e prevenir impactos a longo prazo.


Sinais de alerta:


  1. Dificuldade frequente para iniciar ou manter o sono
  2. Sonolência excessiva durante o dia
  3. Roncos intensos e pausas respiratórias durante o sono
  4. Fadiga persistente sem causa aparente


O diagnóstico precoce dos distúrbios do sono contribui não apenas para a melhora da
qualidade de vida, mas também para estratégias de cuidado e prevenção em saúde ao longo do tempo.


Perguntas frequentes


  • Existe realmente uma relação entre sono e câncer?

    A ciência mostra que a relação entre sono e câncer é complexa e indireta. Distúrbios crônicos do sono podem interferir no sistema imunológico, no equilíbrio hormonal e no ritmo circadiano, fatores que participam dos mecanismos envolvidos no desenvolvimento do câncer.


  • Qual o papel do ritmo circadiano na relação entre sono e câncer?

    O ritmo circadiano regula funções essenciais do organismo, como a liberação hormonal e o ciclo celular. Quando ele é constantemente desorganizado, como ocorre em quem dorme mal ou trabalha à noite por longos períodos, pode haver impacto em processos biológicos ligados ao controle do crescimento celular.


  • A qualidade do sono importa mais do que a quantidade quando se fala em sono e câncer?

    Ambos são importantes, mas a qualidade do sono tem papel central. Dormir várias horas com despertares frequentes, apneia ou sono superficial pode comprometer os mesmos mecanismos biológicos que a privação de horas, como a regulação imunológica e hormonal.


  • Dormir pouco aumenta o risco de desenvolver câncer?

    Dormir pouco de forma ocasional não representa risco relevante. No entanto, a privação crônica do sono pode favorecer inflamação persistente, alterações metabólicas e desregulação hormonal, condições associadas a maior risco de diversas doenças, incluindo o câncer.


  • Trabalhar à noite aumenta o risco de câncer?

    A Organização Mundial da Saúde classifica o trabalho em turnos noturnos como potencialmente carcinogênico. Isso ocorre principalmente pela desregulação do ritmo circadiano e pela redução da produção noturna de melatonina ao longo do tempo.

  • A melatonina realmente protege contra o câncer?

    A melatonina apresenta propriedades antioxidantes e participa da regulação do ciclo celular. Estudos sugerem que níveis adequados desse hormônio podem contribuir para um ambiente celular mais controlado, mas isso não significa proteção direta ou prevenção isolada do câncer.


  • Quais distúrbios do sono são mais estudados na relação com o câncer?

    Insônia crônica, apneia obstrutiva do sono, fragmentação frequente do sono e exposição prolongada ao trabalho noturno são os distúrbios mais investigados quando se avalia a relação entre sono e câncer.


  • Dormir bem durante o tratamento do câncer faz diferença?

    Sim. Um sono adequado pode melhorar a tolerância aos tratamentos, reduzir fadiga, contribuir para o equilíbrio emocional e melhorar a qualidade de vida de pacientes oncológicos ao longo do acompanhamento.


  • O sono ruim pode afetar exames e marcadores usados no acompanhamento do câncer?

    Distúrbios do sono podem alterar níveis hormonais, inflamatórios e metabólicos, o que pode influenciar alguns exames laboratoriais e a interpretação clínica em determinados contextos.



Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman


A relação entre sono e câncer vem sendo cada vez mais estudada e aponta para a importância do descanso adequado como parte de um estilo de vida saudável. Embora o sono isoladamente não determine o desenvolvimento do câncer,
sua influência sobre o sistema imunológico, o ritmo circadiano e a regulação hormonal reforça seu papel no equilíbrio do organismo. Investir em boas noites de sono é uma medida acessível, segura e benéfica para a saúde como um todo. Se você tem dificuldades persistentes para dormir ou deseja entender melhor como o sono pode impactar sua saúde a longo prazo, procure um médico e avalie seus hábitos e sintomas.



Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.


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Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual. Pacientes operados com alto risco de recidiva Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte. Efeitos colaterais O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança. Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve. Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. O monitoramento com o oncologista reduz riscos e permite ajustes adequados do tratamento quando necessário. Como é feito o diagnóstico das mutações EGFR Para indicar o Osimertinibe corretamente, é essencial identificar as mutações por meio de: Sequenciamento de nova geração (NGS) PCR em tempo real Biópsia líquida (quando o tumor libera DNA no sangue) Esses métodos estão amplamente disponíveis e ajudam a escolher a melhor abordagem terapêutica. Atenção! O NGS é sempre preferível para buscar co-mutações associadas ao EGFR que podem afetar prognóstico e auxiliar na decisão de tratamento, uma vez que hoje há mais de uma opção. Esse método sequencia centenas de genes ao mesmo tempo. Por que isso é decisivo Sem o teste molecular, não é possível confirmar se o tumor depende da via EGFR. Sem essa informação, o tratamento pode não trazer o benefício esperado. 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