Câncer de próstata resistente à castração: O que significa e como tratar?

O que significa o câncer de próstata resistente à castração e como tratar?
O câncer de próstata resistente à castração ocorre quando o tumor continua a crescer mesmo com níveis muito baixos de testosterona. Isso indica que as células cancerígenas passaram a usar outras vias para se multiplicar. O tratamento envolve terapias hormonais de nova geração, como abiraterona ou enzalutamida, quimioterapia com docetaxel ou cabazitaxel, radioligantes com PSMA, inibidores de PARP se danos de reparo ao DNA, radioterapia focal e, em casos selecionados, imunoterapia.
Introdução
O
câncer de próstata resistente à castração é um estágio da doença em que o tumor continua a crescer mesmo com níveis muito baixos de testosterona. Esta condição pode gerar dúvidas e preocupação, mas também representa um momento em que novas terapias direcionadas ganham importância.
Neste artigo, você vai entender o que caracteriza essa fase, quais tratamentos são indicados, como ocorre o diagnóstico e quais são as expectativas atuais com as terapias mais modernas.
Continue a leitura.
O que significa câncer de próstata resistente à castração?
O câncer de próstata resistente à castração é o estágio em que o tumor
continua a avançar mesmo quando a testosterona está reduzida a níveis considerados de castração, abaixo de 50 ng/dL. Essa fase é caracterizada por sinais de atividade tumoral, como aumento do PSA, novos sintomas clínicos ou evidências de progressão em exames de imagem. Essa mudança de comportamento ocorre quando as células passam a crescer independentemente do bloqueio hormonal tradicional.
Por que isso acontece
Com o tempo, o tumor
encontra maneiras de contornar o bloqueio
hormonal. As adaptações mais conhecidas incluem:
- Capacidade de produzir hormônios dentro do próprio tumor
- Alterações estruturais no receptor de androgênio
- Redução da dependência da testosterona para crescer
- Mutações genéticas que tornam o tumor mais agressivo
Esses mecanismos explicam por que a doença pode avançar mesmo com testosterona controlada.
Sintomas mais comuns quando a doença progride
Os sinais variam conforme o local comprometido, mas alguns padrões são frequentes:
- Elevação progressiva do PSA
- Dor óssea persistente
- Fadiga e perda de peso
- Sintomas urinários
- Dor lombar ou pélvica
- Fraqueza nas pernas quando há compressão medular
A
identificação precoce desses sintomas permite intervenções mais eficazes e direcionadas.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do câncer de próstata resistente à castração depende da
combinação
entre avaliação clínica, exames laboratoriais e métodos de imagem.
Avaliação laboratorial
O PSA é um dos marcadores mais úteis para monitorar a doença. A
European Association of Urology define resistência quando há elevação confirmada do PSA em três dosagens consecutivas.
Exames de imagem
Os exames mais utilizados incluem:
- Tomografia
- Ressonância magnética
- Cintilografia óssea
- PET CT com PSMA, cada vez mais incorporado à prática clínica
Essas ferramentas ajudam a identificar novas lesões e direcionam o plano terapêutico.
Tratamentos disponíveis
O câncer de próstata resistente à castração dispõe de várias estratégias que visam
controlar a doença, reduzir sintomas e prolongar a sobrevida.
Terapias hormonais de nova geração
Atuam
diretamente no receptor de androgênio
e permanecem eficazes mesmo quando o tumor deixa de responder ao bloqueio hormonal convencional. Entre elas:
- Abiraterona
- Enzalutamida
- Apalutamida
- Darolutamida
Quimioterapia
A quimioterapia é importante especialmente em casos sintomáticos ou de progressão acelerada.
As opções mais consolidadas são o Docetaxel e Cabazitaxel.
Esses medicamentos já provaram benefício tanto em linhas iniciais quanto após falha de terapias hormonais modernas.
Radioligantes com PSMA
Uma das estratégias mais inovadoras utiliza radiofármacos direcionados ao PSMA. O Lutécio 177 PSMA se destaca por reduzir sintomas, diminuir PSA e melhorar o controle da doença. O
estudo VISION mostrou benefícios significativos em sobrevida livre de progressão.
Imunoterapia
A
imunoterapia é indicada para tumores com instabilidade de microssatélites ou alta carga mutacional. Nessas condições, o pembrolizumabe pode trazer respostas duradouras.
Inibidores de PARP, com destaque para o olaparibe
O olaparibe é um inibidor da enzima PARP indicado para pacientes com câncer de próstata resistente à castração que apresentam mutações em genes de reparo do DNA, especialmente BRCA1, BRCA2 e outros envolvidos na recombinação homóloga. Esses tumores têm maior dependência das vias de reparo mediadas pela PARP, tornando-se mais sensíveis a esse tipo de terapia. O benefício do olaparibe foi demonstrado no estudo clínico de fase III PROfound, que mostrou melhora significativa na sobrevida livre de progressão radiográfica e na sobrevida global em comparação com terapias hormonais de nova geração em pacientes previamente tratados. Com base nesses resultados, o olaparibe foi aprovado por agências regulatórias como FDA e EMA e passou a integrar as principais diretrizes internacionais, incluindo as da European Association of Urology e da NCCN, reforçando a importância do teste genético no direcionamento do tratamento.
Radioterapia focal
Indicada quando o paciente apresenta
poucas lesões ativas. A técnica ajuda a controlar áreas específicas, aliviar dor e retardar a progressão.
Cuidados de suporte
Além do tratamento oncológico direto, muitos pacientes se beneficiam de:
- Manejo adequado da dor
- Avaliação nutricional
- Prevenção de fraturas
- Fisioterapia
- Apoio para manutenção da função e mobilidade
Como escolher o melhor tratamento
A escolha terapêutica é
individualizada
e leva em conta:
- Velocidade de progressão tumoral
- Localização das metástases
- Tratamentos utilizados anteriormente
- Perfil genético da doença
- Estado clínico geral do paciente
Esse cuidado permite definir sequências terapêuticas mais eficientes e com melhor tolerabilidade.
Perguntas frequentes
O que significa ter câncer de próstata resistente à castração?
Esse termo descreve a fase em que o tumor continua a progredir mesmo com testosterona em níveis considerados de castração, abaixo de 50 ng dL. Nessa etapa, o PSA volta a subir, surgem novos sintomas ou há progressão evidente nos exames, indicando que a doença encontrou maneiras alternativas de crescer apesar do bloqueio hormonal.
Por que o câncer de próstata pode ficar resistente mesmo com testosterona baixa?
As células tumorais passam a usar vias alternativas de crescimento, como produzir hormônios dentro do próprio tumor, alterar o receptor de androgênio ou desenvolver mutações que tornam a proliferação celular mais agressiva. Esse conjunto de adaptações sustenta o avanço da doença.
Como o tumor continua crescendo mesmo quando a testosterona está em níveis de castração?
As células tumorais passam a usar fontes alternativas de sinalização, como produção local de andrógenos, mutações no receptor de androgênio e ativação de vias independentes de hormônios. Essas adaptações sustentam o crescimento mesmo com testosterona muito baixa.
Quais sinais indicam que o câncer se tornou resistente à castração?
Os sinais mais comuns incluem aumento contínuo do PSA, surgimento de dor óssea, piora dos sintomas urinários, fadiga intensa, perda de peso ou novas lesões em exames de imagem. Qualquer mudança deve ser avaliada prontamente pelo oncologista.
É possível que o PSA aumente sem que as imagens mostrem progressão imediata?
Sim. O PSA pode subir antes do aparecimento de novas lesões visíveis, porque ele reflete atividade biológica do tumor. Por isso, o monitoramento seriado do PSA é tão importante quanto os exames de imagem.
A resistência significa que o tratamento hormonal deixou de funcionar totalmente?
Não completamente. Muitos pacientes ainda se beneficiam de manter o bloqueio hormonal, mas o tumor já não depende apenas da testosterona para crescer. Por isso, terapias adicionais tornam-se necessárias para controlar a doença.
Quais mutações genéticas tornam o câncer mais propenso a se tornar resistente?
Alterações em genes de reparo de DNA, como BRCA1, BRCA2 e ATM, além de mutações no receptor de androgênio, podem favorecer resistência precoce. A identificação dessas alterações orienta terapias específicas, como inibidores de PARP.
Quais são as opções de tratamento para o câncer de próstata resistente à castração?
As principais abordagens incluem terapias hormonais de nova geração como abiraterona e enzalutamida, quimioterapia, radioligandoterapia com PSMA, radioterapia focal, imunoterapia em casos selecionados e cuidados de suporte. A escolha é personalizada conforme a evolução da doença e o estado clínico.
As terapias hormonais modernas funcionam mesmo quando o tumor já é resistente?
Sim. Medicamentos como abiraterona, enzalutamida, apalutamida e darolutamida atuam diretamente no receptor de androgênio e conseguem bloquear vias que continuam ativas mesmo após a castração tradicional, aumentando o tempo de controle da doença.
Todo paciente resistente à castração precisa fazer quimioterapia?
Não. A quimioterapia pode ser indicada em casos sintomáticos, de progressão rápida ou quando as terapias hormonais não são mais suficientes. Muitos pacientes podem iniciar outras medicações antes da quimioterapia, conforme a estratégia definida pelo oncologista.
O que significa quando o tumor deixa de responder mesmo às terapias hormonais de nova geração?
Isso indica evolução para um estágio mais agressivo, chamado resistência secundária. Nessa fase, o tumor desenvolve mecanismos adicionais de escape, exigindo combinações ou mudança completa da linha terapêutica.
O que muda quando o tumor começa a progredir apenas em alguns pontos do corpo?
Essa situação é chamada progressão oligometastática. Quando poucas áreas evoluem, é possível tratar essas lesões de forma focal, com radioterapia ou abordagem local, enquanto se mantém o tratamento sistêmico que ainda funciona para o restante do corpo.
Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman
O câncer de próstata resistente à castração representa uma fase desafiadora, mas com diversas opções terapêuticas eficazes. O diagnóstico precoce e a escolha adequada da estratégia de tratamento
podem ampliar o tempo de controle da doença e melhorar a qualidade de vida.
Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.
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