O papel dos inibidores de checkpoint imunológico: O que são?

Gustavo Schvartsman • 3 de dezembro de 2025

Os avanços em oncologia mudaram radicalmente com o surgimento dos inibidores de checkpoint imunológico, uma classe de medicamentos que modula as barreiras imunológicas que impedem a ação eficaz das células de defesa contra o câncer. Eles são usados em variados tipos de tumor e têm proporcionado respostas duradouras em muitos pacientes.

Neste conteúdo, você vai entender o que são esses inibidores, como funcionam, em quais casos são indicados, seus benefícios e limitações, e quais desafios ainda permanecem. Continue a leitura para saber mais.


O que são os inibidores de checkpoint imunológico?


Os inibidores de checkpoint imunológico são medicamentos que ajudam o sistema imunológico a reconhecer e combater o câncer. Eles atuam
bloqueando proteínas regulatórias, como PD-1, PD-L1 e CTLA-4, que normalmente controlam a ativação das células de defesa. Essas moléculas impedem respostas exageradas contra o próprio organismo, porém muitos tumores utilizam esse mecanismo para se esconder do sistema imune.


Ao bloquear esses checkpoints, os ICIs reduzem a inibição das células T, permitindo que retomem sua capacidade de identificar e eliminar as células tumorais.

As principais classes atualmente aprovadas incluem:


Inibidores de PD-1:
como nivolumabe e pembrolizumabe

Inibidores de PD-L1: como atezolizumabe, durvalumabe e avelumabe

Inibidores de CTLA-4: como ipilimumabe


Como atuam no combate ao câncer


O funcionamento dos inibidores de checkpoint imunológico pode ser dividido em etapas:


  1. Tolerância tumoral: as células cancerígenas expressam moléculas que ativam os checkpoints imunes, desativando as células T.
  2. Bloqueio terapêutico: os anticorpos monoclonais impedem essa interação, por exemplo, entre PD-1 e PD-L1, e “reativam” a resposta imune.
  3. Ataque ao tumor: as células T voltam a se multiplicar e reconhecer o câncer, atacando diretamente as células doentes.
  4. Memória imunológica: em alguns casos, as células T permanecem ativas por longo tempo, reduzindo o risco de recidiva.


Essa reativação pode gerar
respostas prolongadas, inclusive em pacientes com doença metastática.


Indicações clínicas


Os inibidores de checkpoint imunológico já fazem parte do tratamento de diversos tipos de câncer, incluindo:


  • Melanoma e outros carcinomas de pele
  • Câncer de pulmão de células pequenas e não pequenas
  • Carcinoma de células renais
  • Câncer de cabeça e pescoço
  • Carcinoma urotelial
  • Cânceres do trato gastrointestinal (esôfago, estômago, fígado)


Esses medicamentos são especialmente utilizados em
casos avançados ou metastáticos e, muitas vezes, combinados a quimioterapia ou terapias-alvo. Entretanto, nem todos os pacientes respondem: as taxas de resposta variam entre 20% e 40% nos tumores sólidos.


Benefícios e impacto clínico


O uso dos inibidores de checkpoint imunológico representa uma das maiores transformações da oncologia moderna. Entre os principais benefícios, destacam-se:


  • Aumento da sobrevida global em cânceres avançados.
  • Respostas duradouras: alguns pacientes permanecem livres da progressão por anos - alguns até se curam.
  • Efeito agnóstico: os ICIs funcionam em múltiplos tipos de tumor, independentemente da origem.
  • Menor toxicidade citotóxica: diferentemente da quimioterapia, não atacam diretamente as células em divisão, mas modulam o sistema imune para agir com precisão.


Limitações e desafios


Apesar de sua eficácia, o tratamento com ICIs apresenta limitações, como:


Resistência primária ou adquirida, ou seja, alguns tumores
não respondem ou perdem a sensibilidade ao longo do tempo. Biomarcadores ainda imperfeitos, expressão de PD-L1, carga mutacional tumoral (tumor mutational burden) e instabilidade de microssatélites ainda não preveem a resposta com precisão.


Efeitos colaterais imunológicos,
reações autoimunes podem atingir o intestino (colite), pulmões (pneumonite), fígado (hepatite) e glândulas endócrinas. Além disso, os medicamentos continuam de alto valor e nem sempre estão disponíveis em todos os sistemas de saúde.


Por exemplo, a colite induzida por inibidores de checkpoint ocorre em até
9% dos pacientes tratados com anti-CTLA-4 e cerca de 1% com anti-PD-1, podendo causar complicações se não for tratada precocemente.


Aplicações futuras e tendências


O campo dos inibidores de checkpoint imunológico continua em expansão. Novas frentes de pesquisa incluem:


Combinações terapêuticas
com imunoterapia, terapia-alvo, quimioterapia e terapia celular, buscando ampliar as respostas.


Desenvolvimento de
novos alvos imunes, além de PD-1 e CTLA-4, para superar a resistência tumoral.


Personalização
do tratamento, integrando dados de biomarcadores, genética tumoral e inteligência artificial para prever respostas.


Monitoramento mais seguro, com
protocolos adaptativos para reduzir toxicidades e ajustar doses em tempo real.


Esses avanços reforçam o papel dos ICIs como pilares da medicina oncológica de precisão, apontando para um futuro em que o sistema imunológico será o principal aliado no controle do câncer.


Perguntas frequentes


  • O que são os inibidores de checkpoint imunológico?

    Os inibidores de checkpoint imunológico são medicamentos que bloqueiam proteínas usadas pelos tumores para inibir a ação do sistema imunológico. Assim, permitem que as células de defesa, especialmente os linfócitos T, voltem a reconhecer e atacar o câncer.


  • Como esses medicamentos agem no corpo?

    Eles impedem a ligação entre moléculas como PD-1, PD-L1 e CTLA-4, que funcionam como “freios” do sistema imune. Ao bloqueá-las, reativam a resposta imunológica e restauram a capacidade do organismo de eliminar células tumorais.


  • Quais são os principais tipos de inibidores de checkpoint imunológico?

    Os principais grupos são: inibidores de PD-1 (nivolumabe, pembrolizumabe), de PD-L1 (atezolizumabe, durvalumabe, avelumabe) e de CTLA-4 (ipilimumabe). Cada um atua em um ponto diferente da resposta imunológica.


  • Para quais tipos de câncer esses medicamentos são indicados?

    Eles são usados em tumores como melanoma, câncer de pulmão, rim, bexiga, cabeça e pescoço, e alguns tipos gastrointestinais e hepáticos. A indicação depende da presença de biomarcadores e do estágio da doença.


  • O tratamento com inibidores de checkpoint imunológico substitui a quimioterapia?

    Não necessariamente. Em alguns casos, é usado sozinho; em outros, pode ser combinado à quimioterapia, radioterapia ou terapias-alvo, aumentando a eficácia do tratamento.


  • Quais são os benefícios desse tipo de imunoterapia?

    Além de melhorar a sobrevida em diversos tipos de câncer avançado, esses medicamentos proporcionam respostas mais duradouras e, em alguns casos, menor toxicidade que a quimioterapia tradicional.


  • Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

    Como ativam o sistema imunológico, podem causar inflamações autoimunes, afetando órgãos como intestino (colite), pulmões (pneumonite), fígado (hepatite) e glândulas endócrinas. A maioria é controlável com monitoramento médico.


  • Por que nem todos os pacientes respondem ao tratamento?

    Alguns tumores têm mecanismos que impedem o reconhecimento pelas células T. A resposta também pode depender de fatores como carga mutacional, expressão de PD-L1 e composição do microambiente tumoral.


  • Como os médicos sabem se o paciente pode se beneficiar desses medicamentos?

    Testes laboratoriais avaliam biomarcadores específicos, como a presença de PD-L1 ou instabilidade de microssatélites (MSI-H). Esses exames ajudam a prever a chance de resposta e a definir a melhor conduta terapêutica.


  • O que acontece no corpo quando o “freio imunológico” é retirado?

    Ao remover a inibição dos checkpoints, o sistema imune fica mais ativo, o que aumenta o combate ao tumor, mas também o risco de inflamações em tecidos saudáveis, daí a importância do equilíbrio entre eficácia e segurança.


  • Por que a expressão de PD-L1 nem sempre garante resposta à imunoterapia?

    Embora a presença de PD-L1 aumente a chance de resposta, outros fatores, como mutações genéticas e características do microambiente tumoral, também influenciam a eficácia do tratamento.


  • Por que os efeitos colaterais podem surgir mesmo após o fim do tratamento?

    Como o sistema imune permanece ativado por algum tempo, reações autoimunes podem aparecer semanas ou meses depois da última dose, exigindo acompanhamento prolongado.


  • É possível prever quem terá efeitos colaterais graves?

    Ainda não há um marcador confiável, mas estudos genéticos e imunológicos buscam identificar perfis de risco para ajustar doses e prevenir complicações.


  • Esses medicamentos podem ser usados em crianças ou idosos?

    O uso pediátrico ainda é restrito a ensaios clínicos, mas em idosos, os ICIs têm se mostrado eficazes e bem tolerados, com ajustes conforme o estado clínico do paciente.




Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman


Os inibidores de checkpoint imunológico representam uma virada no tratamento do câncer, redefinindo a maneira como usamos o sistema imune para combater tumores. Eles oferecem respostas duradouras,
beneficiam pacientes com diferentes tipos de neoplasia e criam possibilidades antes inimagináveis na oncologia. Mas não são soluções perfeitas, ainda há muita investigação para individualizar tratamentos, evitar resistências e controlar efeitos adversos.


Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.


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Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual. Pacientes operados com alto risco de recidiva Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte. Efeitos colaterais O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança. Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve. Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. 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