Novas perspectivas da terapia celular CAR-T em tumores sólidos

A terapia celular CAR-T é uma das inovações mais promissoras da oncologia moderna. Inicialmente desenvolvida para tratar leucemias e linfomas, essa abordagem está agora sendo estudada com foco em tumores sólidos, um desafio que envolve novas estratégias e tecnologias.
Neste artigo, você vai entender o que é a terapia celular CAR-T, como ela funciona, quais são suas limitações nos tumores sólidos e quais avanços recentes estão transformando o futuro do tratamento oncológico.
Continue a leitura e entenda mais sobre esse tipo de terapia.
O que é a terapia celular CAR-T?
A terapia celular CAR-T (do inglês Chimeric Antigen Receptor T-cell) consiste em
modificar geneticamente os linfócitos T
do próprio paciente para que reconheçam e destruam células tumorais.
O processo envolve quatro etapas principais:
- Coleta dos linfócitos T por aférese;
- Modificação genética em laboratório, com inserção do gene que codifica o receptor quimérico (CAR);
- Expansão dessas células modificadas, formando um exército celular orientado ao tumor;
- Infusão dessas células de volta ao paciente, onde elas atuam como “terapia viva”, detectando e eliminando células cancerígenas específicas.
Essa estratégia transformou o tratamento de neoplasias hematológicas, como leucemia linfoblástica aguda e linfoma difuso de grandes células B, com taxas de remissão completas
superiores a 80% em alguns estudos.
Por que é difícil aplicar CAR-T em tumores sólidos?
Embora a terapia CAR-T tenha sido bem-sucedida em cânceres do sangue, sua aplicação em tumores sólidos enfrenta complicações específicas:
Microambiente tumoral hostil: barreiras físicas, hipóxia e fatores imunossupressores dificultam a infiltração das células CAR-T.
Heterogeneidade de antígenos:
nem todas as células tumorais expressam o mesmo marcador, complicando o alvo único.
Supressão imunológica local:
o tumor produz sinais que desativam as células T no seu entorno.
Risco de toxicidade nos tecidos saudáveis: alguns antígenos visados pelas CAR-T também podem estar presentes em células normais, oferecendo risco de efeitos colaterais graves.
Persistência limitada e evasão tumoral:
as células CAR-T muitas vezes não persistem por muito tempo, ou o tumor “escapa” por perda do antígeno alvo.
Esses desafios ajudam a explicar por que os resultados observados em tumores sólidos como pulmão, pâncreas e glioblastoma ainda são modestos.
Estratégias inovadoras para superar obstáculos
Para tornar a terapia celular CAR-T mais eficaz nos tumores sólidos, várias estratégias estão sendo exploradas:
CARs de nova geração
Desenvolvimento de receptores capazes de
reconhecer múltiplos antígenos simultaneamente (CARs duplos ou triplos).
Projetar CARs que só se ativem em
microambientes tumorais específicos, reduzindo toxicidade.
Introdução de
domínios coestimuladores (como CD28 ou 4-1BB) para melhorar ativação, expansão e persistência.
Combinação com
imunoterapia
Unir CAR-T a inibidores de checkpoint imunológico (anti-PD-1 ou anti-CTLA-4)
pode aumentar a durabilidade da resposta, ao neutralizar mecanismos que inibem as células T no ambiente tumoral.
Terapias gênicas complementares
Modificar as células CAR-T para que
secretem citocinas (como IL-12) ou moléculas que
recrutem outras células imunes
auxiliares ao local do tumor.
Administração regional ou localizada
Em vez de infusão sistêmica, em alguns ensaios as células CAR-T são entregues diretamente ao tumor (ex: cérebro, cavidade peritoneal), para
aumentar sua concentração na lesão e diminuir efeitos indesejados.
Tumores sólidos em investigação com CAR-T
Vários tipos de câncer sólido estão sendo avaliados em ensaios clínicos com terapia CAR-T:
- Câncer de pâncreas
Uso de CAR-T contra antígenos como mesotelina.
- Glioblastoma
Pacientes tratados com CAR-T direcionadas ao antígeno EGFRvIII mostram alívio em alguns casos.
- Câncer de pulmão
Estudos com CAR-T contra alvos como MUC1 e HER2.
Investigações com CAR-T para antígenos como Trop-2 e c-Met.
Estima-se que mais de 600 ensaios clínicos estejam avaliando CAR-T em tumores sólidos pelo mundo (dados de
ClinicalTrials, 2024). Além disso, aproximadamente 14,8% desses ensaios se concentram em tumores do pâncreas e fígado, e 12,8% em esôfago e cólon.
Segurança e efeitos colaterais
A terapia CAR-T pode ocasionar efeitos adversos, alguns graves:
Síndrome de liberação de citocinas (CRS):
reação inflamatória intensa, que pode ser gerida com tocilizumabe e corticoides.
Neurotoxicidade: pode provocar confusão, convulsões ou alterações neurológicas,
geralmente reversíveis
Inflamação local: resposta
temporária
nos tecidos próximos ao tumor.
O manejo cuidadoso em ambiente hospitalar especializado é essencial para garantir a segurança do paciente.
Perspectivas futuras
O caminho para a terapia celular CAR-T em tumores sólidos é promissor. Alguns dos avanços esperados:
- Plataformas CAR-T alogênicas (de doador): poderão reduzir os custos e ampliar o acesso.
- Integração com inteligência artificial e modelagem matemática: para prever melhor respostas e otimizar projetos de CARs.
- Novas estratégias de engenharia celular: células capazes de sobreviver ao microambiente tumoral e adaptar-se dinamicamente.
Além disso, alguns resultados recentes em glioblastoma com CAR-T que visam múltiplos alvos demonstraram regressão tumoral em 62% dos pacientes tratados experimentalmente.
Perguntas frequentes
O que é a terapia celular avançada CAR-T?
É uma forma de imunoterapia de alta precisão que utiliza engenharia genética para potencializar o sistema imunológico. As células CAR-T identificam antígenos específicos na superfície do tumor e os atacam seletivamente, reduzindo danos às células saudáveis.
Como funciona a terapia celular CAR-T?
A terapia celular CAR-T modifica geneticamente linfócitos T do paciente para que reconheçam e ataquem células cancerígenas. Após serem coletadas, essas células são reprogramadas em laboratório, multiplicadas e reinfundidas, agindo como uma “terapia viva” que destrói o tumor de forma específica.
Por que a terapia CAR-T é mais difícil em tumores sólidos?
Os tumores sólidos possuem barreiras físicas e químicas que dificultam o acesso das células CAR-T. Além disso, há grande variação nos antígenos tumorais e um microambiente imunossupressor que limita a ação das células T.
Quais são os tipos de câncer sólido em estudo com CAR-T?
Os principais tipos incluem câncer de pâncreas, pulmão, mama triplo negativo, glioblastoma e câncer de ovário. Ensaios clínicos estão sendo realizados em centros de pesquisa em diversos países para avaliar a eficácia dessa terapia.
Quais estratégias estão sendo desenvolvidas para melhorar a eficácia da CAR-T em tumores sólidos?
Entre as principais estão: CARs de nova geração, combinação com imunoterápicos (anti-PD-1), infusão local das células no tumor e uso de engenharia genética para aumentar a resistência das células ao microambiente tumoral.
A terapia CAR-T pode ser combinada com outros tratamentos?
Sim. Pesquisas mostram que associar CAR-T a imunoterapia ou radioterapia pode potencializar os resultados, prolongar a resposta e superar resistências do tumor.
As células CAR-T permanecem no corpo após o tratamento?
Sim. Elas podem persistir por meses ou até anos, funcionando como uma “memória imunológica” que continua a monitorar o organismo e atacar possíveis recidivas.
Como a terapia CAR-T é diferente da quimioterapia tradicional?
Enquanto a quimioterapia atua de forma sistêmica, destruindo células que se dividem rapidamente (inclusive as saudáveis), a CAR-T é personalizada e atua de forma direcionada, reconhecendo marcadores específicos das células tumorais.
A terapia com células CAR-T é um avanço na imuno-oncologia?
Sim. Ela representa uma das maiores inovações da medicina moderna, oferecendo respostas duradouras em casos de cânceres hematológicos e, cada vez mais, sendo estudada para tumores sólidos.
Quais os efeitos colaterais do CAR-T cell?
Os principais efeitos adversos incluem síndrome de liberação de citocinas (febre e inflamação intensa) e neurotoxicidade reversível. Esses efeitos são controláveis quando o tratamento é realizado em centros especializados.
O tratamento com CAR-T já está disponível no Brasil?
Atualmente, a terapia está aprovada para alguns cânceres hematológicos, como leucemias e linfomas. Em tumores sólidos, o uso ainda é experimental e restrito a ensaios clínicos autorizados pela Anvisa.
Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman
A terapia celular CAR-T representa um marco na oncologia moderna, uma forma de transformar o sistema imunológico em uma ferramenta altamente precisa contra o câncer. Embora os desafios sejam maiores nos tumores sólidos, os avanços científicos e clínicos indicam um
caminho de progresso contínuo.
Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.
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