Terapia-alvo ou quimioterapia: Qual a diferença?

Gustavo Schvartsman • 5 de novembro de 2025

Nos últimos anos, o avanço da oncologia trouxe novas abordagens terapêuticas que vão além da quimioterapia tradicional. Entre elas, a terapia-alvo ganhou destaque por oferecer um tratamento mais específico e, em alguns casos, com menos efeitos colaterais. No entanto, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre quando é indicado cada tratamento e qual deles pode trazer melhores resultados.


Neste artigo, você vai entender:
terapia alvo ou quimioterapia? Quais seus mecanismos de ação, benefícios e limitações, além de como essas estratégias podem se complementar.


O que é a quimioterapia?


A quimioterapia é um tratamento sistêmico que
utiliza medicamentos específicos para destruir células que se dividem rapidamente, uma característica típica das células cancerígenas.


Principais características da quimioterapia:


Dentre as suas principais características estão:


  • Atua em diferentes fases do ciclo celular
  • Pode ser indicada antes da cirurgia (neoadjuvante), após a cirurgia (adjuvante) ou em casos metastáticos
  • Afeta também células saudáveis de rápida multiplicação, como as da medula óssea, do cabelo e da mucosa
  • Costuma ser administrada por via endovenosa ou oral


Efeitos colaterais mais comuns


Entre os efeitos frequentemente observados estão queda de cabelo, náuseas, vômitos, fadiga, imunossupressão e alterações sanguíneas, como anemia e baixa de plaquetas.

Mesmo com essas limitações, a quimioterapia continua sendo essencial em muitos tipos de câncer, tanto com finalidade curativa quanto paliativa.


Leia também sobre:

Desmistificando os efeitos colaterais da quimioterapia


O que é a terapia-alvo?


A
terapia-alvo representa um avanço em relação à quimioterapia, pois age de forma mais seletiva. Seu objetivo é bloquear mecanismos moleculares específicos que favorecem o crescimento e a sobrevivência das células tumorais.


Como a terapia-alvo funciona


  • Bloqueia proteínas e receptores-chave (HER2, EGFR, VEGF)
  • Interfere na angiogênese, impedindo a formação de novos vasos sanguíneos que nutrem o tumor
  • Atua diretamente em mutações presentes no DNA tumoral


Exemplos de medicamentos:


  • Trastuzumabe para câncer de mama HER2 positivo
  • Alectinibe ou lorlatinibe para câncer de pulmão com fusão de ALK
  • Osimertinibe para câncer de pulmão com mutações em EGFR
  • Bevacizumabe para tumores que dependem de angiogênese
  • Encorafenibe ou dabrafenibe para melanomas e outros tumores com mutação de BRAF


Terapia alvo ou quimioterapia: Principais diferenças


Aspecto Quimioterapia Terapia-alvo
Mecanismo Afeta todas as células que se dividem rapidamente Bloqueia mutações ou proteínas específicas do tumor
Especificidade Menos seletiva Mais direcionada
Efeitos colaterais Mais intensos e frequentes Variam, mas geralmente menos debilitantes
Indicação Amplo espectro de tumores Depende de mutações e biomarcadores
Acesso Disponível no SUS e planos de saúde em larga escala Nem sempre incorporada, custo mais elevado


Em quais casos a quimioterapia é mais indicada?


A quimioterapia segue como tratamento padrão em várias situações, especialmente quando:


  • O tumor não apresenta mutações específicas que possam ser alvo de terapias modernas
  • Existe a necessidade de um tratamento sistêmico rápido
  • O objetivo é reduzir o tumor antes de cirurgia ou radioterapia
  • O paciente apresenta câncer metastático sem biomarcadores conhecidos


Quando a terapia-alvo é preferida?


A indicação da terapia-alvo depende da presença de
alterações genéticas ou moleculares identificadas em exames específicos.


Situações comuns de uso:


  • Câncer de mama HER2 positivo
  • Câncer de pulmão com mutações em EGFR ou ALK
  • Leucemias e linfomas determinados
  • Tumores de pele ou colorretais com alterações em BRAF


Segundo o National Cancer Institute (NCI), em alguns cenários a taxa de resposta chega a
60% com a terapia-alvo, contra 20% a 30% com quimioterapia convencional.


Vantagens e limitações de cada abordagem


Quimioterapia


Vantagens:
ampla aplicabilidade, consolidada e acessível pelo SUS.


Limitações:
menos seletiva, efeitos colaterais mais intensos.


Terapia-alvo


Vantagens:
tratamento personalizado, eficácia elevada em tumores com mutações conhecidas, menor toxicidade.


Limitações:
custo elevado, necessidade de testes moleculares, nem todos os pacientes apresentam mutações alvo.


A combinação de terapias: Quando unir forças


Em muitos casos, não se trata de escolher entre terapia alvo ou quimioterapia, mas de
combiná-las. Estratégias integradas podem:


  • Reduzir a resistência tumoral
  • Ampliar taxas de resposta
  • Prolongar a sobrevida geral


Um exemplo é o tratamento do câncer de pulmão, em que a quimioterapia pode ser associada à terapia-alvo ou à
imunoterapia para melhores resultados.

Hoje, ainda, existem os ADCs - anticorpos conjugados a droga. São justamente a fusão de um anticorpo que se liga a um alvo específico a uma molécula de quimioterapia. Essa quimioterapia passa a ser entregue preferencialmente na célula tumoral que expressa o alvo que o anticorpo se liga, simulando um mecanismo de cavalo de Tróia.


Exemplos de ADCs:


  • Trastuzumabe-deruxtecan para tumores com expressão ou mutação de HER2
  • Enfortumabe-vedotin para tumroes de bexiga
  • Sacituzumabe-govitecan para tumores de mama


O futuro da oncologia personalizada


O avanço dos testes genéticos e moleculares está ampliando o acesso à terapia-alvo. Estudos já demonstram que, em determinados tumores, a escolha personalizada pode até dobrar as chances de resposta em relação à quimioterapia tradicional.


O cenário aponta para uma
integração cada vez maior entre quimioterapia, terapia-alvo e imunoterapia, resultando em planos terapêuticos individualizados, mais eficazes e com maior qualidade de vida para os pacientes.


Perguntas frequentes


  • Qual a diferença entre quimioterapia e terapia-alvo?

    A quimioterapia atua destruindo células que se dividem rapidamente, atingindo tanto as cancerígenas quanto as saudáveis, o que gera efeitos colaterais mais intensos. Já a terapia-alvo foca em alterações moleculares específicas do tumor, bloqueando mecanismos que favorecem o crescimento e a sobrevivência das células malignas.


  • Quais são os principais efeitos colaterais da quimioterapia em comparação com a terapia-alvo?

    A quimioterapia costuma causar queda de cabelo, náuseas, fadiga e imunossupressão. Já a terapia-alvo, por ser mais seletiva, pode provocar alterações de pele, pressão alta e diarreia, mas tende a ser menos tóxica.


  • A terapia-alvo é mais eficaz que a quimioterapia?

    Depende do caso. Em tumores com mutações específicas, a terapia-alvo pode alcançar respostas superiores à quimioterapia. No entanto, quando não há mutações-alvo, a quimioterapia continua sendo a principal escolha.


  • Quando a terapia-alvo é indicada?

    A terapia-alvo é indicada quando exames moleculares identificam mutações ou proteínas específicas no tumor, como HER2, EGFR, ALK ou VEGF. Ela é mais comum em cânceres como de mama, pulmão, colorretal e algumas leucemias, sempre após avaliação individualizada do oncologista.


  • Os dois tratamentos podem ser combinados?

    Sim. Em muitos protocolos modernos, quimioterapia e terapia-alvo são usados em conjunto, aumentando a eficácia, reduzindo resistência tumoral e prolongando a sobrevida dos pacientes.


  • A terapia-alvo substituiu a quimioterapia?

    Não. A terapia-alvo complementa, mas não substitui a quimioterapia. Cada abordagem tem indicações específicas e ambas continuam fundamentais no tratamento do câncer.


  • É possível que um paciente que começa com quimioterapia mude para terapia-alvo depois?

    Sim. Isso pode acontecer quando exames genéticos revelam mutações que tornam o tumor sensível a medicamentos-alvo.


  • Exames de sangue simples conseguem indicar se o paciente pode fazer terapia-alvo?

    Não. Geralmente são necessários exames moleculares específicos do tumor, como sequenciamento genético ou biópsia líquida.


  • A terapia-alvo causa queda de cabelo como a quimioterapia?

    Na maioria dos casos, não. Os efeitos colaterais são diferentes e menos impactantes nesse aspecto, embora possam incluir alterações de pele e pressão arterial.


Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman


Entender a diferença entre terapia alvo ou quimioterapia é essencial para pacientes e familiares que enfrentam o câncer. Enquanto a quimioterapia continua sendo um recurso fundamental, a terapia-alvo representa um grande avanço ao oferecer tratamentos mais seletivos e personalizados. O caminho ideal depende do
tipo de câncer, do estágio da doença e da presença de biomarcadores específicos.



Você já conversou com seu médico sobre os exames moleculares que podem indicar uma terapia personalizada para o seu caso?

Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.


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Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão? O Osimertinibe beneficia principalmente pacientes com carcinoma de pulmão de não pequenas células que apresentam mutações específicas no gene EGFR, como deleção no éxon 19, L858R e T790M. Esses pacientes respondem melhor porque o tumor depende diretamente dessa via molecular. Introdução O uso do Osimertinibe no câncer de pulmão transformou o tratamento de pacientes com tumores que apresentam mutações específicas no gene EGFR. Esse medicamento marcou uma mudança importante na oncologia ao oferecer maior eficácia, melhor tolerabilidade e capacidade de atuar inclusive em metástases cerebrais. Hoje, ele é considerado o tratamento padrão em várias situações, desde diagnóstico inicial até doença avançada. Este artigo explica quem pode se beneficiar dessa medicação, como ela age, quando é indicada e por que o teste genético é indispensável para orientar a terapia. Continue a leitura para entender como esse avanço pode impactar o tratamento. O que é o Osimertinibe e como ele funciona? O Osimertinibe é um inibidor de tirosina-quinase (TKI) de terceira geração usado no tratamento de tumores pulmonares que apresentam mutações específicas no gene EGFR. Ele foi desenvolvido para bloquear sinalizações que mantêm o crescimento celular descontrolado em muitos casos de carcinoma de pulmão de não pequenas células. Por atuar de forma precisa, tornou-se um dos pilares do tratamento moderno para pacientes com mutações sensíveis e resistentes no EGFR. Mecanismo de ação O medicamento atua de forma seletiva sobre mutações EGFR importantes, como: L858R Deleções no éxon 19 Mutação de resistência T790M Outro aspecto relevante é sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica , permitindo controle eficaz de lesões cerebrais. Por que isso importa Ao bloquear a via EGFR, o Osimertinibe interrompe sinais que estimulam a proliferação tumoral. Como resultado, reduz o crescimento do tumor e prolonga a sobrevida . Evidências mostram benefício consistente até mesmo em pessoas previamente tratadas com outros TKIs, reforçando seu papel como terapia de alto impacto. Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão Pacientes com mutações EGFR sensibilizantes O grupo mais beneficiado inclui pessoas com: Deleções no éxon 19 L858R no éxon 21 Algumas outras alterações mais raras no EGFR Pacientes com mutação T790M A mutação T790M aparece como forma de resistência em aproximadamente 50 a 60 por cento dos pacientes tratados com TKIs de gerações anteriores. O Osimertinibe foi o primeiro TKI a demonstrar eficácia comprovada contra essa alteração, com impacto direto no controle da doença. Pacientes com metástases cerebrais Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para: Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas Prevenir o surgimento de novas lesões Reduzir sintomas neurológicos Postergar radioterapia Dados publicados no New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana. Pacientes recém diagnosticados com doença avançada No estudo FLAURA , considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual. Pacientes operados com alto risco de recidiva Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte. Efeitos colaterais O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança. Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve. Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. O monitoramento com o oncologista reduz riscos e permite ajustes adequados do tratamento quando necessário. Como é feito o diagnóstico das mutações EGFR Para indicar o Osimertinibe corretamente, é essencial identificar as mutações por meio de: Sequenciamento de nova geração (NGS) PCR em tempo real Biópsia líquida (quando o tumor libera DNA no sangue) Esses métodos estão amplamente disponíveis e ajudam a escolher a melhor abordagem terapêutica. Atenção! O NGS é sempre preferível para buscar co-mutações associadas ao EGFR que podem afetar prognóstico e auxiliar na decisão de tratamento, uma vez que hoje há mais de uma opção. Esse método sequencia centenas de genes ao mesmo tempo. Por que isso é decisivo Sem o teste molecular, não é possível confirmar se o tumor depende da via EGFR. Sem essa informação, o tratamento pode não trazer o benefício esperado. Osimertinibe como parte de um tratamento personalizado O plano terapêutico é individualizado e leva em conta o tipo e localização do tumor, o estágio da doença, a existência de metástases e as condições clínicas do paciente. Muitas vezes, o Osimertinibe integra um programa terapêutico que pode incluir: Imunoterapia Quimioterapia Radioterapia Cuidados de suporte Essa integração promove melhor controle, diminui sintomas e contribui para avanços importantes na qualidade de vida. Perguntas frequentes
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