Inteligência artificial no diagnóstico e tratamento do câncer

Gustavo Schvartsman • 29 de outubro de 2025

A atualidade está vivendo uma verdadeira revolução com o uso da inteligência artificial, e na medicina oncológica isso não é diferente. Ferramentas baseadas em algoritmos de aprendizado de máquina já ajudam médicos a identificar padrões invisíveis ao olho humano, prever respostas a tratamentos e até sugerir terapias mais adequadas para cada paciente.


Entender como a inteligência artificial está sendo aplicada ao câncer é essencial para compreender os rumos da oncologia moderna. Neste artigo, você vai conhecer como essa tecnologia funciona, quais são seus principais benefícios e desafios, além do que esperar para o futuro.
Continue a leitura para aprender mais sobre o assunto.


O que é inteligência artificial aplicada à oncologia?


A inteligência artificial (IA) reúne técnicas capazes de
analisar grandes volumes de dados e aprender com eles. Na oncologia, esse recurso é utilizado para apoiar diferentes etapas do cuidado ao paciente, desde o diagnóstico até o acompanhamento terapêutico. Com algoritmos treinados em milhares de informações clínicas, a IA pode:


  • Reconhecer padrões em exames de imagem, como mamografias, tomografias e PET-CT.
  • Mapear mutações genéticas associadas a determinados tumores.
  • Avaliar históricos clínicos de milhares de pacientes para prever evolução e resposta ao tratamento.
  • Apoiar médicos na tomada de decisão com base em evidências científicas atualizadas.


Assista:



Diagnóstico mais rápido e preciso


Um dos maiores avanços proporcionados pela inteligência artificial no câncer está no
diagnóstico precoce. Estudos mostram que ferramentas de IA podem alcançar níveis de precisão semelhantes, e em alguns casos até superiores, aos de especialistas em determinadas análises.


Exemplos de aplicação prática:


Mamografia:
algoritmos treinados com milhões de imagens ajudam a identificar lesões suspeitas em fases iniciais.


Patologia digital:
softwares interpretam lâminas de biópsia, destacando alterações celulares com agilidade.


Exames de imagem avançados:
a integração da IA ao PET-CT e à ressonância magnética permite detectar metástases de tamanhos menores.


De acordo com a American Cancer Society, identificar o câncer em
fases iniciais pode elevar as chances de cura em até 90% em determinados tipos de tumor, o que reforça o papel estratégico da tecnologia.


Medicina personalizada e terapias direcionadas


A IA também é protagonista na chamada medicina de precisão. Ao
cruzar dados clínicos, genômicos e terapêuticos, ela ajuda a prever quais tratamentos terão maior impacto para cada paciente.


Entre suas aplicações, destacam-se:


  • Seleção de terapias-alvo com base em mutações genéticas específicas.
  • Identificação de pacientes que podem se beneficiar de imunoterapia, por meio da análise de biomarcadores como o PD-L1.
  • Sugestão de combinações de medicamentos mais promissoras, apoiada em estudos científicos prévios.


Essa capacidade de personalizar condutas representa um avanço importante frente às terapias tradicionais, que nem sempre são igualmente eficazes para todos.


Inteligência artificial no acompanhamento do tratamento


A escolha do tratamento ideal é apenas o primeiro passo. A IA também desempenha papel decisivo no
monitoramento da resposta terapêutica, permitindo ajustes precoces.


Exames de imagem comparativos:
algoritmos avaliam exames sequenciais, detectando pequenas alterações no tumor.


Marcadores sanguíneos digitais:
variações mínimas em parâmetros laboratoriais podem indicar resposta ou resistência.


Essa abordagem possibilita
maior precisão e evita que pacientes permaneçam em terapias pouco eficazes por longos períodos.


Qualidade de vida e redução de efeitos colaterais


A IA não se limita ao controle da doença, ela também contribui para melhorar a qualidade de vida. Isso ocorre através de:


Modelagem preditiva de toxicidade
, que indica quais medicamentos têm maior probabilidade de gerar efeitos adversos graves.


Ajuste individual de doses
, equilibrando segurança e eficácia.


Ferramentas digitais de suporte, como assistentes virtuais que auxiliam no
uso correto de medicamentos.


Desafios da inteligência artificial no câncer


Apesar dos benefícios, existem barreiras que ainda precisam ser superadas:


  • Qualidade dos dados: a eficácia depende de bancos de dados robustos e bem estruturados.
  • Desigualdade de acesso: hospitais de referência já utilizam a IA, mas muitos centros ainda carecem de tecnologia.
  • Questões éticas: o uso de informações genéticas exige protocolos rigorosos de proteção de dados.
  • Validação científica: nem todos os algoritmos têm eficácia comprovada em estudos multicêntricos.


Casos de sucesso no mundo


Google Health

Desenvolveu algoritmos capazes de detectar câncer de mama em mamografias com resultados superiores aos de radiologistas em alguns cenários.


IBM Watson for Oncology

Utilizado em hospitais internacionais para sugerir condutas terapêuticas baseadas em evidências científicas.


Hospital Israelita Albert Einstein

Referência nacional na aplicação da IA para análise de exames e apoio à decisão médica no Brasil.


O futuro da inteligência artificial no câncer


As perspectivas para os próximos anos indicam uma integração ainda maior dessa tecnologia na prática clínica. Entre os caminhos mais promissores estão:


  1. Rastreamento populacional com IA, identificando precocemente grupos de risco.
  2. Tratamentos altamente personalizados, guiados pelo perfil genômico e clínico de cada paciente.
  3. Integração com dispositivos vestíveis (wearables), que fornecem dados em tempo real sobre sinais vitais e complicações.


Segundo a World Health Organization (WHO), a IA pode desempenhar um papel decisivo na redução da mortalidade oncológica global, ao ampliar o acesso a diagnósticos precoces e terapias eficazes.


Perguntas frequentes


  • Como a IA está sendo usada para combater doenças como o câncer?

    A inteligência artificial auxilia na análise de exames de imagem, na identificação de mutações genéticas e no monitoramento da resposta aos tratamentos. Ela também apoia médicos na escolha de terapias personalizadas, tornando o cuidado mais preciso e eficiente.

  • Como a inteligência artificial está sendo utilizada no diagnóstico precoce do câncer?

    No diagnóstico precoce, a IA detecta padrões sutis em exames como mamografias, tomografias e PET-CT, muitas vezes antes de alterações visíveis surgirem. Isso aumenta a chance de identificar tumores em estágios iniciais, quando o tratamento costuma ser mais eficaz.


  • A inteligência artificial pode substituir o médico no diagnóstico?

    Não. A IA é uma ferramenta de apoio. Ela oferece análises mais rápidas e detalhadas, mas a interpretação final e a decisão terapêutica continuam sendo responsabilidade do médico.


  • Quais tipos de câncer já utilizam inteligência artificial?

    A IA já é aplicada em câncer de mama, pulmão, próstata, colorretal, melanoma e em tumores hematológicos, além de estar em expansão para outros tipos por meio de pesquisas clínicas.

  • A inteligência artificial melhora a chance de cura do câncer?

    Indiretamente, sim. Ela facilita o diagnóstico precoce e a escolha de terapias mais eficazes, o que pode aumentar significativamente as taxas de sucesso no tratamento.


  • A inteligência artificial pode prever a evolução do câncer?

    Sim. Algoritmos conseguem analisar o comportamento tumoral e estimar o risco de progressão, recidiva ou resposta ao tratamento, auxiliando no planejamento terapêutico.


  • A inteligência artificial consegue detectar cânceres que ainda não são visíveis em exames de imagem tradicionais?

    Sim. Em alguns casos, algoritmos de IA identificam alterações sutis em tecidos ou padrões metabólicos que passam despercebidos por métodos convencionais, antecipando diagnósticos.


  • A inteligência artificial pode ajudar a prever se um paciente terá efeitos colaterais graves durante o tratamento?

    Sim. Modelos preditivos podem estimar a probabilidade de toxicidade a partir do histórico clínico e genético do paciente, ajudando a ajustar doses e escolhas terapêuticas.


  • A inteligência artificial consegue indicar quando mudar de tratamento antes de o tumor crescer novamente?

    Sim. Ao monitorar dados em tempo real (imagens, exames laboratoriais e até relatos do paciente), a IA pode sugerir trocas precoces de estratégia terapêutica.



Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman


A inteligência artificial no câncer já deixou de ser uma promessa futura e se tornou uma realidade presente. Ela
amplia as possibilidades de diagnóstico precoce, permite tratamentos personalizados e oferece novas formas de monitorar pacientes. No entanto, é preciso superar desafios relacionados a acesso, ética e validação científica.


O futuro da oncologia aponta para uma integração cada vez maior entre humanos e máquinas, em que a tecnologia apoia a experiência médica sem substituí-la.



Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.


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Continue a leitura para entender como esse avanço pode impactar o tratamento. O que é o Osimertinibe e como ele funciona? O Osimertinibe é um inibidor de tirosina-quinase (TKI) de terceira geração usado no tratamento de tumores pulmonares que apresentam mutações específicas no gene EGFR. Ele foi desenvolvido para bloquear sinalizações que mantêm o crescimento celular descontrolado em muitos casos de carcinoma de pulmão de não pequenas células. Por atuar de forma precisa, tornou-se um dos pilares do tratamento moderno para pacientes com mutações sensíveis e resistentes no EGFR. Mecanismo de ação O medicamento atua de forma seletiva sobre mutações EGFR importantes, como: L858R Deleções no éxon 19 Mutação de resistência T790M Outro aspecto relevante é sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica , permitindo controle eficaz de lesões cerebrais. Por que isso importa Ao bloquear a via EGFR, o Osimertinibe interrompe sinais que estimulam a proliferação tumoral. Como resultado, reduz o crescimento do tumor e prolonga a sobrevida . Evidências mostram benefício consistente até mesmo em pessoas previamente tratadas com outros TKIs, reforçando seu papel como terapia de alto impacto. Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão Pacientes com mutações EGFR sensibilizantes O grupo mais beneficiado inclui pessoas com: Deleções no éxon 19 L858R no éxon 21 Algumas outras alterações mais raras no EGFR Pacientes com mutação T790M A mutação T790M aparece como forma de resistência em aproximadamente 50 a 60 por cento dos pacientes tratados com TKIs de gerações anteriores. O Osimertinibe foi o primeiro TKI a demonstrar eficácia comprovada contra essa alteração, com impacto direto no controle da doença. Pacientes com metástases cerebrais Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para: Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas Prevenir o surgimento de novas lesões Reduzir sintomas neurológicos Postergar radioterapia Dados publicados no New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana. Pacientes recém diagnosticados com doença avançada No estudo FLAURA , considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual. Pacientes operados com alto risco de recidiva Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte. Efeitos colaterais O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança. Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve. Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. O monitoramento com o oncologista reduz riscos e permite ajustes adequados do tratamento quando necessário. Como é feito o diagnóstico das mutações EGFR Para indicar o Osimertinibe corretamente, é essencial identificar as mutações por meio de: Sequenciamento de nova geração (NGS) PCR em tempo real Biópsia líquida (quando o tumor libera DNA no sangue) Esses métodos estão amplamente disponíveis e ajudam a escolher a melhor abordagem terapêutica. Atenção! O NGS é sempre preferível para buscar co-mutações associadas ao EGFR que podem afetar prognóstico e auxiliar na decisão de tratamento, uma vez que hoje há mais de uma opção. Esse método sequencia centenas de genes ao mesmo tempo. Por que isso é decisivo Sem o teste molecular, não é possível confirmar se o tumor depende da via EGFR. Sem essa informação, o tratamento pode não trazer o benefício esperado. Osimertinibe como parte de um tratamento personalizado O plano terapêutico é individualizado e leva em conta o tipo e localização do tumor, o estágio da doença, a existência de metástases e as condições clínicas do paciente. Muitas vezes, o Osimertinibe integra um programa terapêutico que pode incluir: Imunoterapia Quimioterapia Radioterapia Cuidados de suporte Essa integração promove melhor controle, diminui sintomas e contribui para avanços importantes na qualidade de vida. Perguntas frequentes
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