O que é estadiamento do câncer e por que é importante?

Gustavo Schvartsman • 12 de novembro de 2025

Quando uma pessoa recebe o diagnóstico de câncer, uma das primeiras etapas é determinar em que fase a doença se encontra. Essa avaliação é chamada de estadiamento e fornece informações cruciais para guiar o tratamento e prever a evolução do quadro. Mas afinal, o que é estadiamento do câncer e por que ele tem tanto impacto nas decisões médicas?


Neste artigo, entenda o conceito, os métodos utilizados e a relevância para o tratamento e a qualidade de vida dos pacientes.
Continue a leitura.


O que é estadiamento do câncer?


O estadiamento do câncer é o processo que
determina até onde a doença se espalhou no organismo. Ele avalia o tamanho do tumor, se invadiu tecidos próximos e se existem metástases em linfonodos ou órgãos distantes.


Esse passo é essencial porque orienta médicos a:


  • Escolher o tratamento mais adequado para cada paciente.
  • Estimar o prognóstico com maior precisão.
  • Comparar resultados entre pesquisas e protocolos clínicos.


De forma simples, o estadiamento mostra
em que fase o câncer está no momento do diagnóstico. 

Essa etapa é das mais importantes, e fazê-la de forma inadequada pode levar a decisões ruins sobre a melhor forma de tratar. Por exemplo, começar com uma cirurgia quando o maior risco da doença ter disseminado com metástases pode atrasar de forma significativa um tratamento medicamentoso que deveria ser iniciado antes da cirurgia.


Assista ao vídeo: Em que fase do câncer o oncologista deve participar?


Como é feito o estadiamento?


O estadiamento pode exigir diferentes exames, de acordo com o tipo de câncer. Entre os mais utilizados estão:


Exames de imagem:
tomografia computadorizada, ressonância magnética, PET-CT e ultrassonografia.

Exames laboratoriais: como marcadores tumorais no sangue.

Biópsias: análise de fragmentos do tumor para definir o tipo celular e seu grau de agressividade.

Cirurgias diagnósticas: realizadas em casos específicos para avaliar órgãos ou linfonodos.


A combinação desses recursos oferece uma
visão mais detalhada da doença, permitindo sua classificação em estágios.


Sistema TNM


O sistema TNM, desenvolvido pela AJCC (American Joint Committee on Cancer) e pela UICC (União Internacional Contra o Câncer), é o padrão mais usado no mundo. Ele considera três aspectos principais:


T (Tumor):
tamanho e extensão do tumor primário.

N (Linfonodos): presença de células tumorais em linfonodos próximos.

M (Metástase): disseminação para órgãos distantes.


A combinação desses fatores
define o estágio clínico, que varia de I a IV.


Estágios do câncer


De modo geral, os estágios são divididos em:


Estágio I:
tumor pequeno, restrito ao local de origem.

Estágio II: tumor maior ou que já atingiu tecidos próximos, mas sem ampla disseminação.

Estágio III: presença de linfonodos comprometidos ou invasão local mais extensa.

Estágio IV: metástases em órgãos distantes.


Cada estágio corresponde a um cenário clínico diferente, que influencia diretamente a estratégia de tratamento.


Estadiamento clínico e patológico


Existem duas formas principais de definir o estadiamento:



  • Clínico (cTNM)

Baseado em exames de imagem, biópsias e avaliação médica antes de qualquer cirurgia.


  • Patológico (pTNM)

Definido após cirurgia, com análise detalhada do tumor e dos linfonodos retirados.


O patológico costuma ser mais preciso, mas o clínico é essencial para planejar os primeiros passos do tratamento.


Por que o estadiamento é tão importante?


Compreender o que é estadiamento do câncer é reconhecer que
ele é o guia de toda a jornada do paciente. A partir dele, a equipe médica pode:


  • Decidir se a cirurgia é viável ou se outros tratamentos devem vir antes.
  • Determinar a necessidade de quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo.
  • Estimar o prognóstico e as chances de cura ou controle da doença.
  • Acompanhar a evolução ao longo do tempo, ajustando a conduta sempre que necessário.


Relação entre estadiamento e prognóstico


O estadiamento está
diretamente ligado às chances de sobrevida. De acordo com o National Cancer Institute (NCI), pacientes diagnosticados nos estágios iniciais (I e II) apresentam taxas de cura significativamente mais altas do que aqueles em estágios avançados (III e IV).


Esse dado reforça a importância do diagnóstico precoce e do seguimento médico contínuo.


Exames mais utilizados


Alguns exames são mais comuns no dia a dia da oncologia são:


PET-CT:
identifica atividade metabólica tumoral e metástases ocultas.
Tomografia computadorizada:
avalia tamanho e extensão da doença.
Ressonância magnética:
detalha tecidos moles como cérebro e fígado.
Ultrassonografia:
útil em tumores de mama, tireoide, fígado e ginecológicos.


A escolha depende do tipo de câncer e das necessidades clínicas de cada paciente.


Limitações do estadiamento


Embora seja uma ferramenta indispensável, o estadiamento tem algumas limitações:


  1. Pode não detectar micrometástases que ainda não aparecem nos exames de imagem. Exames como biópsia líquida estão endereçando essa lacuna.
  2. Pode haver diferenças de interpretação entre especialistas.
  3. O tumor pode evoluir ao longo do tempo, exigindo reavaliações.


Apesar disso, continua sendo o melhor recurso disponível para guiar decisões terapêuticas.


Perguntas frequentes


  • O que é o estadiamento de um câncer?

    O estadiamento do câncer é o processo que determina a extensão da doença no corpo, avaliando o tamanho do tumor, linfonodos comprometidos e presença de metástases.


  • Quem faz o estadiamento do câncer?

    O estadiamento é realizado pela equipe médica, geralmente oncologistas, com apoio de exames de imagem, biópsias, análises laboratoriais e, em alguns casos, cirurgias diagnósticas.


  • Qual é o objetivo do estadiamento?

    O estadiamento orienta a escolha do tratamento, ajuda a prever o prognóstico e permite comparar resultados entre pacientes e estudos clínicos de forma padronizada.


  • Por que o estadiamento do câncer é importante?

    Ele orienta a escolha do tratamento mais adequado, ajuda a prever o prognóstico e permite comparar resultados de pesquisas e ensaios clínicos.


  • O que significa sistema TNM?

    O sistema TNM classifica o câncer com base em três critérios: T (tamanho do tumor), N (linfonodos comprometidos) e M (metástases à distância).


  • Qual a diferença entre estadiamento clínico e patológico?

    O clínico é definido antes da cirurgia, com base em exames de imagem e biópsias, enquanto o patológico é feito após a cirurgia, analisando o tumor e linfonodos removidos.


  • O estadiamento influencia nas chances de cura?

    Sim. Pacientes diagnosticados em estágios iniciais (I e II) apresentam maiores taxas de cura em comparação com estágios avançados (III e IV).


  • Quais exames são usados no estadiamento do câncer?

    Os mais comuns incluem PET-CT, tomografia computadorizada, ressonância magnética e ultrassonografia, além de marcadores tumorais no sangue.


  • O estadiamento do câncer pode mudar ao longo do tempo?

    Sim. O câncer pode evoluir após o diagnóstico inicial, exigindo reavaliações para ajustar a estratégia terapêutica.


  • O estadiamento é igual em todos os tipos de câncer?

    Não. Embora o sistema TNM seja o mais utilizado, cada tipo de câncer tem critérios específicos que adaptam a classificação ao seu comportamento clínico.


  • Um mesmo estágio significa sempre o mesmo prognóstico em diferentes tumores?

    Não. Um estágio III de câncer de mama pode ter desfecho diferente de um estágio III de câncer de pulmão, já que cada tumor evolui de forma distinta.


  • Existe diferença entre estadiamento inicial e reestadiamento?

    Sim. O estadiamento inicial é feito no diagnóstico, enquanto o reestadiamento ocorre em caso de recidiva ou progressão da doença.

  • O estadiamento precisa ser reavaliado após cirurgias oncológicas?

    Sim. O exame anatomopatológico do material retirado pode revelar informações mais precisas, definindo o estadiamento patológico, que orienta os próximos passos.



Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman


Entender o que é estadiamento do câncer é essencial para pacientes e familiares. Ele indica a extensão da doença, orienta o tratamento e influencia diretamente no prognóstico. Quanto
mais cedo for realizado, maiores são as chances de um plano terapêutico eficaz e de bons resultados.

Saber em qual estágio o câncer se encontra ajuda médicos e pacientes a tomarem decisões mais conscientes e seguras. Diante disso, você já parou para refletir sobre a importância de realizar exames precoces e manter o acompanhamento médico regular?



Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.


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Pacientes com metástases cerebrais Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para: Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas Prevenir o surgimento de novas lesões Reduzir sintomas neurológicos Postergar radioterapia Dados publicados no New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana. Pacientes recém diagnosticados com doença avançada No estudo FLAURA , considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. 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