Melanoma com mutação BRAF Positivo: Entenda o que é

Gustavo Schvartsman • 22 de outubro de 2025

O melanoma é o tipo mais agressivo de câncer de pele, responsável pela maioria das mortes associadas à doença. Nos últimos anos, descobertas genéticas revolucionaram a forma de diagnosticar e tratar o melanoma, especialmente com a identificação da mutação no gene BRAF. Quando o tumor apresenta essa alteração, ele é chamado de melanoma BRAF positivo, e isso abre portas para estratégias terapêuticas personalizadas, que têm melhorado significativamente os resultados clínicos.


Neste artigo, você vai entender o que significa essa mutação, como ela impacta o desenvolvimento do melanoma e quais são os tratamentos mais modernos disponíveis.
Continue lendo e aprenda mais sobre essa mutação.


O que é o melanoma BRAF positivo?


O melanoma BRAF positivo é um subtipo de melanoma caracterizado por uma mutação no gene BRAF, responsável pela
produção de uma proteína que regula o crescimento celular. Quando alterada, essa proteína permanece constantemente ativada, o que estimula a divisão celular descontrolada e favorece o desenvolvimento do câncer.


Estudos mostram que entre
40% e 50% dos melanomas cutâneos apresentam essa mutação, sendo mais frequente em pacientes mais jovens e em tumores localizados em regiões menos expostas ao sol de forma crônica. A variante mais comum é a V600E, mas outras, como V600K, também podem estar presentes.


Assista ao vídeo:


Como é feito o diagnóstico da mutação BRAF?


O diagnóstico é realizado a partir de uma
biópsia tumoral, seguida da análise do material coletado em laboratório. Além da avaliação histopatológica, são feitos exames genéticos para identificar a presença da mutação.


Principais métodos utilizados:

  • PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): detecta mutações específicas de forma rápida, geralmente as mais comuns.
  • Sequenciamento genético (NGS – Next Generation Sequencing): permite avaliar várias alterações ao mesmo tempo, abrange as mutações menos frequentes.
  • Imuno-histoquímica: utilizada em alguns casos como teste de triagem, mas restrito à variante V600E.


Esse processo é fundamental para definir a estratégia terapêutica mais eficaz.


Diferença entre melanoma BRAF positivo e negativo


Nem todos
os melanomas apresentam mutações em BRAF. Essa distinção é essencial porque influencia diretamente no tratamento.

  • BRAF positivo: possibilita o uso de terapias-alvo, além da imunoterapia, que bloqueiam especificamente a mutação.
  • BRAF negativo: geralmente tratado apenas com imunoterapia, conforme o estágio da doença e características do paciente.


Tratamentos disponíveis para o melanoma BRAF positivo


Terapias-alvo


A principal inovação foi a criação de medicamentos que atuam diretamente na proteína mutada,
interrompendo o crescimento desordenado das células tumorais.


Exemplos:

Inibidores de BRAF:
encorafenib (Braftovi®) e dabrafenibe (Tafinlar®).

Inibidores de MEK: binimetinib (Mektovi®) e cobimetinibe (Cotellic®), usados em combinação com inibidores de BRAF.


O
uso combinado dessas drogas é o padrão atual, aumentando a eficácia e diminuindo o risco de resistência. Estudos clínicos mostram respostas em até 70% dos pacientes. 


Imunoterapia


Medicamentos como nivolumabe e pembrolizumabe (anti-PD-1) podem ser usados
isoladamente ou junto das terapias-alvo, estimulando o sistema imunológico a reconhecer e combater o tumor. 


Entenda mais sobre a imunoterapia no tratamento do Melanoma. Assista:


Imunoterapia vs. Terapia Alvo: Como Eu Escolho?


Para pacientes com mutação no BRAF, a imunoterapia ainda pode trazer benefícios de longo prazo melhores que a terapia alvo-dirigida contra BRAF, mas costuma ser de forma combinada (ipilimumabe + nivolumabe, por exemplo). 

Porém, como as respostas à terapia alvo são muito rápidas, sua principal indicação como primeira opção de tratamento é para pacientes com alto volume de doença, com sintomas importantes ou com metástases cerebrais grandes, que exigem o uso de corticosteroides, que podem atrapalhar a eficácia da imunoterapia. 


Quimioterapia


Embora menos utilizada atualmente, ainda pode ser indicada em casos nos quais não há resposta ou acesso a terapias mais modernas.


Benefícios da terapia personalizada


O tratamento do melanoma BRAF positivo trouxe mudanças importantes na prática clínica:

  • Resposta mais rápida, no qual muitos pacientes apresentam redução do tumor em poucas semanas.
  • Maior sobrevida global com resultados superiores aos obtidos com quimioterapia isolada.
  • Tratamento direcionado: ação seletiva sobre células com mutação, preservando tecidos saudáveis.


Importância do acompanhamento contínuo


O melanoma BRAF positivo exige
monitoramento regular, com exames de imagem e avaliações clínicas periódicas para acompanhar a resposta ao tratamento e identificar possíveis sinais de progressão.


O acompanhamento multidisciplinar, envolvendo
oncologistas, dermatologistas, nutricionistas e psicólogos, também é essencial para manter a qualidade de vida e o bem-estar durante toda a jornada terapêutica.


Perguntas frequentes


  • O que significa ter um melanoma BRAF positivo?

    O melanoma BRAF positivo ocorre quando o tumor apresenta uma mutação no gene BRAF, responsável por regular o crescimento celular. Essa alteração mantém a proteína ativada, levando à multiplicação descontrolada das células cancerígenas.

  • Qual a diferença entre melanoma BRAF positivo e negativo?

    O melanoma BRAF positivo pode ser tratado com terapias-alvo específicas, enquanto o melanoma BRAF negativo é geralmente tratado com imunoterapia ou quimioterapia. Essa distinção é essencial para definir a estratégia terapêutica mais eficaz.

  • Qual é a mutação mais comum no melanoma BRAF positivo?

    A mutação mais frequente é a V600E, encontrada na maioria dos casos. Outra variante possível é a V600K, que também pode influenciar a escolha do tratamento.

  • Como é feito o diagnóstico do melanoma BRAF positivo?

    O diagnóstico é realizado por meio de uma biópsia tumoral seguida de testes genéticos, como PCR ou sequenciamento de nova geração (NGS), que identificam a presença da mutação no gene BRAF.

  • Quais são os principais tratamentos para melanoma BRAF positivo?

    Os tratamentos incluem terapias-alvo (inibidores de BRAF e MEK), imunoterapia (como anti-PD-1) e, em alguns casos, quimioterapia. A combinação de inibidores de BRAF e MEK é o padrão atual, com taxas de resposta mais elevadas.

  • O melanoma BRAF positivo pode voltar após o tratamento?

    Infelizmente, sim. Muitos pacientes desenvolvem resistência adquirida aos medicamentos após meses ou anos de uso. Por isso, o acompanhamento clínico e exames regulares são fundamentais.

  • Quais são os efeitos colaterais do tratamento do melanoma BRAF positivo?

    Os efeitos mais comuns incluem febre, fadiga, alterações de pele e, em alguns casos, problemas cardiovasculares. Com monitoramento adequado, a maioria pode ser controlada.

  • Todo paciente com melanoma precisa testar a mutação BRAF?

    Sim. A análise genética é recomendada em todos os casos de melanoma avançado ou metastático, pois define a elegibilidade para terapias-alvo e ajuda na escolha do melhor tratamento.

  • O melanoma BRAF positivo tem cura?

    Quando diagnosticado em estágios iniciais e tratado corretamente, pode haver altas taxas de controle e até cura. Em casos avançados, as terapias modernas aumentam significativamente a sobrevida e a qualidade de vida, mas exigem acompanhamento contínuo.

  • Por que nem todos os melanomas com mutação BRAF respondem da mesma forma ao tratamento?

    Apesar da presença da mutação, fatores como outras alterações genéticas do tumor, o microambiente tumoral e a condição clínica do paciente podem influenciar na resposta à terapia.

  • Como o corpo desenvolve resistência aos inibidores de BRAF e MEK?

    Com o tempo, as células tumorais podem ativar outras vias de crescimento celular, contornando o bloqueio do medicamento e voltando a crescer, o que exige ajuste no tratamento.

  • Existe diferença de prognóstico entre os subtipos de mutação BRAF (V600E e V600K)?

    Sim. A mutação V600E é mais comum e geralmente responde melhor ao tratamento com terapias-alvo do que a V600K, embora ambas possam ser tratadas com combinações de BRAF e MEK.

Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman


O melanoma BRAF positivo representa um subtipo agressivo, mas que hoje conta com terapias inovadoras que mudaram o cenário do tratamento oncológico. O diagnóstico da mutação é fundamental para orientar o tratamento e oferecer opções mais eficazes e personalizadas. Embora ainda haja desafios,
os avanços da oncologia trazem novas perspectivas de sobrevida e qualidade de vida para os pacientes.


Você já conhecia essa mutação no melanoma?


Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.



Continue acompanhando a central educativa para acessar conteúdos importantes sobre saúde. Até o próximo artigo.


câncer de próstata resistente à castração
Por Gustavo Schvartsman 21 de janeiro de 2026
Entenda o que significa Câncer de próstata resistente à castração, por que acontece e quais tratamentos podem oferecer controle e qualidade de vida.
Por Gustavo Schvartsman 13 de janeiro de 2026
Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão? O Osimertinibe beneficia principalmente pacientes com carcinoma de pulmão de não pequenas células que apresentam mutações específicas no gene EGFR, como deleção no éxon 19, L858R e T790M. Esses pacientes respondem melhor porque o tumor depende diretamente dessa via molecular. Introdução O uso do Osimertinibe no câncer de pulmão transformou o tratamento de pacientes com tumores que apresentam mutações específicas no gene EGFR. Esse medicamento marcou uma mudança importante na oncologia ao oferecer maior eficácia, melhor tolerabilidade e capacidade de atuar inclusive em metástases cerebrais. Hoje, ele é considerado o tratamento padrão em várias situações, desde diagnóstico inicial até doença avançada. Este artigo explica quem pode se beneficiar dessa medicação, como ela age, quando é indicada e por que o teste genético é indispensável para orientar a terapia. Continue a leitura para entender como esse avanço pode impactar o tratamento. O que é o Osimertinibe e como ele funciona? O Osimertinibe é um inibidor de tirosina-quinase (TKI) de terceira geração usado no tratamento de tumores pulmonares que apresentam mutações específicas no gene EGFR. Ele foi desenvolvido para bloquear sinalizações que mantêm o crescimento celular descontrolado em muitos casos de carcinoma de pulmão de não pequenas células. Por atuar de forma precisa, tornou-se um dos pilares do tratamento moderno para pacientes com mutações sensíveis e resistentes no EGFR. Mecanismo de ação O medicamento atua de forma seletiva sobre mutações EGFR importantes, como: L858R Deleções no éxon 19 Mutação de resistência T790M Outro aspecto relevante é sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica , permitindo controle eficaz de lesões cerebrais. Por que isso importa Ao bloquear a via EGFR, o Osimertinibe interrompe sinais que estimulam a proliferação tumoral. Como resultado, reduz o crescimento do tumor e prolonga a sobrevida . Evidências mostram benefício consistente até mesmo em pessoas previamente tratadas com outros TKIs, reforçando seu papel como terapia de alto impacto. Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão Pacientes com mutações EGFR sensibilizantes O grupo mais beneficiado inclui pessoas com: Deleções no éxon 19 L858R no éxon 21 Algumas outras alterações mais raras no EGFR Pacientes com mutação T790M A mutação T790M aparece como forma de resistência em aproximadamente 50 a 60 por cento dos pacientes tratados com TKIs de gerações anteriores. O Osimertinibe foi o primeiro TKI a demonstrar eficácia comprovada contra essa alteração, com impacto direto no controle da doença. Pacientes com metástases cerebrais Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para: Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas Prevenir o surgimento de novas lesões Reduzir sintomas neurológicos Postergar radioterapia Dados publicados no New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana. Pacientes recém diagnosticados com doença avançada No estudo FLAURA , considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual. Pacientes operados com alto risco de recidiva Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte. Efeitos colaterais O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança. Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve. Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. O monitoramento com o oncologista reduz riscos e permite ajustes adequados do tratamento quando necessário. Como é feito o diagnóstico das mutações EGFR Para indicar o Osimertinibe corretamente, é essencial identificar as mutações por meio de: Sequenciamento de nova geração (NGS) PCR em tempo real Biópsia líquida (quando o tumor libera DNA no sangue) Esses métodos estão amplamente disponíveis e ajudam a escolher a melhor abordagem terapêutica. Atenção! O NGS é sempre preferível para buscar co-mutações associadas ao EGFR que podem afetar prognóstico e auxiliar na decisão de tratamento, uma vez que hoje há mais de uma opção. Esse método sequencia centenas de genes ao mesmo tempo. Por que isso é decisivo Sem o teste molecular, não é possível confirmar se o tumor depende da via EGFR. Sem essa informação, o tratamento pode não trazer o benefício esperado. Osimertinibe como parte de um tratamento personalizado O plano terapêutico é individualizado e leva em conta o tipo e localização do tumor, o estágio da doença, a existência de metástases e as condições clínicas do paciente. Muitas vezes, o Osimertinibe integra um programa terapêutico que pode incluir: Imunoterapia Quimioterapia Radioterapia Cuidados de suporte Essa integração promove melhor controle, diminui sintomas e contribui para avanços importantes na qualidade de vida. Perguntas frequentes
terapia celular CAR-T
Por Gustavo Schvartsman 10 de dezembro de 2025
Entenda como a terapia celular CAR-T está sendo adaptada para tratar tumores sólidos e quais são os principais avanços, desafios e perspectivas dessa tecnologia.
inibidores de checkpoint imunológico
Por Gustavo Schvartsman 3 de dezembro de 2025
Inibidores de checkpoint imunológico: O que são, quando são indicados, quais são seus benefícios? Entenda.
o que é radiofármacos
Por Gustavo Schvartsman 26 de novembro de 2025
Saiba o que é radiofármacos, como atuam no tratamento oncológico, em quais casos são usados e quais avanços essa estratégia traz para a medicina do câncer.
rastreamento genômico e teste genético
Por Gustavo Schvartsman 18 de novembro de 2025
Entenda as diferenças entre rastreamento genômico e teste genético e como essas análises ajudam na prevenção e tratamento personalizado do câncer.
o que é estadiamento do câncer
Por Gustavo Schvartsman 12 de novembro de 2025
Conheça o que é estadiamento do câncer, como ele é realizado e por que essa etapa é essencial para definir o tratamento e o prognóstico dos pacientes.
terapia alvo ou quimioterapia
Por Gustavo Schvartsman 5 de novembro de 2025
Terapia alvo ou quimioterapia: Entenda as diferenças, indicações, eficácia e efeitos colaterais de cada tratamento no câncer.
Inteligência artificial no câncer
Por Gustavo Schvartsman 29 de outubro de 2025
Inteligência artificial no câncer: Conheça como novas tecnologias estão transformando o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento dos pacientes oncológicos.
carcinoma espinocelular de pele
Por Gustavo Schvartsman 15 de outubro de 2025
Carcinoma espinocelular: Conheça causas, sintomas, diagnóstico e tratamentos desse câncer de pele. Entenda como prevenir e quando buscar ajuda médica.