Osimertinibe no câncer de pulmão: Quem pode se beneficiar?

Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão?
O Osimertinibe beneficia principalmente pacientes com carcinoma de pulmão de não pequenas células que apresentam mutações específicas no gene EGFR, como deleção no éxon 19, L858R e T790M. Esses pacientes respondem melhor porque o tumor depende diretamente dessa via molecular.
Introdução
O uso do
Osimertinibe no câncer de pulmão transformou o tratamento de pacientes com tumores que apresentam mutações específicas no gene EGFR. Esse medicamento marcou uma mudança importante na oncologia ao oferecer maior eficácia, melhor tolerabilidade e capacidade de atuar inclusive em metástases cerebrais. Hoje, ele é considerado o tratamento padrão em várias situações, desde diagnóstico inicial até doença avançada.
Este artigo explica quem pode se beneficiar dessa medicação, como ela age, quando é indicada e por que o teste genético é indispensável para orientar a terapia. Continue a leitura para entender como esse avanço pode impactar o tratamento.
O que é o Osimertinibe e como ele funciona?
O Osimertinibe é um inibidor de tirosina-quinase (TKI) de terceira geração usado no tratamento de tumores pulmonares que apresentam mutações específicas no gene EGFR. Ele foi desenvolvido para
bloquear sinalizações que mantêm o crescimento celular descontrolado em muitos casos de carcinoma de pulmão de não pequenas células. Por atuar de forma precisa, tornou-se um dos pilares do tratamento moderno para pacientes com mutações sensíveis e resistentes no EGFR.
Mecanismo de ação
O medicamento atua de forma seletiva sobre mutações EGFR importantes, como:
- L858R
- Deleções no éxon 19
- Mutação de resistência T790M
Outro aspecto relevante é sua capacidade de
atravessar a barreira hematoencefálica, permitindo controle eficaz de lesões cerebrais.
Por que isso importa
Ao bloquear a via EGFR, o Osimertinibe interrompe sinais que estimulam a proliferação tumoral. Como resultado,
reduz o crescimento do tumor e prolonga a sobrevida. Evidências mostram benefício consistente até mesmo em pessoas previamente tratadas com outros TKIs, reforçando seu papel como terapia de alto impacto.
Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão
Pacientes com mutações EGFR sensibilizantes
O grupo mais beneficiado inclui pessoas com:
- Deleções no éxon 19
- L858R no éxon 21
- Algumas outras alterações mais raras no EGFR
Pacientes com mutação T790M
A mutação T790M aparece como forma de resistência em aproximadamente 50 a 60 por cento dos pacientes tratados com TKIs de gerações anteriores. O Osimertinibe foi o
primeiro TKI a demonstrar eficácia comprovada contra essa alteração, com impacto direto no controle da doença.
Pacientes com metástases cerebrais
Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para:
- Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas
- Prevenir o surgimento de novas lesões
- Reduzir sintomas neurológicos
- Postergar radioterapia
Dados publicados no
New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana.
Pacientes recém diagnosticados com doença avançada
No
estudo FLAURA, considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente.
No segundo semestre de 2025, o
New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do
estudo FLAURA2, que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual.
Pacientes operados com alto risco de recidiva
Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O
estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte.
Efeitos colaterais
O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança.
Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve.
Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. O
monitoramento com o
oncologista reduz riscos e permite ajustes adequados do tratamento quando necessário.
Como é feito o diagnóstico das mutações EGFR
Para indicar o Osimertinibe corretamente, é essencial identificar as mutações por meio de:
- Sequenciamento de nova geração (NGS)
- PCR em tempo real
- Biópsia líquida (quando o tumor libera DNA no sangue)
Esses métodos estão amplamente disponíveis e ajudam a escolher a melhor abordagem terapêutica.
Atenção!
O NGS é sempre preferível
para buscar co-mutações associadas ao EGFR que podem afetar prognóstico e auxiliar na decisão de tratamento, uma vez que hoje há mais de uma opção. Esse método sequencia centenas de genes ao mesmo tempo.
Por que isso é decisivo
Sem o teste molecular, não é possível confirmar se o tumor depende da via EGFR. Sem essa informação, o tratamento pode não trazer o benefício esperado.
Osimertinibe como parte de um tratamento personalizado
O plano terapêutico é individualizado e leva em conta o tipo e localização do tumor, o estágio da doença, a existência de metástases e as condições clínicas do paciente.
Muitas vezes, o Osimertinibe integra um programa terapêutico que pode incluir:
- Imunoterapia
- Quimioterapia
- Radioterapia
- Cuidados de suporte
Essa integração promove
melhor controle, diminui sintomas e contribui para avanços importantes na qualidade de vida.
Perguntas frequentes
Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão?
O Osimertinibe beneficia principalmente pacientes com carcinoma de pulmão de não pequenas células que apresentam mutações específicas no gene EGFR, como deleção no éxon 19, L858R e T790M. Esses pacientes respondem melhor porque o tumor depende diretamente dessa via molecular.
O Osimertinibe é indicado apenas para quem tem mutação EGFR?
Sim. A eficácia do Osimertinibe está diretamente ligada à presença de mutações EGFR. Sem confirmação laboratorial da mutação, o medicamento não é indicado, pois não age de forma significativa quando o tumor não depende dessa via.
Quais exames confirmam se o paciente pode usar Osimertinibe?
O teste molecular é obrigatório. Ele pode ser feito por sequenciamento de nova geração, PCR em tempo real ou biópsia líquida. Esses exames identificam mutações que determinam se o uso do medicamento será eficaz.
Pacientes recém diagnosticados com doença avançada podem usar Osimertinibe?
Sim. Estudos como o FLAURA e FLAURA-2 mostram que o Osimertinibe aumenta a sobrevida global e o tempo sem progressão quando usado como tratamento inicial em pacientes com mutações EGFR sensibilizantes.
O Osimertinibe funciona para quem desenvolveu resistência a outros TKIs?
Funciona especialmente nos casos em que a resistência é causada pela mutação T790M, presente em cerca de 50 a 60 por cento dos pacientes que usaram TKIs de primeira ou segunda geração. Para esses casos, o Osimertinibe costuma ser a opção mais eficaz.
O benefício do Osimertinibe é mantido mesmo se o tumor continuar evoluindo lentamente?
Sim. Mesmo quando há progressão lenta, o Osimertinibe pode continuar controlando áreas estáveis da doença. Em muitos casos, ajustes ou tratamentos locais, como radioterapia em lesões isoladas, permitem manter o medicamento por mais tempo com bons resultados.
O Osimertinibe pode ser usado após a cirurgia do câncer de pulmão?
Sim. Em pacientes com mutações EGFR, o uso adjuvante após cirurgia reduz de forma expressiva o risco de recidiva. Um estudo demonstrou uma redução de até 80 por cento no risco de retorno da doença.
Há pacientes que não devem usar o Osimertinibe?
O medicamento não é indicado para tumores sem mutações EGFR ou em pacientes com contraindicações específicas, como efeitos cardíacos graves ou histórico de pneumonite induzida por medicamentos semelhantes. A avaliação individual é essencial.
O Osimertinibe pode ser combinado com outros tratamentos?
Sim. Embora seja usado isoladamente em muitos casos, ele pode ser combinado ou sequenciado com quimioterapia, imunoterapia, radioterapia ou terapias de suporte, dependendo do estágio da doença e das características clínicas.
Existe diferença entre usar o Osimertinibe no início do tratamento ou apenas após falha de outros TKIs?
Sim. Estudos mostram que utilizá-lo como primeira linha aumenta a sobrevida global e o tempo sem progressão. Quando usado apenas após falha de outros TKIs, ele ainda funciona, mas o benefício costuma ser menor do que quando iniciado cedo.
O Osimertinibe funciona da mesma forma em tumores com múltiplas mutações além da EGFR?
Não necessariamente. Quando o tumor carrega mutações adicionais, como alterações em TP53, MET ou KRAS, a resposta ao Osimertinibe pode ser parcial ou reduzida. Por isso, a análise genética completa pode orientar estratégias combinadas ou terapias alternativas.
O Osimertinibe ainda funciona se surgirem mutações de resistência durante o tratamento?
Depende do tipo de mutação. Algumas, como amplificação de MET, reduzem a eficácia e podem exigir combinação com outras terapias. Identificar a mutação de resistência por nova biópsia ou biópsia líquida é importante para guiar o próximo passo terapêutico.
Pacientes com doença limitada ao tórax respondem diferente dos pacientes com metástases?
Sim. Pacientes com doença localizada ou moderadamente avançada tendem a apresentar respostas mais duradouras. Já aqueles com múltiplas metástases podem responder bem, mas têm risco maior de progressão em áreas distintas do tumor.
Quão importante é o fato de o Osimertinibe atravessar a barreira hematoencefálica?
É decisivo. Muitos TKIs não alcançam o cérebro em quantidades eficazes, deixando as metástases crescerem. Como o Osimertinibe penetra bem no sistema nervoso central, ele reduz o risco de novas metástases e controla melhor aquelas que já existem.
O Osimertinibe pode melhorar sintomas respiratórios além de reduzir o tumor?
Pode. Ao diminuir áreas tumorais no pulmão, a medicação pode aliviar falta de ar, tosse persistente e desconforto torácico. Esse alívio costuma ocorrer nas primeiras semanas em pacientes que respondem ao tratamento.
O tratamento com Osimertinibe pode ser interrompido e retomado com segurança?
Em muitos casos sim, principalmente por efeitos adversos manejáveis. No entanto, interrupções prolongadas podem favorecer progressão da doença. A decisão deve ser individualizada e acompanhada de exames periódicos.
Por que alguns pacientes com mutação EGFR respondem muito bem ao Osimertinibe e outros não?
A resposta depende de fatores biológicos como tipo específico da mutação, carga tumoral, presença de outras alterações genéticas e localização das metástases. Dois pacientes com a mesma mutação podem ter comportamentos tumorais totalmente diferentes, o que torna o tratamento personalizado tão importante.
Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman
O uso do Osimertinibe no câncer de pulmão representa um dos maiores avanços no tratamento de tumores com mutações EGFR. Ele oferece
controle mais duradouro, melhor tolerabilidade e eficácia superior, inclusive em metástases cerebrais. Identificar quem se beneficia depende diretamente do teste genético, que orienta terapias mais precisas e aumenta as chances de controle da doença. Procure
orientação especializada para avaliar sua situação individual e considerar essa opção de tratamento.
Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.
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