Teste de biomarcadores no câncer: Quando é indicado e como pode mudar o tratamento
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O teste de biomarcadores no câncer é indicado principalmente em tumores que possuem tratamentos direcionados, como alguns cânceres de pulmão, mama, próstata, ovário e melanoma. Ele pode ser solicitado no diagnóstico ou em casos de progressão da doença. Ao identificar alterações específicas nas células tumorais, o exame ajuda a selecionar terapias alvo, imunoterapia ou outras estratégias mais personalizadas. Dessa forma, permite adaptar o tratamento às características biológicas de cada tumor e evitar abordagens potencialmente menos eficazes para aquele perfil.
Introdução
Nos últimos anos, a oncologia passou por uma transformação importante com o avanço da medicina de precisão. Em vez de considerar apenas o órgão onde o tumor surgiu, os médicos passaram a avaliar também as características moleculares de cada câncer. Nesse contexto, os
biomarcadores no câncer se tornaram ferramentas fundamentais para entender melhor o comportamento da doença e selecionar tratamentos mais adequados para cada paciente.
Em alguns casos, a identificação dessas alterações pode abrir caminho para terapias alvo, imunoterapia ou inclusão em estudos clínicos. Neste artigo, você entenderá o que são os biomarcadores, quando os testes são indicados e como eles podem influenciar as decisões terapêuticas.
Continue a leitura
para saber mais.
O que são biomarcadores no câncer
Os biomarcadores no câncer são características biológicas presentes nas células tumorais que ajudam a
compreender melhor
como aquele tumor se comporta e quais tratamentos podem ter maior chance de benefício. Essas informações podem ser obtidas a partir do próprio tecido do tumor, do sangue ou de outras amostras analisadas em laboratório.
Na prática, os biomarcadores funcionam como uma espécie de identidade molecular do câncer. Eles fornecem informações que vão além do local onde o tumor surgiu e permitem entender características específicas de cada doença.
Esses marcadores podem incluir alterações genéticas, proteínas, mutações ou outras mudanças moleculares associadas ao desenvolvimento e à progressão do câncer.
A partir dessas informações, é possível avaliar:
- Como o tumor tende a se comportar
- Quais medicamentos podem ser mais eficazes
- O risco de recorrência em algumas situações
- As possibilidades de terapias mais personalizadas
Isso explica por que dois pacientes com o mesmo tipo de câncer podem receber tratamentos completamente diferentes.
Por que os biomarcadores são importantes
Durante muitos anos, os tratamentos oncológicos eram definidos principalmente pelo órgão onde o câncer se originava. Hoje, sabemos que tumores aparentemente semelhantes podem apresentar perfis moleculares bastante diferentes.
Essa é a base da chamada
medicina personalizada.
Dois pacientes com câncer de pulmão, por exemplo, podem apresentar alterações genéticas distintas e, consequentemente, responder melhor a tratamentos diferentes. O mesmo ocorre em tumores de mama, melanoma, câncer colorretal e vários outros tipos de câncer.
Por isso, a avaliação dos biomarcadores no câncer permite que as decisões terapêuticas sejam mais individualizadas.
Essa abordagem pode:
- Identificar tratamentos mais direcionados
- Evitar terapias com baixa chance de benefício para aquele perfil tumoral
- Ampliar as opções terapêuticas disponíveis
- Ajudar na definição do prognóstico em determinadas situações
Mais do que buscar tratamentos mais modernos, o objetivo é oferecer a estratégia
mais adequada para cada paciente.
Quais tipos de biomarcadores existem
Os biomarcadores podem desempenhar papéis diferentes no tratamento do câncer.
Biomarcadores preditivos
São aqueles que ajudam a
prever
se determinado tratamento tem maior probabilidade de funcionar. Alguns exemplos conhecidos incluem:
HER2 no câncer de mama;
EGFR no câncer de pulmão;
ALK e ROS1 em alguns tumores pulmonares;
BRAF em melanoma;
MSI-H e deficiência do sistema de reparo do DNA em diversos tumores.
A identificação dessas alterações pode abrir caminho para terapias-alvo específicas e para alguns tipos de imunoterapia.
Biomarcadores prognósticos
Esses marcadores fornecem informações sobre a
evolução natural da doença.
Eles podem indicar:
- Maior ou menor agressividade do tumor
- Risco de recorrência
- Probabilidade de progressão da doença
Embora nem sempre mudem diretamente o tratamento, ajudam a orientar o acompanhamento e a tomada de decisões.
Biomarcadores relacionados à imunoterapia
Nos últimos anos, a imunoterapia passou a desempenhar papel importante em diversos tipos de câncer. Entretanto, nem todos os pacientes apresentam o mesmo benefício.
Por isso, alguns exames avaliam características capazes de indicar maior chance de resposta a esse tipo de tratamento.
Entre os marcadores mais conhecidos estão:
- PD-L1
- Instabilidade de microssatélites (MSI)
- Carga mutacional tumoral (TMB)
Essas informações ajudam a selecionar os pacientes que podem se beneficiar mais dessa estratégia.
Quando o teste de biomarcadores é indicado
A indicação dos exames é individualizada e depende de diversos fatores, incluindo o tipo de tumor, o estágio da doença e as opções terapêuticas disponíveis.
Os biomarcadores no câncer são frequentemente avaliados em casos de:
- Câncer de pulmão de não pequenas células
- Câncer de mama HER2 positivo
- Melanoma
- Câncer colorretal metastático
- Câncer de ovário
- Câncer de próstata avançado
- Tumores com indicação potencial de imunoterapia
Em alguns cenários, os testes são solicitados logo após o diagnóstico. Em outros, podem ser realizados mais tarde, especialmente quando a doença apresenta progressão ou quando existe a necessidade de redefinir a estratégia terapêutica.
A decisão de solicitar ou não esses exames sempre deve ser baseada nas
características individuais de cada paciente.
Como os testes são realizados
Análise do tecido tumoral
A forma mais tradicional de avaliação utiliza o material obtido pela
biópsia.
Após a coleta, a amostra é enviada para laboratórios especializados, onde são pesquisadas alterações moleculares específicas.
Dependendo do tipo de câncer, essa análise pode fornecer informações extremamente relevantes para o planejamento do tratamento.
Sequenciamento de nova geração
O sequenciamento de nova geração, conhecido como
NGS, representa um importante avanço na medicina de precisão.
Essa tecnologia permite
analisar dezenas ou até centenas de genes simultaneamente, aumentando a possibilidade de identificar alterações potencialmente tratáveis.
Em vez de pesquisar apenas uma mutação por vez, o exame oferece uma avaliação molecular muito mais ampla do tumor.
Biópsia líquida
Em algumas situações, os biomarcadores no câncer podem ser pesquisados por meio de um exame de sangue.
Essa técnica, conhecida como
biópsia líquida, detecta
fragmentos de DNA tumoral circulando na corrente sanguínea.
Ela pode ser particularmente útil quando:
- A obtenção de tecido é difícil
- Não há material suficiente da biópsia inicial
- Existe suspeita de resistência ao tratamento
- É necessária uma nova avaliação molecular ao longo da evolução da doença
Embora não substitua completamente a análise do tecido em todos os casos, a biópsia líquida vem ganhando importância crescente na prática clínica.
Como os biomarcadores podem mudar o tratamento
Talvez o maior impacto desses exames seja a possibilidade de tornar o tratamento mais personalizado.
Quando uma alteração molecular específica é identificada, podem surgir novas possibilidades terapêuticas.
Terapias alvo
Certos medicamentos foram desenvolvidos para agir
diretamente
sobre alterações presentes nas células tumorais.
Entre os exemplos mais conhecidos estão:
Inibidores de EGFR;
Inibidores de ALK;
Terapias anti-HER2;
Inibidores de BRAF.
Esses tratamentos atuam de forma mais direcionada e representam um dos principais avanços da oncologia moderna.
Imunoterapia
A presença de determinados biomarcadores também pode ajudar a identificar pacientes com
maior probabilidade
de resposta à
imunoterapia.
Isso permite uma seleção mais precisa dos tratamentos e uma abordagem mais individualizada.
Estudos clínicos
Em alguns casos, os resultados podem possibilitar a participação em pesquisas clínicas que avaliam novas medicações e estratégias terapêuticas.
Essa é uma área em constante evolução e que amplia as opções disponíveis para muitos pacientes.
Todos os pacientes precisam fazer esses testes?
Não. Apesar da enorme importância dos biomarcadores no câncer, nem todos os tumores exigem investigação molecular extensa.
A necessidade dos exames depende de fatores como:
Tipo de câncer, Estágio da doença, Possibilidade de terapias específicas, e Condições clínicas do paciente.
Por isso, a indicação deve sempre ser individualizada.
Mais importante do que realizar muitos exames é saber quais informações realmente podem impactar a tomada de decisão.
O resultado pode mudar ao longo do tempo?
Sim. Os tumores são estruturas dinâmicas e podem sofrer modificações ao longo da evolução da doença.
Em alguns casos, novas alterações surgem após
meses ou anos de tratamento. Essas mudanças podem influenciar a resposta aos medicamentos e exigir uma nova estratégia terapêutica.
Por isso, em determinadas situações, pode ser necessário repetir a avaliação molecular.
Essa reavaliação é particularmente importante quando ocorre progressão da doença, permitindo identificar novas oportunidades de tratamento.
Limitações dos testes de biomarcadores
Apesar dos avanços, é importante entender que esses exames não são capazes de responder a todas as perguntas.
Existem algumas limitações importantes:
- Nem toda alteração encontrada possui um tratamento disponível.
- Alguns tumores não apresentam mutações acionáveis.
- O resultado do exame não garante resposta ao tratamento.
- A interpretação das informações exige experiência e análise individualizada.
Os biomarcadores no câncer são uma ferramenta extremamente valiosa, mas fazem parte de uma
avaliação mais ampla, que também considera história clínica, exames de imagem, características do paciente e objetivos do tratamento.
O futuro da medicina personalizada
A tendência é que a utilização dos biomarcadores continue crescendo nos próximos anos.
Novas pesquisas buscam descobrir novos alvos terapêuticos, ampliar o uso da biópsia líquida, refinar a seleção para imunoterapia, e, além disso, desenvolver tratamentos cada vez mais personalizados.
A medicina de precisão já faz parte da rotina da oncologia moderna e continua transformando a forma como entendemos e tratamos diferentes tipos de câncer.
Cada vez mais, o tratamento deixa de ser baseado apenas no órgão acometido e passa a considerar as características únicas de cada tumor e de cada paciente.
Perguntas frequentes
O que são biomarcadores no câncer?
Biomarcadores no câncer são características biológicas presentes nas células tumorais que ajudam a entender melhor o comportamento da doença e a identificar tratamentos que podem ser mais eficazes para cada paciente.
Todo paciente com câncer precisa fazer teste de biomarcadores?
Não. A necessidade depende do tipo de tumor, do estágio da doença e da existência de tratamentos associados às alterações pesquisadas. A indicação deve ser individualizada.
O teste de biomarcadores pode ser realizado logo após o diagnóstico?
Sim. Em muitos tipos de câncer, os exames são solicitados ainda no início da investigação, permitindo que o planejamento terapêutico seja feito de forma mais precisa desde o começo.
Como é feito o teste de biomarcadores?
Na maioria das vezes, a análise é realizada a partir do tecido obtido por biópsia. Em algumas situações, também pode ser feita por meio da biópsia líquida, que utiliza uma amostra de sangue para detectar alterações tumorais.
A biópsia inicial sempre é suficiente para fazer todos os testes necessários?
Nem sempre. Em algumas situações, a quantidade de tecido disponível pode ser insuficiente, tornando necessária uma nova biópsia ou a realização de uma biópsia líquida.
Qual a diferença entre biomarcadores e exames genéticos hereditários?
Os biomarcadores geralmente avaliam alterações presentes nas células do tumor, enquanto os testes genéticos hereditários investigam alterações que podem ser transmitidas entre gerações e estar presentes em todas as células do organismo.
Os biomarcadores ajudam apenas a escolher medicamentos ou também fornecem informações sobre o comportamento do tumor?
Além de orientar o tratamento, alguns biomarcadores podem fornecer informações sobre agressividade, risco de recorrência e evolução da doença, contribuindo para o planejamento do acompanhamento.
É possível que dois pacientes com o mesmo tipo de câncer recebam tratamentos completamente diferentes?
Sim. Tumores do mesmo órgão podem apresentar perfis moleculares distintos. Os biomarcadores ajudam a individualizar a escolha terapêutica, tornando o tratamento mais personalizado.
Um biomarcador encontrado em um tipo de câncer pode ter importância em outro tumor?
Sim. Algumas alterações moleculares podem estar presentes em diferentes órgãos e, em determinadas situações, isso permite o uso de tratamentos semelhantes em tumores distintos.
O resultado do exame garante que o tratamento vai funcionar?
Não. Os biomarcadores ajudam a estimar a probabilidade de resposta a determinadas terapias, mas não garantem o sucesso do tratamento, já que diversos fatores influenciam a evolução da doença.
Se meu teste não encontrou nenhuma alteração, isso significa que não existem mais opções de tratamento?
Não. A ausência de biomarcadores acionáveis não significa ausência de tratamento. Quimioterapia, imunoterapia, hormonioterapia e outras estratégias continuam sendo opções importantes, dependendo do tipo de câncer.
É possível repetir o teste de biomarcadores durante o tratamento?
Sim. Em alguns casos, especialmente quando há progressão da doença, pode ser necessário repetir a avaliação molecular para identificar novas alterações e adaptar a estratégia terapêutica.
O resultado dos biomarcadores pode mudar ao longo da doença?
Sim. O tumor pode adquirir novas alterações com o tempo, especialmente após exposição a determinados tratamentos. Em alguns casos, repetir a análise molecular pode fornecer informações importantes para definir os próximos passos.
Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman
Os biomarcadores no câncer representam um dos maiores avanços da oncologia moderna. Eles permitem
compreender melhor as características biológicas do tumor e ajudam a orientar decisões terapêuticas mais individualizadas.
Nem todos os pacientes precisarão desses exames, mas, em diversos cenários, eles podem modificar significativamente a estratégia de tratamento e ampliar as opções disponíveis.
Se você ou um familiar recebeu recentemente um diagnóstico de câncer, vale a pena conversar com um especialista para entender se a investigação molecular faz parte da sua situação clínica. Lembre-se de compartilhar este artigo com amigos e familiares.
Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.
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Dr. Gustavo Schvartsman
Oncologia Clínica | CRM-SP: 156477 | RQE: 87552
Oncologista no Albert Einstein SP




