Quem e quando fazer o rastreamento para câncer de pulmão

Gustavo Schvartsman • 27 de janeiro de 2025

O câncer de pulmão é uma das principais causas de morte por câncer no mundo. Muitas vezes, ele é diagnosticado em estágios avançados, quando as opções de tratamento são mais limitadas. No entanto, o rastreamento pode ajudar a detectar o câncer de pulmão em estágios iniciais, quando o tratamento é mais eficaz.


Neste artigo, vamos discutir quem deve fazer o rastreamento para câncer de pulmão, quando ele é recomendado e os benefícios desse processo na prevenção e diagnóstico precoce. 


O  que é o rastreamento para câncer de pulmão?


O
rastreamento para câncer de pulmão consiste em realizar exames de imagem, principalmente a tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD), para identificar precocemente sinais da doença  em indivíduos com alto risco, mas que ainda não apresentam sintomas. A TCBD é preferida porque expõe o paciente a menos radiação do que a tomografia tradicional, sendo altamente eficaz na detecção de pequenos nódulos pulmonares que podem ser indicativos de câncer.


Quem deve fazer o rastreamento para câncer de pulmão?


O rastreamento para câncer de pulmão não é indicado para todas as pessoas, sendo direcionado principalmente a
indivíduos com maior risco de desenvolver a doença. A seguir, estão os principais grupos para os quais o rastreamento é recomendado:


1. Pessoas com histórico de tabagismo intenso


O tabagismo
é o maior fator de risco  para o câncer de pulmão. Aqueles que fumam ou fumaram uma quantidade significativa de cigarros ao longo da vida estão no grupo de maior risco. O critério usado para rastreamento é a história de 20 anos/maço, ou seja, pessoas que fumaram um maço de cigarros por dia durante 20 anos, ou dois maços por dia durante 10 anos. Esse rastreamento é indicado tanto para fumantes atuais quanto para aqueles que pararam de fumar nos últimos 15 anos.


2. Indivíduos entre 50 e 80 anos


O risco de câncer de pulmão aumenta com a idade. Indivíduos com idades entre 50 e 80 anos
que têm um histórico de tabagismo intenso são os principais candidatos ao rastreamento, conforme orientações de organizações como a American Cancer Society e o Instituto Nacional de Câncer (INCA).


3. Ex-fumantes recentes


Mesmo
quem parou de fumar nos últimos 15 anos ainda tem um risco considerável de desenvolver câncer de pulmão. Para esses ex-fumantes, o rastreamento é importante, já que os danos causados pelo tabagismo podem persistir por muitos anos após o último cigarro.


4. Pessoas com exposição ao fumo passivo


Embora o fumo passivo, por si só, não seja suficiente para recomendar o rastreamento, aqueles que convivem com fumantes
por longos períodos e possuem outros fatores de risco devem discutir a necessidade do exame com seus médicos.


5. Exposição a substâncias cancerígenas


Pessoas expostas a substâncias cancerígenas como
radônio, amianto e outros produtos químicos no ambiente de trabalho estão em risco aumentado de câncer de pulmão. Quando combinado com o histórico de tabagismo, o rastreamento pode ser recomendado mais cedo para esses indivíduos.


Quando o rastreamento deve começar?


O rastreamento para câncer de pulmão deve ser iniciado em indivíduos de alto risco, conforme os critérios previamente mencionados. As diretrizes recomendam que o rastreamento seja realizado
anualmente, até que a pessoa atinja 80 anos ou tenha passado mais de 15 anos desde que parou de fumar. Esse monitoramento regular é essencial para a detecção precoce e o tratamento eficaz da doença.


Importância do rastreamento


O câncer de pulmão
pode evoluir de forma silenciosa, muitas vezes sem apresentar sintomas até estágios mais avançados. O rastreamento regular é essencial, pois permite a detecção precoce da doença, momento em que as opções de tratamento são mais eficazes e menos agressivas. 


Estudos indicam que o rastreamento
pode reduzir a mortalidade por câncer de pulmão em até 20% entre indivíduos de alto risco.


Benefícios do rastreamento para câncer de pulmão


Detecção precoce


O rastreamento para câncer de pulmão oferece o grande benefício de detectar a doença em seus estágios iniciais. Quando diagnosticado precocemente, o câncer de pulmão
é mais tratável e as chances de cura aumentam significativamente.


Redução da mortalidade


Pesquisas mostram que o rastreamento com tomografia de baixa dose pode reduzir de forma significativa a mortalidade por câncer de pulmão em indivíduos de alto risco em 20%, permitindo o
diagnóstico antes que a doença se espalhe  para outras áreas do corpo.


Melhora na qualidade de vida


A detecção precoce também permite que os
tratamentos sejam menos agressivos, resultando em menos efeitos colaterais e proporcionando uma melhor qualidade de vida tanto durante quanto após o tratamento. O engajamento em um programa de rastreamento também aumenta significativamente a chance de o indivíduo parar de fumar, que é uma das etapas mais importantes para redução de risco e mortalidade por câncer e por doenças cardiopulmonares.


Opções de tratamento menos invasivas


Tumores pequenos, identificados em fases iniciais, podem ser tratados com
técnicas minimamente invasivas ou terapias direcionadas, dependendo do tipo de câncer. Isso não só reduz o impacto do tratamento como também melhora as chances de sucesso.


Perguntas frequentes


O que é o rastreamento para câncer de pulmão?

O rastreamento para câncer de pulmão é um exame preventivo, geralmente uma tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD), realizado em pessoas de alto risco para detectar a doença em seus estágios iniciais.


Quem deve fazer o rastreamento para câncer de pulmão?

O rastreamento é recomendado para pessoas entre 50 e 80 anos com histórico de tabagismo intenso (1 maço por dia por 20 anos) e que ainda fumam ou pararam nos últimos 15 anos.


Como é feito o rastreamento do câncer de pulmão?

O rastreamento é feito por meio de uma tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD), um exame de imagem que permite detectar nódulos pulmonares em pessoas de alto risco, como fumantes.


Qual o exame para detectar câncer de pulmão?

O exame recomendado para detectar câncer de pulmão em pessoas de alto risco é a tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD), por ser eficaz e utilizar menor radiação que uma tomografia convencional.


Quando devo começar a fazer o rastreamento de câncer de pulmão?

O rastreamento deve começar para pessoas de alto risco a partir dos 50 anos, especialmente aquelas com histórico de tabagismo significativo ou exposição a substâncias cancerígenas.


O rastreamento é recomendado para pessoas que nunca fumaram?

Não. O rastreamento é geralmente recomendado apenas para pessoas com alto risco, principalmente fumantes ou ex-fumantes, e não é indicado para quem nunca fumou.


Qual é a precisão do rastreamento para câncer de pulmão?

A tomografia de baixa dose tem alta sensibilidade para detectar nódulos pulmonares pequenos, mas pode gerar falsos positivos. Por isso, é importante o acompanhamento médico para interpretar os resultados corretamente.


Se o rastreamento mostrar um nódulo, isso significa que é câncer?

Não necessariamente. Muitos nódulos pulmonares são benignos, especialmente em fumantes. O médico pode recomendar monitoramento ou biópsia para confirmar se o nódulo é canceroso.


O rastreamento pode detectar câncer de pulmão em estágios iniciais que não causam sintomas?

Sim, essa é uma das principais razões para o rastreamento. Ele pode detectar câncer em estágios iniciais, antes do surgimento de sintomas, aumentando as chances de tratamento bem-sucedido.


O rastreamento para câncer de pulmão pode prevenir a doença?

O rastreamento em si não previne o câncer, mas permite a detecção precoce, o que aumenta as chances de tratamento eficaz e melhora a sobrevivência.


Se o rastreamento mostrar algo, qual o próximo passo?

Se algo suspeito for detectado, o médico pode recomendar mais exames, como uma tomografia de acompanhamento, uma biópsia ou outros testes para determinar a natureza do achado.


Quem faz o rastreamento precisa parar de fumar?

Sim, o rastreamento tem a finalidade de detectar precocemente um câncer que já pode estar sendo causado pelo tabagismo. Porém, a cessação do hábito é a principal forma de prevenir o desenvolvimento da doença.


Conclusão


O rastreamento para câncer de pulmão é uma
ferramenta poderosa para salvar vidas, especialmente entre pessoas com alto risco, como fumantes e ex-fumantes. A detecção precoce é fundamental para melhorar as chances de tratamento e reduzir a mortalidade associada à doença. Se você se enquadra nos critérios para o rastreamento, converse com seu médico sobre os benefícios e os riscos desse exame.


Se você está em busca de um especialista em oncologia clínica, conheça o Dr. Gustavo Schvartsman, formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo e com especialização no MD Anderson Cancer Center, ele traz experiência internacional e um forte foco em imunoterapia. Atuando no Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Gustavo oferece tratamentos personalizados, incluindo terapias de última geração e um cuidado integral, garantindo que cada paciente receba as melhores opções de tratamento disponíveis. Para mais informações navegue no site ou para agendar uma consulta clique aqui.


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Como resultado, reduz o crescimento do tumor e prolonga a sobrevida . Evidências mostram benefício consistente até mesmo em pessoas previamente tratadas com outros TKIs, reforçando seu papel como terapia de alto impacto. Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão Pacientes com mutações EGFR sensibilizantes O grupo mais beneficiado inclui pessoas com: Deleções no éxon 19 L858R no éxon 21 Algumas outras alterações mais raras no EGFR Pacientes com mutação T790M A mutação T790M aparece como forma de resistência em aproximadamente 50 a 60 por cento dos pacientes tratados com TKIs de gerações anteriores. O Osimertinibe foi o primeiro TKI a demonstrar eficácia comprovada contra essa alteração, com impacto direto no controle da doença. Pacientes com metástases cerebrais Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para: Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas Prevenir o surgimento de novas lesões Reduzir sintomas neurológicos Postergar radioterapia Dados publicados no New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana. Pacientes recém diagnosticados com doença avançada No estudo FLAURA , considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual. Pacientes operados com alto risco de recidiva Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte. Efeitos colaterais O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança. Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve. Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. O monitoramento com o oncologista reduz riscos e permite ajustes adequados do tratamento quando necessário. Como é feito o diagnóstico das mutações EGFR Para indicar o Osimertinibe corretamente, é essencial identificar as mutações por meio de: Sequenciamento de nova geração (NGS) PCR em tempo real Biópsia líquida (quando o tumor libera DNA no sangue) Esses métodos estão amplamente disponíveis e ajudam a escolher a melhor abordagem terapêutica. Atenção! O NGS é sempre preferível para buscar co-mutações associadas ao EGFR que podem afetar prognóstico e auxiliar na decisão de tratamento, uma vez que hoje há mais de uma opção. Esse método sequencia centenas de genes ao mesmo tempo. Por que isso é decisivo Sem o teste molecular, não é possível confirmar se o tumor depende da via EGFR. Sem essa informação, o tratamento pode não trazer o benefício esperado. 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