Rastreamento genético: Quando é indicado e como funciona?

Gustavo Schvartsman • 13 de fevereiro de 2025

O rastreamento genético é uma ferramenta inovadora na medicina moderna, permitindo a identificação de predisposições a doenças hereditárias e a orientação de tratamentos mais personalizados. Com os avanços nas tecnologias de sequenciamento de DNA, é possível detectar mutações genéticas que aumentam o risco de desenvolver certas condições, como câncer, doenças cardíacas e neurológicas.


Quando o rastreamento genético é indicado?


O rastreamento genético
não é necessário para todos, mas é altamente recomendado em situações específicas, especialmente para aqueles com fatores de risco elevados. Entenda abaixo os principais cenários em que ele pode ser indicado:


Histórico familiar de doenças hereditárias


Pessoas com familiares que já foram diagnosticados com doenças hereditárias, como
câncer de mama, ovário ou doenças cardíacas, podem se beneficiar desse rastreamento. Mutações em genes como BRCA1 e BRCA2 aumentam significativamente as chances de desenvolver câncer de mama e ovário, sendo um importante fator para consideração.


Diagnóstico precoce de câncer ou doenças graves


Indivíduos
diagnosticados com câncer ou outras doenças graves em uma idade jovem (geralmente antes dos 50 anos) podem ser orientados a realizar o rastreamento genético para identificar se a condição tem origem hereditária.


Múltiplos cânceres em uma mesma pessoa


Aqueles que
desenvolveram mais de um tipo de câncer podem ter maior risco devido a mutações genéticas que comprometem a capacidade do corpo de combater tumores, tornando o rastreamento relevante.


Planejamento familiar


Casais que desejam ter filhos
podem optar pelo rastreamento genético para avaliar a possibilidade de transmissão de doenças hereditárias e planejar medidas preventivas.


Indicações médicas para personalizar tratamentos


Em casos de tratamentos oncológicos, por exemplo, certos medicamentos podem ser mais eficazes ou causar menos efeitos colaterais em pessoas com determinadas mutações genéticas. O rastreamento genético
permite escolher a terapia mais apropriada e personalizada.


Como funciona o rastreamento genético?


O processo de
rastreamento genético segue uma sequência estruturada, desde a coleta da amostra até a análise dos resultados, sempre com orientação médica especializada para garantir precisão e clareza no diagnóstico. Abaixo estão as etapas do processo:


1.Consulta inicial
Antes do exame, uma consulta com um geneticista, oncologista ou médico especializado é fundamental. Nessa conversa, o
histórico familiar e os fatores de risco são avaliados, além de serem discutidas as expectativas do teste. O médico explica quais genes serão analisados e as possíveis implicações dos resultados.


2. Coleta de amostra
O exame é
rápido e não invasivo. Geralmente, coleta-se uma amostra de saliva ou sangue, que é enviada a um laboratório especializado em genética. É a partir dessa amostra que o DNA será analisado.


3. Sequenciamento genético
No laboratório, o DNA é sequenciado, ou seja,
analisado para identificar possíveis mutações. Dependendo da necessidade, a análise pode focar em um gene específico ou em um painel que examina centenas de genes relacionados a diversas condições hereditárias.


4. Interpretação dos resultados
Os resultados são revisados pelo médico solicitante do exame, que
explicará ao paciente se foram identificadas mutações associadas a doenças hereditárias. Além disso, o médico discute o risco de desenvolver determinadas condições e orienta sobre as opções de prevenção e tratamento, personalizando o acompanhamento de acordo com os resultados.


Benefícios do rastreamento genético


O rastreamento genético oferece diversos benefícios que vão além da simples identificação de mutações. Ele possibilita ações preventivas e personalizadas para o cuidado à saúde. Entre os principais benefícios estão:


  • Prevenção e detecção precoce

Identificar uma predisposição genética permite aumentar a frequência de exames de rastreamento, como mamografias, colonoscopias ou ressonâncias magnéticas. Isso eleva as chances de detecção precoce de doenças, possibilitando intervenções mais eficazes.

  • Tomada de decisões preventivas

Pessoas com alto risco de desenvolver doenças podem optar por estratégias preventivas, como cirurgias de redução de risco (mastectomias preventivas, por exemplo), mudanças no estilo de vida e uso de medicamentos que ajudam a reduzir a probabilidade de adoecimento.

  • Tratamentos personalizados

Conhecer a presença de mutações genéticas específicas pode guiar o tratamento de forma personalizada. Terapias-alvo, desenvolvidas para certos tipos de câncer de origem genética, aumentam a eficácia do tratamento e minimizam os efeitos colaterais.

  • Informações relevantes para a família

Como muitas mutações são hereditárias, os resultados do rastreamento genético também podem beneficiar outros membros da família. Esses familiares podem optar por fazer o teste e adotar medidas preventivas com base nos resultados.


Quem não deve fazer o rastreamento genético?


Embora o rastreamento genético seja recomendado para pessoas com histórico familiar de doenças hereditárias, ele
pode não ser necessário para aqueles sem fatores de risco conhecidos.


Indivíduos sem histórico pessoal ou familiar de condições hereditárias podem não se beneficiar do exame, já que os resultados podem não trazer informações relevantes para a prevenção ou tratamento de doenças.


Perguntas frequentes


O que é rastreio genético?

O rastreio genético é um exame que identifica mutações genéticas herdadas, associadas a um risco aumentado de desenvolver certas doenças, como câncer, diabetes ou doenças cardíacas.


Quem deve fazer o rastreamento genético?

O rastreamento genético é indicado para pessoas com histórico familiar de doenças hereditárias ou aquelas diagnosticadas com doenças graves em idade jovem. Ele também pode ser relevante para o planejamento familiar.


Quais doenças podem ser detectadas com o rastreamento genético?

O rastreamento genético pode identificar predisposição para doenças como câncer de mama, ovário, cólon, doenças cardíacas, distrofia muscular, fibrose cística, entre outras.


Qual a diferença entre rastreamento genético e teste genético?

O rastreamento genético é voltado para identificar riscos em pessoas saudáveis com histórico familiar, enquanto o teste genético pode ser usado para diagnosticar ou orientar o tratamento de doenças em pessoas já afetadas.


Os resultados do rastreamento genético são 100% confiáveis?

Embora o teste seja preciso na identificação de mutações, ele não garante que a pessoa desenvolverá a doença, apenas indica um risco aumentado. Além disso, não detecta todas as mutações possíveis.


O rastreamento genético pode ser feito em qualquer idade?

O rastreamento genético pode ser feito em adultos de qualquer idade, mas é geralmente recomendado para pessoas com histórico familiar de doenças hereditárias ou para aquelas que estejam planejando ter filhos.


Conclusão


O rastreamento genético é uma opção que pode transformar a maneira como doenças hereditárias são detectadas e tratadas. Ele permite que indivíduos tomem decisões preventivas informadas e adotem tratamentos personalizados,
aumentando suas chances de evitar ou tratar doenças graves como o câncer. Entretanto, é importante que o rastreamento seja realizado com a orientação de profissionais especializados, considerando tanto os benefícios quanto as limitações.


Se você tiver dúvidas sobre o rastreamento genético, converse com um médico para entender melhor se ele é indicado para você.

Você já considerou fazer um rastreamento genético para cuidar da sua saúde?


Se você está em busca de um especialista em oncologia clínica, sou o Dr. Gustavo Schvartsman. Minha formação inclui a Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo e especialização no renomado MD Anderson Cancer Center, onde adquiri experiência internacional e desenvolvi um forte foco em imunoterapia. Atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, oferecendo tratamentos personalizados, terapias inovadoras e um cuidado integral, sempre com o objetivo de proporcionar as melhores opções para cada paciente. Meu compromisso é que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.


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Pacientes com metástases cerebrais Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para: Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas Prevenir o surgimento de novas lesões Reduzir sintomas neurológicos Postergar radioterapia Dados publicados no New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana. Pacientes recém diagnosticados com doença avançada No estudo FLAURA , considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual. Pacientes operados com alto risco de recidiva Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte. Efeitos colaterais O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança. Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve. Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. O monitoramento com o oncologista reduz riscos e permite ajustes adequados do tratamento quando necessário. Como é feito o diagnóstico das mutações EGFR Para indicar o Osimertinibe corretamente, é essencial identificar as mutações por meio de: Sequenciamento de nova geração (NGS) PCR em tempo real Biópsia líquida (quando o tumor libera DNA no sangue) Esses métodos estão amplamente disponíveis e ajudam a escolher a melhor abordagem terapêutica. Atenção! O NGS é sempre preferível para buscar co-mutações associadas ao EGFR que podem afetar prognóstico e auxiliar na decisão de tratamento, uma vez que hoje há mais de uma opção. Esse método sequencia centenas de genes ao mesmo tempo. Por que isso é decisivo Sem o teste molecular, não é possível confirmar se o tumor depende da via EGFR. Sem essa informação, o tratamento pode não trazer o benefício esperado. Osimertinibe como parte de um tratamento personalizado O plano terapêutico é individualizado e leva em conta o tipo e localização do tumor, o estágio da doença, a existência de metástases e as condições clínicas do paciente. Muitas vezes, o Osimertinibe integra um programa terapêutico que pode incluir: Imunoterapia Quimioterapia Radioterapia Cuidados de suporte Essa integração promove melhor controle, diminui sintomas e contribui para avanços importantes na qualidade de vida. Perguntas frequentes
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