Câncer - Como prevenir?

Dr. Gustavo Schvartsman • 16 de agosto de 2018

Prevenir é o Melhor Remédio


Cerca de 30% dos cânceres podem ser evitados com estilo de vida saudável. Aqui a dica é simples e direta: dieta não funciona. Apenas uma mudança significativa na maneira de encarar o dia-a-dia vai proporcionar a qualidade de vida que se busca - e muitas vezes só percebemos isso quando se recebe um diagnóstico indesejado para si ou familiar próximo.


 Estresse

O controle do estresse é fundamental, e é um dos fatores que menos damos relevância ou nos esforçamos para mudar. Reavalie os aspectos mais básicos do seu dia. Perceba as alterações no seu corpo quando se vê irritado no trânsito, ou frustrado no trabalho. Desacelere, tire pausas para respirar e esvaziar a mente, pratique relaxamento e meditação, mesmo que de curtas durações. Busque se expor a ambientes externos, luz solar (com proteção!). O estresse por si só é fator de risco importante para câncer e doença cardiovascular, além de ser causa de ansiedade, depressão e compulsão alimentar (aquela vontade incontrolável de comer besteira fora de horário, mesmo sem fome).


A​limentação

Alimento bom é alimento natural. Uma dica para todos os momentos - tudo que é processado tende a ser menos saudável. Se não é possível identificar todos os ingredientes do alimento, talvez ele não deva ser consumido. Aqui vão algumas dicas práticas fáceis de ser implementadas:


Horários

Tome um bom café da manhã - o hábito de comer de manhã desperta células do nosso corpo que não são suscetíveis à luz solar e ciclo circadiano. Da mesma maneira, a ultima refeição do dia deve ser cedo e leve, com baixo teor de carboidratos. De noite, nosso corpo foi feito para dormir, e todo carboidrato consumido será estocado rapidamente em gorduras no corpo, desperdiçando o período que seria o de mais quebra de gordura - o sono.

Frequência

Evite comer de 3 em 3 horas, como já ouviu falar. O corpo não tem necessidade de energia com tanta frequência. Esse hábito sobrecarrega o pâncreas, que constantemente é estimulado para produção de insulina, e induz dependência (o que percebemos como fome). O jejum intermitente é uma modalidade que não teve benefícios de longo prazo comprovados, mas tem um racional biológico importante para funcionar. Não acredito, porém, que deva ser tão intenso (24h sem comer), mas de 12-16h de jejum, principalmente a noite (última refeição no final da tarde/começo da noite) pode ser muito útil para perda de peso e longevidade. Evite o jejum intermitente pulando o café da manhã, ou durante o exercício físico.

Alimentos para trocar

- Carboidratos simples e refinados por carboidratos complexos e integrais (todos os nutrientes, como proteínas e fibras, são removidos durante o processo de refinamento): arroz branco para integral (ou negro, ou 7 grãos); pão branco para pão integral multigrãos; massa apenas integral.

Alimentos para evitar

Embutidos (presunto, peito de peru, mortadela), bacon, doces (doces feitos em casa, com ingredientes orgânicos e integrais, e sem açúcar adicionado - estes estão liberados!), chocolates ao leite, refrigerantes (mesmo os Zero, pois contém edulcorantes artificiais e muita acidez), enlatados e congelados.

Alimentos para moderar

Carne vermelha (2x/semana), ovos (4 ovos/semana). Uma dose de bebida alcoólica de 3-5 dias/semana é permitida.

Alimentos para aproveitar

Peixes (de menor porte, para evitar acumulação de mercúrio), hortaliças, legumes, nozes, abacate, frutas, azeite extra-virgem (pouca quantidade, e evite cozinhar com óleo ou manteiga).

Glúten, lactose e afins

Se você não for alérgico ou intolerante, não há malefício para a saúde comprovado. Há quem se sinta bem sem, de forma que não há indicação específica de consumo, assim como a ausência de contra-indicação para evitá-los. A tapioca, por exemplo, que muitos acreditam ser opção mais saudável em relação ao pão por não ter glúten, tem um índice glicêmico muito maior e menos nutrientes como gorduras poli-insaturadas, fibras e proteínas que um pão integral.


Exercício Físico

Extremamente importante, tanto para manutenção do bem-estar mental quando cardiovascular. Ajuda na depressão, ansiedade, compulsão. Traz mais energia e bom humor para o dia-a-dia. É difícil começar, havendo uma curva de adaptação nos primeiros 15-30 dias. Quando praticado em conjunto com mudança alimentar, a mudança na qualidade é visível já no primeiro mês. O objetivo é de pelo menos 30 minutos por dia, 5 dias por semana, mesclando musculação com exercício aeróbio. Procure orientação do seu médico se nunca praticou exercícios para avaliar segurança cardiovascular, e faça com orientação de fisioterapeuta sempre que possível para prevenir lesões!


Proteção solar

Deve ser utilizada todos os dias em áreas expostas para prevenção de câncer de pele e envelhecimento precoce. Os raios ultravioleta (UV) A e B são os principais alvos de proteção, então verifique se seu filtro tem pelo menos FPS 30 e também tem proteção contra UVA (o FPS é referente apenas a UVB). Muitas pessoas utilizam protetor solar apenas na praia no verão, o que pode ser perigoso. A UVB tem maior atividade nessa época, e das 10-16h, e causa a queimadura da pele que percebemos rapidamente. A UVA, porém, está presente em todas as horas do dia e todos os dias do ano, de maneira constante. A UVA é responsável pela inflamação da pele e envelhecimento. Apesar de a UVB estar mais relacionada ao câncer de pele, por induzir diretamente mutações, a inflamação e reações oxidavas causadas pela UVA também pode originar um câncer.


Parar de fumar

O tabagismo é dos piores hábitos que há. Todos sabem dos malefícios do cigarro, e mesmo assim o hábito pode atingir cerca de 30% de determinados países. O hábito de fumar apenas em determinados momentos ("só fumo quando bebo"), e em quantidade menor, também deve ser eliminado, visto que estimula o consumo nas mais diversas situações e cria co-dependência de hábitos ruins, além de por si só já elevar o risco de câncer no longo prazo. O ato de parar de fumar é desafiador, pois há um período curto de abstinência que pode durar dias a semanas. Com frequência, há recaídas, por isso o acompanhamento com um especialista e o engajamento dos amigos e familiares é muito importante. Nunca é tarde para parar. O meu avô, médico, parou de fumar após 70 anos de hábito, infelizmente apenas depois que sua esposa, minha avó, foi diagnosticada com câncer de pulmão, sem nunca ter fumado na vida. Inúmeras pacientes também cessaram o hábito apenas após o diagnóstico, e hoje estão curadas e com uma qualidade de vida muito superior do que antes do câncer. Nós nunca achamos que acontecerá conosco, mas o jeito mais simples de evitar é parar o quanto antes - e quanto mais cedo se para, menos tempo se leva para os riscos diminuírem. Procure inspiração e ajuda para enfrentar esse desafio!


Acompanhamento Médico

O acompanhamento periódico com seu médico é fundamental para se manter atualizado nas melhores recomendações e rastrear doenças que podem ser encontradas na ausência de sintomas. Encontrar um câncer em estágio precoce, antes de causar sintomas, é fundamental para obter as maiores chances de cura.

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Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão? O Osimertinibe beneficia principalmente pacientes com carcinoma de pulmão de não pequenas células que apresentam mutações específicas no gene EGFR, como deleção no éxon 19, L858R e T790M. Esses pacientes respondem melhor porque o tumor depende diretamente dessa via molecular. Introdução O uso do Osimertinibe no câncer de pulmão transformou o tratamento de pacientes com tumores que apresentam mutações específicas no gene EGFR. Esse medicamento marcou uma mudança importante na oncologia ao oferecer maior eficácia, melhor tolerabilidade e capacidade de atuar inclusive em metástases cerebrais. Hoje, ele é considerado o tratamento padrão em várias situações, desde diagnóstico inicial até doença avançada. Este artigo explica quem pode se beneficiar dessa medicação, como ela age, quando é indicada e por que o teste genético é indispensável para orientar a terapia. Continue a leitura para entender como esse avanço pode impactar o tratamento. O que é o Osimertinibe e como ele funciona? O Osimertinibe é um inibidor de tirosina-quinase (TKI) de terceira geração usado no tratamento de tumores pulmonares que apresentam mutações específicas no gene EGFR. Ele foi desenvolvido para bloquear sinalizações que mantêm o crescimento celular descontrolado em muitos casos de carcinoma de pulmão de não pequenas células. Por atuar de forma precisa, tornou-se um dos pilares do tratamento moderno para pacientes com mutações sensíveis e resistentes no EGFR. Mecanismo de ação O medicamento atua de forma seletiva sobre mutações EGFR importantes, como: L858R Deleções no éxon 19 Mutação de resistência T790M Outro aspecto relevante é sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica , permitindo controle eficaz de lesões cerebrais. Por que isso importa Ao bloquear a via EGFR, o Osimertinibe interrompe sinais que estimulam a proliferação tumoral. Como resultado, reduz o crescimento do tumor e prolonga a sobrevida . Evidências mostram benefício consistente até mesmo em pessoas previamente tratadas com outros TKIs, reforçando seu papel como terapia de alto impacto. Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão Pacientes com mutações EGFR sensibilizantes O grupo mais beneficiado inclui pessoas com: Deleções no éxon 19 L858R no éxon 21 Algumas outras alterações mais raras no EGFR Pacientes com mutação T790M A mutação T790M aparece como forma de resistência em aproximadamente 50 a 60 por cento dos pacientes tratados com TKIs de gerações anteriores. O Osimertinibe foi o primeiro TKI a demonstrar eficácia comprovada contra essa alteração, com impacto direto no controle da doença. Pacientes com metástases cerebrais Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para: Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas Prevenir o surgimento de novas lesões Reduzir sintomas neurológicos Postergar radioterapia Dados publicados no New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana. Pacientes recém diagnosticados com doença avançada No estudo FLAURA , considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual. Pacientes operados com alto risco de recidiva Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte. Efeitos colaterais O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança. Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve. Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. O monitoramento com o oncologista reduz riscos e permite ajustes adequados do tratamento quando necessário. Como é feito o diagnóstico das mutações EGFR Para indicar o Osimertinibe corretamente, é essencial identificar as mutações por meio de: Sequenciamento de nova geração (NGS) PCR em tempo real Biópsia líquida (quando o tumor libera DNA no sangue) Esses métodos estão amplamente disponíveis e ajudam a escolher a melhor abordagem terapêutica. Atenção! O NGS é sempre preferível para buscar co-mutações associadas ao EGFR que podem afetar prognóstico e auxiliar na decisão de tratamento, uma vez que hoje há mais de uma opção. Esse método sequencia centenas de genes ao mesmo tempo. Por que isso é decisivo Sem o teste molecular, não é possível confirmar se o tumor depende da via EGFR. Sem essa informação, o tratamento pode não trazer o benefício esperado. Osimertinibe como parte de um tratamento personalizado O plano terapêutico é individualizado e leva em conta o tipo e localização do tumor, o estágio da doença, a existência de metástases e as condições clínicas do paciente. Muitas vezes, o Osimertinibe integra um programa terapêutico que pode incluir: Imunoterapia Quimioterapia Radioterapia Cuidados de suporte Essa integração promove melhor controle, diminui sintomas e contribui para avanços importantes na qualidade de vida. Perguntas frequentes
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