Rastreamento de Câncer: Quando e Por Que Fazer Exames Regulares?

Gustavo Schvartsman • 8 de abril de 2024

O rastreamento de câncer é uma ferramenta essencial na luta contra essa doença, permitindo a detecção precoce e aumentando as chances de tratamento eficaz. Compreender a importância destes exames e saber quando eles são recomendados pode fazer uma diferença significativa na prevenção e no combate ao câncer. Continue a leitura e conheça os diferentes tipos de rastreamento de câncer e as diretrizes clínicas para os exames.


A Importância do Rastreamento de Câncer


O rastreamento de câncer é um processo preventivo que consiste na
realização de exames médicos em pessoas sem sintomas aparentes, com o objetivo de identificar precocemente a presença de células cancerígenas. Esta prática é crucial para diversos tipos de câncer, particularmente para o câncer de mama e colorretal, pois permite o diagnóstico em estágios iniciais da doença. A detecção precoce desses tipos de câncer aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento, permitindo tratamentos mais eficazes e, muitas vezes, menos invasivos.


A identificação precoce de alterações suspeitas permite intervenções em um momento em que o câncer está mais confinado e tratável, reduzindo a necessidade de tratamentos mais agressivos e melhorando as taxas de sobrevivência. Além disso, o rastreamento regular ajuda a estabelecer uma linha de base da saúde do paciente, facilitando o monitoramento ao longo do tempo e a rápida ação em caso de mudanças.


Quando Realizar o Rastreamento e Programa de Rastreamento


O momento apropriado para iniciar o rastreamento do câncer depende de vários fatores, incluindo o tipo específico de câncer, os fatores de risco individuais do paciente, e as diretrizes clínicas estabelecidas por organizações de saúde.


Câncer de mama


Para o câncer de mama, é recomendado que mulheres iniciem o rastreamento através de mamografias anuais a partir dos 40 anos. Esta recomendação pode variar dependendo dohistórico pessoal e familiar de câncer de mama, bem como de fatores genéticos, como a presença de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2.


Mulheres com alto risco de câncer de mama podem ser aconselhadas a começar o rastreamento mais cedo ou a utilizar métodos adicionais de rastreamento, como ressonância magnética.


Câncer de colo do útero


Para o Câncer de Colo do Útero, os programas de rastreamento geralmente incluem exames de Papanicolau, que detectam células anormais no colo do útero, e testes de HPV, para identificar a presença do vírus do papiloma humano, um importante fator de risco para o câncer cervical. É recomendado a partir dos 21 anos de idade, com citologia (Papanicolau) a cada 3 anos. Após os 30 anos, a citologia pode ser substituída ou acrescida do teste para o vírus do HPV, a cada 5 anos. Realiza-se o rastreamento até os 65 anos de idade, podendo variar a depender de resultados pregressos e expectativa de vida.


Câncer colorretal


No caso do Câncer Colorretal, os programas de rastreamento frequentemente recomendam colonoscopias, que permitem a visualização interna do cólon e a remoção de pólipos, e testes de fezes para detectar sangue oculto, que podem ser indicativos de câncer. A colonoscopia está indicada a partir dos 45-50 anos de idade, com intervalos que dependem da quantidade de pólipos identificada. O teste de sangue oculto nas fezes, se realizado, deve ser feito anualmente.


Câncer de pulmão


Para o rastreamento do câncer de pulmão, recomenda-se geralmente que pessoas com histórico significativo de tabagismo (pelo menos 15 anos fumando um maço por dia) e idade entre 50 e 80 anos façam um exame anual de tomografia computadorizada de baixa dosagem. Este rastreamento é particularmente importante para fumantes atuais ou aqueles que pararam de fumar em até 15 anos, pois são eficazes na detecção precoce de cânceres pulmonares. A mortalidade é reduzida em 20% pelo aumento de detecção de tumores em estágio I.


Câncer de próstata


O rastreamento do câncer de próstata geralmente envolve o exame de Antígeno Prostático Específico (PSA) no sangue, com recomendações variando baseadas em idade, raça e história familiar. Homens a partir dos 50 anos, ou 40 anos para aqueles com alto risco, devem discutir os benefícios e riscos do rastreamento com seu médico. A discussão envolve a chance de detectar (e por consequência tratar) tumores que não trariam risco à vida do paciente, por serem muito indolentes. Minha recomendação é de rastrear e detectar esses cânceres, porém discutir com os resultados em mãos quais pacientes de fato precisam de tratamento cirúrgico ou radioterápico.


Câncer de pele


Já o rastreamento de câncer de pele envolve autoexames regulares da pele para identificar novas lesões ou mudanças em lesões existentes. Pessoas com alto risco, como aquelas com história familiar de melanoma ou com muitas pintas atípicas (mais de 50), devem considerar avaliações dermatológicas regulares.


Câncer de Cabeça e Pescoço


O rastreamento para câncer de cabeça e pescoço não é rotineiramente recomendado para a população em geral. No entanto, indivíduos com alto risco, como os que têm um histórico prolongado de uso de tabaco e álcool, devem realizar exames regulares e prestar atenção a sintomas como lesões na boca, dor persistente na garganta e dificuldades de deglutição.


Câncer de rim


Para o câncer de rim não existem diretrizes específicas para o rastreamento rotineiro na população em geral. No entanto, pessoas com fatores de risco elevados, como histórico familiar da doença, podem necessitar de exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia computadorizada.


Câncer de tireoide


Para o câncer de tireoide, o rastreamento não é rotineiramente indicado, apesar de ser muito solicitado por clínicos e ginecologistas. A detecção precoce desse câncer não reduz mortalidade, diferente dos demais acima. Dessa forma, não há necessidade de encontrar um tumor de 1 cm, pois sua chance de cura não difere muito de um câncer de tamanho maior, pelo bom prognóstico da doença. Inclusive, muitos dos nódulos cancerosos não evoluem, que hoje podem ser vigiados em vez de operados.


Síndromes Genéticas


Para pacientes portadores de síndromes genéticas associadas a tipos de cânceres, há protocolos variados que dependem da probabilidade de um câncer surgir ao longo da vida. Mutações no BRCA1/2 exigem rastreamento de câncer de mama e ovário. Mutações no TP53, que configuram síndrome de Li-Fraumeni, aumentam o risco para diversos tipos de câncer, com protocolo semestral de rastreamento de boa parte do corpo.


É essencial que cada paciente
discuta com seu médico as melhores práticas de rastreamento para suas circunstâncias individuais, incluindo a frequência dos exames. A adesão às diretrizes de rastreamento pode aumentar a probabilidade de detecção precoce do câncer, melhorando significativamente as chances de um resultado positivo no tratamento.


Perguntas Relacionadas e Frequentes


Qual o objetivo do rastreamento do câncer?

O objetivo do rastreamento de câncer é detectar a doença em seus estágios iniciais em pessoas assintomáticas, aumentando as chances de tratamento bem-sucedido e reduzindo a mortalidade.


Quais exames para rastreio de câncer?

Os exames para rastreio de câncer incluem mamografia para câncer de mama, exame de Papanicolau para câncer de colo do útero, colonoscopia para câncer colorretal, exame de PSA para câncer de próstata e tomografia computadorizada de baixa dosagem para câncer de pulmão.


Quando fazer colonoscopia de rastreio?

Geralmente, recomenda-se iniciar a colonoscopia de rastreio aos 50 anos para a população em geral e mais cedo para aqueles com alto risco, como histórico familiar de câncer colorretal, e continuar até os 75 anos, a menos que haja recomendações específicas do médico com base em fatores de risco individuais.


Quais são os tipos comuns de câncer que têm programas de rastreamento?

Os tipos comuns incluem câncer de mama, colo do útero, colorretal, pulmão e próstata, cada um com diretrizes específicas para rastreamento.


A que idade devo começar o rastreamento de câncer?

A idade recomendada varia conforme o tipo de câncer e fatores de risco individuais, mas geralmente começa aos 50 anos para a maioria dos cânceres.


O rastreamento de câncer é seguro?

Sim, os exames de rastreamento são seguros e ferramentas importantes na detecção precoce de câncer, embora alguns possam ter riscos que devem ser discutidos com um médico.


Todos precisam fazer rastreamento de câncer?

O rastreamento é mais benéfico para pessoas com risco elevado devido à idade, histórico familiar ou outros fatores de risco específicos.


Qual é a diferença entre rastreamento e diagnóstico de câncer?

O rastreamento é para pessoas sem sintomas e visa detectar câncer precoce, enquanto o diagnóstico ocorre após o aparecimento de sintomas para confirmar a presença de câncer.


Com que frequência devo fazer rastreamento de câncer?

A frequência varia dependendo do tipo de câncer e dos fatores de risco individuais, mas geralmente é anual ou bienal.


O rastreamento de câncer pode prevenir a doença?

O rastreamento não previne o câncer, mas pode detectá-lo em estágios iniciais, quando o tratamento é mais eficaz, aumentando as chances de cura e sobrevida.


Quais avanços tecnológicos recentes têm sido incorporados no rastreamento de câncer?

Avanços recentes incluem o uso de inteligência artificial para melhorar a precisão dos diagnósticos por imagem, testes genéticos avançados para identificar riscos hereditários e técnicas de biópsia líquida, que detectam vestígios de DNA de câncer em amostras de sangue.


Os rastreamentos de câncer podem ser personalizados com base em fatores étnicos ou raciais, que possuem diferentes taxas de prevalência para certos tipos de câncer?

Sim, os rastreamentos podem ser personalizados considerando que alguns grupos étnicos ou raciais têm maior prevalência de certos tipos de câncer. Por exemplo, homens afrodescendentes têm maior risco de câncer de próstata, o que pode justificar um rastreamento mais precoce ou frequente.


Há recomendações de rastreamento de câncer específicas para pessoas que já tiveram câncer no passado?

Sim, pessoas que já tiveram câncer muitas vezes seguem um protocolo de rastreamento mais rigoroso, pois podem ter um risco aumentado de desenvolver um novo câncer ou uma recorrência do câncer anterior. Esses protocolos são personalizados com base no tipo de câncer anterior e outros fatores de risco individuais.


Conclusão


O rastreamento de câncer é uma parte essencial da saúde preventiva. É importante seguir as recomendações dos profissionais de saúde sobre quando iniciar o rastreamento e com que frequência. Compartilhe este artigo para que outros possam se beneficiar com essas informações.


Você já fez o seu exame de rastreamento este ano?


Se você está em busca de um especialista em oncologia clínica para prevenção e rastreamento de câncer, conheça o Dr. Gustavo Schvartsman, formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo e com especialização no MD Anderson Cancer Center, ele traz experiência internacional e um forte foco em imunoterapia. Atuando no Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Gustavo oferece tratamentos personalizados, incluindo terapias de última geração e um cuidado integral, garantindo que cada paciente receba as melhores opções de tratamento disponíveis. Para mais informações navegue no site ou para agendar uma consulta clique aqui.


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Pacientes com metástases cerebrais Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para: Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas Prevenir o surgimento de novas lesões Reduzir sintomas neurológicos Postergar radioterapia Dados publicados no New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana. Pacientes recém diagnosticados com doença avançada No estudo FLAURA , considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. 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