Vacina do vírus HPV: por que, para quem e quando?

Dr. Gustavo Schvartsman • 8 de julho de 2019

Cerca de 80% das pessoas - homens e mulheres - terão uma infecção pelo papilomavírus humano (HPV) em algum momento de suas vidas. O HPV é transmitido por contato íntimo, de pele a pele. Embora a maioria dos casos seja transmitida sexualmente, as pessoas que não tiveram relação sexual podem ser infectadas.

 

Existem muitas cepas do vírus HPV. Vários tipos estão associados ao desenvolvimento de câncer. A maioria das pessoas com HPV não sabe que estão infectadas e nunca desenvolvem sintomas ou problemas de saúde, pois o corpo geralmente lida com o vírus sem necessidade de tratamento. Quando o vírus permanece, em estado latente, porém, pode levar a problemas de saúde, como verrugas genitais e vários tipos de câncer, incluindo:

 

- Câncer de colo de útero


- Câncer anal


- Câncer de pênis


- Câncer de garganta

 

Testes de triagem (exame de Papanicolaou) podem determinar se uma mulher tem HPV. Não há exame de triagem para detectar HPV ou cânceres relacionados ao HPV em homens, e não há tratamentos para o vírus em si. No entanto, existem maneiras de tratar problemas de saúde relacionados ao HPV, como lesões pré-cancerosas e verrugas genitais.

 

A principal medida, logo, é a prevenção - já existe vacinação eficaz contra as cepas mais comuns do HPV, que são responsáveis pela maioria dos tumores tanto benignos quanto malignos. Essa vacina deve ser administrada em crianças, em idade que antecede o início de qualquer atividade sexual. No SUS, a vacina tetravalente, que abrange os sorotipos 6, 11 (causam condilomas, ou verrugas genitais, que são lesões benignas), 16 e 18 (causam o câncer) é distribuída gratuitamente para:

 

- Meninas: 9-14 anos


- Meninos: 11-14 anos


- Portadores de HIV ou transplantados: 9-26 anos

 

Já se sabe que a vacina é segura para ser tomada até os 45 anos de idade, de forma que quem não tomou mas ainda tem comportamento de risco (múltiplos parceiros, sem uso de preservativos) pode tomar, uma vez que talvez não tenha contraído diferentes cepas do vírus. Nesse caso, porém, a vacina ainda não é gratuita.

 

No Brasil, recentemente foi aprovada a vacina 9-valente, que abrange, além dos 4 supracitados, os sorotipos 31, 33, 45, 52, e 58. Ela é a vacina mais indicada, mas apresenta custo mais elevado e a disponibilidade ainda não é integral. Estima-se que a vacinação contra os sorotipos 16 e 18 confira proteção para 70% dos casos de câncer de colo de útero e 90% dos cânceres de garganta (orofaringe). A vacina 9-valente aumenta a cobertura de câncer de colo uterino para 90%.

 

É importante destacar que mesmo crianças do sexo masculino devem receber a vacina, uma vez que os cânceres de garganta, pênis e ânus relacionados ao HPV vêm subindo vertiginosamente em incidência na população masculina.

 

Vacinem seus filhos e vamos eliminar as doenças causadas por esse vírus.

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Continue a leitura para entender como esse avanço pode impactar o tratamento. O que é o Osimertinibe e como ele funciona? O Osimertinibe é um inibidor de tirosina-quinase (TKI) de terceira geração usado no tratamento de tumores pulmonares que apresentam mutações específicas no gene EGFR. Ele foi desenvolvido para bloquear sinalizações que mantêm o crescimento celular descontrolado em muitos casos de carcinoma de pulmão de não pequenas células. Por atuar de forma precisa, tornou-se um dos pilares do tratamento moderno para pacientes com mutações sensíveis e resistentes no EGFR. Mecanismo de ação O medicamento atua de forma seletiva sobre mutações EGFR importantes, como: L858R Deleções no éxon 19 Mutação de resistência T790M Outro aspecto relevante é sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica , permitindo controle eficaz de lesões cerebrais. Por que isso importa Ao bloquear a via EGFR, o Osimertinibe interrompe sinais que estimulam a proliferação tumoral. Como resultado, reduz o crescimento do tumor e prolonga a sobrevida . Evidências mostram benefício consistente até mesmo em pessoas previamente tratadas com outros TKIs, reforçando seu papel como terapia de alto impacto. Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão Pacientes com mutações EGFR sensibilizantes O grupo mais beneficiado inclui pessoas com: Deleções no éxon 19 L858R no éxon 21 Algumas outras alterações mais raras no EGFR Pacientes com mutação T790M A mutação T790M aparece como forma de resistência em aproximadamente 50 a 60 por cento dos pacientes tratados com TKIs de gerações anteriores. O Osimertinibe foi o primeiro TKI a demonstrar eficácia comprovada contra essa alteração, com impacto direto no controle da doença. Pacientes com metástases cerebrais Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para: Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas Prevenir o surgimento de novas lesões Reduzir sintomas neurológicos Postergar radioterapia Dados publicados no New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana. Pacientes recém diagnosticados com doença avançada No estudo FLAURA , considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual. Pacientes operados com alto risco de recidiva Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte. Efeitos colaterais O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança. Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve. Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. O monitoramento com o oncologista reduz riscos e permite ajustes adequados do tratamento quando necessário. Como é feito o diagnóstico das mutações EGFR Para indicar o Osimertinibe corretamente, é essencial identificar as mutações por meio de: Sequenciamento de nova geração (NGS) PCR em tempo real Biópsia líquida (quando o tumor libera DNA no sangue) Esses métodos estão amplamente disponíveis e ajudam a escolher a melhor abordagem terapêutica. Atenção! O NGS é sempre preferível para buscar co-mutações associadas ao EGFR que podem afetar prognóstico e auxiliar na decisão de tratamento, uma vez que hoje há mais de uma opção. Esse método sequencia centenas de genes ao mesmo tempo. Por que isso é decisivo Sem o teste molecular, não é possível confirmar se o tumor depende da via EGFR. Sem essa informação, o tratamento pode não trazer o benefício esperado. 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