Vacina da gripe em pacientes com câncer - pode ser tomada?

Dr. Gustavo Schvartsman • 20 de maio de 2019

Com o inverno chegando, o vírus da gripe volta a ser uma preocupação de saúde, particularmente em pacientes de grupos de risco elevado, como gestantes, idosos e pacientes com câncer. Aqui respondo algumas perguntas frequentes relacionadas à vacina dentro do contexto oncológico.

 

As pessoas com câncer devem tomar a vacina contra a gripe?


Tomar a vacina contra a gripe é recomendado para a maioria das pessoas com câncer e sobreviventes de câncer. Seus familiares são incentivados a receber vacinas contra a gripe também. As vacinas contra a gripe fazem com que o organismo produza anticorpos que o protejam contra a infecção pelo vírus da gripe (influenza).

 

Por que prevenir?


Na maioria das pessoas, a gripe causa uma doença leve, com dores no corpo, febre, cansaço e tosse, que geralmente desaparece em duas semanas. Mas a gripe também pode causar graves consequências, que podem até ser fatais. Pessoas com câncer ou histórico de câncer têm maior probabilidade de apresentar problemas de maior gravidade se contraírem a gripe, assim como mulheres grávidas, crianças pequenas, pessoas com mais de 65 anos e pessoas com doenças pulmonares, cardíacas, diabetes e outros problemas médicos. Essas populações tem maior risco de internação hospitalar e inclusive morte pela infecção do vírus influenza.

 

Quando a vacina deve ser tomada?


Assim que ela estiver disponível para a próxima temporada de gripe, de preferência até Maio. Os anticorpos produzidos como resposta à vacina levam até 2 semanas para proporcionarem proteção. É por isso que você deve tomar a vacina contra a gripe assim que puder - para que seu corpo tenha tempo de formar a proteção que você precisa para a temporada de gripe.

 

Que tipos de vacinas contra a gripe são recomendadas para pessoas com câncer?


Pessoas com câncer têm que ter cuidado com o tipo de vacina contra a gripe que recebem. Existem duas formas principais de vacinas contra a gripe: as vacinas vivas são feitas de vírus vivos enfraquecidos e administradas como um spray nasal - as pessoas com câncer NÃO devem receber a vacina do spray nasal. Vacinas inativadas são feitas de vírus mortos, por meio de uma injeção intramuscular. No Brasil, temos apenas a vacina inativada disponível. Pessoas com câncer devem tomar as vacinas feitas por vírus inativados, de forma que não há risco de contrair a doença, mesmo com um sistema imunológico debilitado.

 

Posso tomar uma vacina contra a gripe durante o tratamento do câncer?


Sim, as pessoas que recebem tratamento contra o câncer (por exemplo, radiação ou quimioterapia) devem tomar a vacina contra a gripe. O câncer e seu tratamento podem enfraquecer o sistema imunológico, o que os coloca em maior risco de problemas sérios e até mesmo com risco de vida se contrair a gripe. Muitas pessoas com câncer se preocupam que a vacina contra a gripe as deixará doentes, mas a vacina não causa a gripe, justamente pelas partículas de vírus nela contidas serem inativadas, mortas. Algumas pessoas apresentam sintomas leves, como febre baixa ou dores musculares, como reação. Esses sintomas não são causados por gripe, mas sim ​​pela resposta do sistema imunológico à vacina contra a gripe e devem desaparecer em um ou dois dias. Durante uma quimioterapia, há a preocupação de que a resposta montada seja inefetiva, por uma baixa contagem de glóbulos brancos (células de defesa). Apesar de não haver estudos, pode-se tomar antes de iniciar o tratamento, ou entre os ciclos (faltando uma semana para iniciar o novo ciclo é um período onde geralmente as células estão próximas da normalidade).

 

E os familiares e cuidadores?


É recomendado que as pessoas que vivem com ou cuidam de uma pessoa com alto risco de contrair gripe também recebam a vacina. Isso significa que, se você estiver em tratamento contra o câncer, seus familiares, cuidadores e crianças de seis meses ou mais que moram em casa devem tomar a vacina.

 

Há contraindicações?


Pessoas alérgicas a ovos de galinha ou outro ingrediente usado na vacina contra a gripe podem ter uma reação alérgica à vacina contra a gripe. Converse com seu médico sobre suas reações aos ovos e qualquer outra alergia que você tenha antes de tomar a vacina.

 

Eu tive câncer, mas não tenho sinais de câncer agora. Ainda é perigoso para eu pegar a gripe?


Sim. Se você já teve câncer, pode ter um risco maior de problemas graves se estiver gripado, mesmo que esteja sem câncer ativo.

 

Por que preciso de uma vacina contra a gripe todos os anos?


A vacina contra a gripe é uma vacina sazonal. Isso ocorre pois o vírus é capaz de apresentar mutações, que mudam a sensibilidade ao sistema imunológico todos os anos. Dessa forma, a vacina necessita ser atualizada a cada ano para proteger contra as novas cepas do vírus da gripe que provavelmente causarão doenças na próxima temporada de gripe. É possível contrair a gripe mesmo se você receber a injeção, mas a doença provavelmente será mais leve do que se você não tivesse sido vacinado.

 

O que posso fazer para me proteger da gripe?


A melhor maneira de evitar a gripe é através da vacina. De qualquer maneira, é importante evitar o contato com pessoas com sintomas gripais (coriza nasal, tosse, espirros, febre, dor de garganta, dor de cabeça, dores no corpo e indisposição), e sempre lavar as mãos ou higienizá-las com álcool gel, particularmente após contato com pessoas e lugares públicos.


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Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. 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O monitoramento com o oncologista reduz riscos e permite ajustes adequados do tratamento quando necessário. Como é feito o diagnóstico das mutações EGFR Para indicar o Osimertinibe corretamente, é essencial identificar as mutações por meio de: Sequenciamento de nova geração (NGS) PCR em tempo real Biópsia líquida (quando o tumor libera DNA no sangue) Esses métodos estão amplamente disponíveis e ajudam a escolher a melhor abordagem terapêutica. Atenção! O NGS é sempre preferível para buscar co-mutações associadas ao EGFR que podem afetar prognóstico e auxiliar na decisão de tratamento, uma vez que hoje há mais de uma opção. Esse método sequencia centenas de genes ao mesmo tempo. Por que isso é decisivo Sem o teste molecular, não é possível confirmar se o tumor depende da via EGFR. Sem essa informação, o tratamento pode não trazer o benefício esperado. 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