Biópsia líquida e ctDNA: o exame de sangue pode indicar uma recidiva antes da tomografia?

Gustavo Schvartsman • 28 de outubro de 2026

Compartilhe esse artigo

Por Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica, CRM-SP 156477 e RQE 87552.


Como um exame de sangue detecta a volta do câncer antes dos exames de imagem?

Por meio da análise do ctDNA, o DNA tumoral circulante é liberado pelas células cancerígenas na corrente sanguínea. Em alguns pacientes, esse material genético pode ser detectado antes que uma nova lesão seja grande o suficiente para aparecer em exames de imagem, como tomografia ou ressonância. No entanto, o resultado deve sempre ser interpretado junto com a avaliação clínica e outros exames, pois não confirma, isoladamente, a recorrência do câncer.


Introdução


A medicina de precisão tem transformado a forma como o câncer é acompanhado após o tratamento. Entre os avanços mais promissores está a
análise do ctDNA, uma tecnologia que permite identificar pequenos fragmentos de DNA tumoral circulando no sangue. Em alguns pacientes, esse exame pode detectar sinais de doença residual ou recorrência antes mesmo que alterações apareçam na tomografia ou em outros exames de imagem.


Mas isso significa que o ctDNA substitui os métodos tradicionais de acompanhamento? Quem realmente pode se beneficiar dessa estratégia?
Continue a leitura e ao longo deste artigo você entenderá como funciona esse exame, quais são suas indicações atuais, suas limitações e o papel do ctDNA no acompanhamento do câncer.


O que é ctDNA?


O ctDNA, sigla para “circulating tumor DNA ou DNA tumoral circulante”, corresponde a
pequenos fragmentos de material genético liberados pelas células cancerígenas na corrente sanguínea. Esses fragmentos carregam alterações próprias do tumor e podem ser identificados por técnicas de biologia molecular cada vez mais sensíveis.


Diferentemente da biópsia convencional, que exige a retirada de uma
amostra do tecido tumoral, a análise do ctDNA é feita a partir de uma coleta de sangue.


Nos últimos anos, o ctDNA ganhou destaque por permitir acompanhar mudanças moleculares do tumor ao longo do tempo. Em determinadas situações, ele pode auxiliar na identificação de mutações, na avaliação da resposta ao tratamento e no monitoramento da doença, sempre como parte de uma análise clínica mais ampla.


Como funciona a biópsia líquida?


A
biópsia líquida consiste na análise de uma amostra de sangue em busca de substâncias liberadas pelo tumor, principalmente o ctDNA. Depois da coleta, o material passa por exames laboratoriais capazes de identificar alterações genéticas associadas às células cancerígenas.


Dependendo da situação clínica, esse tipo de análise pode fornecer informações importantes para o acompanhamento da doença. Entre suas principais aplicações estão:


  • Identificação de mutações relacionadas ao câncer
  • Pesquisa de alterações que possam orientar terapias-alvo
  • Avaliação de possíveis mecanismos de resistência ao tratamento
  • Monitoramento da resposta às terapias ao longo do tempo
  • Investigação de sinais de doença residual ou de recorrência em casos selecionados


Embora seja uma tecnologia bastante promissora,
nem todos os tumores liberam quantidades suficientes de ctDNA para serem detectadas. Além disso, a capacidade do exame varia conforme o tipo de câncer, o estágio da doença e a tecnologia utilizada pelo laboratório.


Assista ao vídeo: Biópsia Líquida na Oncologia: Conheça 3 Casos Clínicos



O que significa doença residual mínima?


Após um tratamento com intenção curativa, como cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, muitos pacientes apresentam exames de imagem sem sinais aparentes de câncer. Ainda assim, em alguns casos,
pequenas quantidades de células tumorais podem permanecer no organismo.


Essa situação é chamada de doença residual mínima. Como essas células são muito pequenas para serem identificadas por tomografia, ressonância magnética ou PET-CT, elas podem passar despercebidas nos exames convencionais.


É justamente nesse cenário que o ctDNA desperta grande interesse. Em alguns pacientes, o exame
consegue identificar fragmentos de DNA tumoral liberados por essas células remanescentes, oferecendo uma indicação precoce de que ainda existe atividade tumoral.


No entanto, um resultado positivo para ctDNA não significa automaticamente que haverá uma recorrência clínica. Da mesma forma, um resultado negativo não elimina completamente essa possibilidade. A interpretação deve considerar o histórico do paciente, o tipo de câncer, os tratamentos realizados e os demais exames de acompanhamento.


Como o ctDNA pode detectar a volta do câncer antes dos exames de imagem?


Uma das aplicações mais promissoras do ctDNA é o
acompanhamento de pacientes após o tratamento do câncer.


Quando a doença volta a se desenvolver, as células tumorais podem começar a liberar DNA na corrente sanguínea antes que o crescimento seja suficiente para formar uma lesão detectável pelos exames de imagem.


Isso significa que, em determinadas situações, alterações moleculares podem ser identificadas meses antes de uma tomografia ou ressonância mostrar sinais claros de recorrência.


Essa informação pode contribuir para um acompanhamento mais individualizado e ajudar a equipe médica a entender melhor a evolução da doença. Entretanto,
a simples detecção de ctDNA não determina, por si só, uma mudança imediata no tratamento. A decisão depende do contexto clínico, do tipo de câncer, dos exames complementares e das evidências disponíveis para cada situação.


Por esse motivo, o uso do ctDNA para monitorar recorrência ainda é indicado de forma criteriosa e individualizada.


Em quais tipos de câncer o ctDNA tem sido mais estudado?


O uso do ctDNA vem sendo ampliado em diferentes áreas da oncologia e já demonstra resultados relevantes em alguns tipos de tumor.


Entre os cânceres mais estudados estão:


  • Câncer de mama
  • Câncer colorretal
  • Câncer de pulmão
  • Melanoma
  • Câncer de bexiga
  • Câncer de pâncreas
  • Câncer de próstata (em algumas situações)


Em alguns desses tumores, a análise do ctDNA já pode auxiliar na escolha do tratamento ou no acompanhamento da doença. Em outros, seu uso ainda está sendo incorporado gradualmente à prática clínica, conforme surgem novas evidências e novas aplicações.


O ctDNA substitui a tomografia ou outros exames de imagem?


Embora o ctDNA represente um avanço importante, ele
não substitui os exames de imagem.


Enquanto a biópsia líquida fornece informações sobre alterações moleculares do tumor, exames como tomografia computadorizada, ressonância magnética e PET-CT mostram onde a doença está localizada, qual é seu tamanho e como ela se comporta no organismo.


Na prática, essas ferramentas são
complementares.


Mesmo quando o ctDNA sugere atividade tumoral, os exames de imagem
continuam sendo fundamentais para confirmar a presença de lesões, avaliar sua extensão e definir a melhor estratégia terapêutica.


Da mesma forma, um exame de imagem normal não impede que o médico utilize o ctDNA quando há indicação para monitoramento molecular.


Quais são as limitações do ctDNA?


Apesar dos avanços tecnológicos, o ctDNA apresenta limitações que precisam ser consideradas durante sua interpretação.


Entre elas estão:


  • Alguns tumores liberam pouca quantidade de DNA tumoral na circulação
  • Lesões muito pequenas podem não gerar níveis detectáveis de ctDNA
  • A sensibilidade do exame varia conforme o tipo de câncer
  • Métodos laboratoriais diferentes podem apresentar desempenhos distintos
  • Nem todas as alterações detectadas exigem mudança imediata na estratégia de tratamento


Além disso, existem situações em que o exame pode não identificar alterações mesmo na presença de doenças. Por isso, seus resultados nunca devem ser analisados isoladamente, mas sempre em conjunto com a avaliação clínica, exames laboratoriais e exames de imagem.


O ctDNA já faz parte da rotina de todos os pacientes?


Embora a tecnologia esteja cada vez mais disponível, o ctDNA ainda não faz parte do acompanhamento de todos os pacientes com câncer.


A indicação depende de fatores como tipo de tumor, estágio da doença, objetivo do exame, tratamentos já realizados, disponibilidade da tecnologia e potencial impacto do resultado nas decisões terapêuticas.


Em muitos casos, o exame é solicitado quando pode fornecer informações que realmente contribuam para o planejamento do tratamento ou para o acompanhamento da doença. Por isso, a decisão deve ser sempre individualizada e discutida com o
oncologista.


Qual é o futuro da biópsia líquida na oncologia?


A tendência é que a análise do ctDNA tenha um papel cada vez mais importante na oncologia nos próximos anos.


Com o avanço das tecnologias de sequenciamento molecular, espera-se que esse exame contribua para:


  1. Detectar sinais de recorrência de forma cada vez mais precoce
  2. Avaliar a resposta aos tratamentos durante sua realização
  3. Identificar alterações relacionadas à resistência terapêutica
  4. Auxiliar na escolha de tratamentos personalizados
  5. Tornar o acompanhamento dos pacientes menos invasivo


Embora ainda existam desafios e situações em que seu uso permanece em evolução, a biópsia líquida representa um dos exemplos mais claros de como a medicina de precisão vem transformando o cuidado oncológico, permitindo que decisões sejam tomadas com base nas características biológicas de cada tumor e nas necessidades de cada paciente.


Perguntas frequentes


  • O que é ctDNA e qual é sua relação com a biópsia líquida?

    O ctDNA é o DNA tumoral circulante, formado por pequenos fragmentos de material genético liberados pelas células cancerígenas na corrente sanguínea. Ele pode ser analisado por meio da biópsia líquida para fornecer informações sobre o comportamento molecular do tumor.


  • Como a biópsia líquida detecta sinais do câncer em um exame de sangue?

    A biópsia líquida analisa uma amostra de sangue em busca de ctDNA e outras substâncias liberadas pelo tumor. Com técnicas de alta sensibilidade, é possível identificar alterações genéticas que ajudam no acompanhamento e, em alguns casos, na escolha do tratamento.


  • A biópsia líquida substitui a biópsia tradicional?

    Não. A biópsia tradicional continua sendo o principal método para confirmar o diagnóstico de muitos tipos de câncer. A biópsia líquida é uma ferramenta complementar, indicada em situações específicas para monitoramento e avaliação molecular.


  • Quais tipos de câncer podem ser acompanhados com ctDNA?

    O ctDNA tem sido estudado e utilizado em diferentes cenários, principalmente nos cânceres de pulmão, mama, colorretal, próstata, melanoma, pâncreas e bexiga. A indicação depende do tipo de tumor e do objetivo do exame.


  • O ctDNA pode detectar a volta do câncer antes da tomografia?

    Em alguns pacientes, sim. O ctDNA pode identificar sinais de atividade tumoral antes que uma recorrência seja visível nos exames de imagem. No entanto, os resultados devem sempre ser interpretados junto com a avaliação clínica e outros exames.


  • Um resultado positivo para ctDNA significa que o câncer voltou?

    Não necessariamente. A presença de ctDNA pode indicar atividade tumoral, mas não confirma, isoladamente, uma recorrência clínica. O resultado precisa ser interpretado em conjunto com exames de imagem, histórico do paciente e avaliação do oncologista.

  • É possível que o ctDNA deixe de ser detectado após um tratamento bem-sucedido?

    Sim. Em alguns pacientes, o ctDNA torna-se indetectável após uma boa resposta ao tratamento. Esse é um dado positivo, mas não elimina a necessidade de continuar o acompanhamento com consultas e outros exames.


  • Se o ctDNA estiver negativo, significa que não há mais câncer?

    Não obrigatoriamente. Um resultado negativo reduz a probabilidade de doença detectável pelo exame, mas não exclui completamente a presença de células tumorais. O acompanhamento continua sendo feito com consultas, exames de imagem e outros métodos indicados para cada caso.


  • A utilidade do ctDNA é a mesma para todos os tipos de câncer?

    Não. O desempenho e as aplicações do exame variam conforme o tipo de tumor. Em alguns cânceres, seu uso já faz parte da prática clínica em situações específicas, enquanto em outros ainda está sendo incorporado com base nas evidências mais recentes.



Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman


O ctDNA representa um dos avanços mais importantes da oncologia moderna ao
permitir acompanhar o comportamento molecular do câncer por meio de um exame de sangue. Em situações específicas, ele pode identificar sinais de doença residual ou recorrência antes que alterações apareçam nos exames de imagem, contribuindo para um acompanhamento mais individualizado.



Apesar desse enorme potencial, o exame ainda possui indicações específicas e não substitui métodos tradicionais, como tomografia, ressonância magnética ou PET-CT. A interpretação dos resultados deve sempre considerar o contexto clínico e ser realizada por uma equipe especializada.

Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.


Continue acompanhando a central educativa para acessar conteúdos importantes sobre saúde. Até o próximo artigo.

Dr. Gustavo Schvartsman

Oncologia Clínica | CRM-SP: 156477 | RQE: 87552


Oncologista no Albert Einstein SP

Agende uma consulta

Posts recentes

melanoma ocular
Por Gustavo Schvartsman • 23 de outubro de 2026
O melanoma ocular é um câncer raro que pode comprometer a visão e exigir tratamento especializado. Entenda os sintomas e como ele pode ser tratado.
rastreamento cancer de pulmao
Por Gustavo Schvartsman • 21 de outubro de 2026
O rastreamento de câncer de pulmão com tomografia de baixa dose pode salvar vidas em pessoas de alto risco. Veja quem deve fazer e quando investigar.
câncer de pulmão ALK
Por Gustavo Schvartsman • 26 de agosto de 2026
Câncer de pulmão ALK pode ser tratado com terapias alvo específicas quando essa alteração é identificada. Entenda o que muda no tratamento e quando investigar.