Fertilidade após o tratamento oncológico: O que é possível preservar?

Gustavo Schvartsman • 1 de abril de 2026

O que é possível preservar da fertilidade após tratamento oncológico?


Após o tratamento oncológico, é possível preservar ou recuperar diferentes aspectos da fertilidade, dependendo do tipo de câncer, da idade e dos tratamentos realizados. Em alguns casos, há retorno da produção de óvulos ou espermatozoides e possibilidade de gravidez natural. Quando a preservação é feita antes do tratamento, técnicas como congelamento de óvulos, embriões ou sêmen ampliam as chances de ter filhos no futuro. A avaliação individual é essencial para definir quais possibilidades ainda existem.


Introdução


O avanço no diagnóstico e no tratamento do câncer permitiu que cada vez mais pessoas superem a doença e sigam com uma vida longa e ativa. Nesse contexto, a
fertilidade após o tratamento oncológico se tornou uma preocupação legítima, especialmente entre pacientes jovens ou em idade reprodutiva. Quimioterapia, radioterapia, cirurgias e terapias hormonais podem impactar de forma temporária ou definitiva a capacidade reprodutiva.


Neste artigo, você vai entender como os tratamentos oncológicos afetam a fertilidade, quais estratégias podem ajudar a preservá-la, o que é possível recuperar após o tratamento e por que o planejamento precoce faz diferença.
Continue a leitura para esclarecer dúvidas sobre o tema.


Como o tratamento oncológico pode afetar a fertilidade


A fertilidade após tratamento oncológico pode ser influenciada por diversos fatores, como o
tipo de câncer, a idade do paciente, o sexo e os tratamentos utilizados. Alguns métodos terapêuticos podem causar impactos temporários, enquanto outros podem comprometer de forma mais duradoura a capacidade reprodutiva.


Esses efeitos acontecem porque os tratamentos contra o câncer, em especial
quimioterapia e radioterapia, atuam sobre células que se multiplicam rapidamente, o que inclui células dos ovários e dos testículos.


Principais formas de impacto na fertilidade:

  • Lesão direta nos ovários ou testículos
  • Alterações hormonais que podem ser temporárias ou permanentes
  • Comprometimento do equilíbrio hormonal que regula a reprodução
  • Efeito acumulado de tratamentos realizados ao longo do tempo


Cada organismo responde de forma diferente
, por isso o impacto na fertilidade varia bastante de pessoa para pessoa.


Quimioterapia e fertilidade


A quimioterapia pode interferir na fertilidade ao
atingir células responsáveis pela produção de óvulos e espermatozoides, além de alterar a produção de hormônios sexuais.


Possíveis efeitos em mulheres

  • Diminuição da reserva de óvulos
  • Irregularidade ou interrupção do ciclo menstrual
  • Menopausa precoce em alguns casos


Essas alterações podem ser transitórias ou permanentes, dependendo do tipo de medicamento utilizado, da dose e da idade da paciente.


Possíveis efeitos em homens

  • Redução da quantidade de espermatozoides
  • Alterações na qualidade e mobilidade dos espermatozoides
  • Infertilidade temporária ou definitiva


Em alguns casos, a produção de espermatozoides pode se recuperar
meses ou anos após o término do tratamento, mas essa recuperação não ocorre em todos os pacientes.


Radioterapia e fertilidade


A radioterapia pode afetar a fertilidade principalmente quando envolve
áreas próximas aos órgãos reprodutivos ou regiões do cérebro responsáveis pela regulação hormonal.


Fatores que aumentam o risco

  • Região do corpo que recebe a radiação
  • Dose total aplicada ao longo do tratamento
  • Idade no momento da terapia


Quando ovários ou testículos são
expostos diretamente à radiação, o risco de infertilidade tende a ser maior.


Cirurgias oncológicas e impacto na fertilidade


Algumas cirurgias realizadas para o tratamento do câncer podem interferir diretamente na capacidade reprodutiva, especialmente quando envolvem a
retirada de órgãos ligados à reprodução.


Exemplos de cirurgias com impacto reprodutivo


Retirada dos ovários ou do útero em mulheres;

Retirada de um ou ambos os testículos em homens;

Cirurgias pélvicas extensas que afetam nervos importantes.


Nessas situações,
sem planejamento prévio, a fertilidade após tratamento oncológico pode ser comprometida de forma definitiva.


Terapias hormonais e fertilidade


Tratamentos hormonais, comuns em alguns tipos de câncer, também podem interferir na fertilidade enquanto estão em uso.


Possíveis efeitos das terapias hormonais:

  • Bloqueio temporário da ovulação
  • Redução da produção de testosterona
  • Alterações prolongadas na função reprodutiva


Em muitos casos, a fertilidade
pode se recuperar após o término do tratamento, mas isso depende do tempo de uso e da resposta individual do organismo.


Preservação da fertilidade antes do tratamento


Sempre que possível, pensar na preservação da fertilidade
antes de iniciar o tratamento oncológico é a estratégia mais eficaz para manter opções futuras.


Opções disponíveis para mulheres

  • Congelamento de óvulos
  • Congelamento de embriões
  • Congelamento de tecido ovariano em situações específicas


Essas alternativas permitem
preservar o potencial reprodutivo antes que os ovários sejam expostos aos tratamentos.


Opções disponíveis para homens

  • Congelamento de sêmen
  • Preservação de tecido testicular em casos selecionados


Essas medidas aumentam as chances de manter a fertilidade após tratamento oncológico, mesmo quando o risco de infertilidade é elevado.


O que pode ser recuperado após o tratamento oncológico


Nem sempre a infertilidade após o câncer é definitiva. Em muitos casos, há recuperação
parcial ou total da função reprodutiva ao longo do tempo.


Dentre as possibilidades de recuperação estão o retorno espontâneo do ciclo menstrual; a recuperação gradual da produção de espermatozoides; e a gravidez natural em situações específicas.


Por isso, a
avaliação individual é essencial para entender quais caminhos ainda são possíveis.


Avaliação da fertilidade após o tratamento


Após o término do tratamento oncológico, é importante avaliar como está a função reprodutiva.


Os exames mais utilizados são a avaliação hormonal, a ultrassonografia dos ovários, o espermatograma e a avaliação clínica especializada.


Esses exames ajudam a
esclarecer expectativas e orientar decisões futuras com mais segurança.


Gravidez após o câncer é segura?


Em muitos casos, sim
. A gravidez após o tratamento oncológico pode ocorrer de forma segura, desde que seja planejada e acompanhada por uma equipe médica.


Pontos que precisam ser avaliados:

  1. Intervalo adequado após o término do tratamento
  2. Tipo de câncer tratado
  3. Risco individual de recorrência
  4. Condições gerais de saúde


O acompanhamento conjunto entre oncologista e especialista em reprodução é fundamental para
garantir segurança para a mãe e para o bebê. Em câncer de mama, por exemplo, já foi estudada a segurança de se interromper temporariamente a terapia hormonal para passar por uma gestação/amamentação e depois reiniciar a hormonioterapia pelo tempo remanescente. Isso deve ser avaliado individualmente com cada paciente.


A importância de conversar cedo sobre fertilidade


Falar sobre fertilidade antes de iniciar o tratamento oncológico
faz toda a diferença e ainda é um tema pouco abordado.


Benefícios dessa conversa:

  • Mais opções de preservação disponíveis
  • Decisões mais alinhadas aos planos de vida do paciente
  • Menor chance de arrependimento no futuro


Ter essa orientação desde o início permite que o tratamento do câncer aconteça sem que outros projetos de vida sejam deixados de lado.


Perguntas frequentes


  • O tratamento oncológico sempre causa infertilidade?

    Não. O impacto na fertilidade varia conforme o tipo de câncer, o tratamento realizado, a idade e as condições individuais. Em muitos casos, a fertilidade pode ser preservada ou se recuperar após o tratamento.

  • Quais tratamentos contra o câncer mais afetam a fertilidade?

    Quimioterapia, radioterapia em regiões próximas aos órgãos reprodutivos, cirurgias que envolvem ovários ou testículos e terapias hormonais estão entre os que mais impactam a fertilidade.

  • Quem faz tratamento de câncer fica estéril?

    Não necessariamente. Alguns tratamentos podem causar infertilidade temporária ou permanente, mas muitas pessoas mantêm ou recuperam a função reprodutiva com o tempo.

  • Quem faz quimioterapia fica infértil?

    A quimioterapia pode afetar a fertilidade, mas o efeito depende do tipo de medicamento, da dose e da idade do paciente. Nem todos se tornam inférteis.

  • Homens também podem perder a fertilidade após o tratamento oncológico?

    Sim. O tratamento pode reduzir a quantidade ou a qualidade dos espermatozoides, levando a infertilidade temporária ou permanente, conforme o caso.

  • A fertilidade pode se recuperar sozinha depois do tratamento?

    Em alguns casos, sim. O ciclo menstrual ou a produção de espermatozoides pode retornar gradualmente, mas isso não acontece com todos os pacientes.

  • O impacto do tratamento na fertilidade pode aparecer anos depois?

    Sim. A função reprodutiva pode parecer preservada inicialmente e se reduzir ao longo do tempo, especialmente após quimioterapia ou radioterapia.

  • Ter menstruação regular significa que a fertilidade está normal?

    Não necessariamente. A menstruação indica atividade hormonal, mas não garante quantidade ou qualidade adequada de óvulos para engravidar.

  • A idade no momento do tratamento faz tanta diferença assim?

    Faz. Pessoas mais jovens tendem a ter maior chance de recuperação da fertilidade, enquanto pacientes mais velhos apresentam risco maior de infertilidade permanente.

  • Quais opções existem para preservar a fertilidade antes do tratamento?

    Congelamento de óvulos, embriões ou sêmen, além da preservação de tecido ovariano ou testicular em situações específicas.

  • Quando devo conversar com o médico sobre fertilidade?

    O ideal é conversar antes de iniciar o tratamento oncológico, quando há mais opções e melhores chances de preservação.

  • É possível ter filhos após o tratamento do câncer?

    Sim. A gravidez pode ocorrer de forma natural ou com auxílio de técnicas de reprodução assistida, conforme cada situação.

  • Mulheres podem engravidar após quimioterapia ou radioterapia?

    Podem, especialmente quando há recuperação da função ovariana. O risco varia conforme idade, tratamento e reserva ovariana prévia.

  • Quanto tempo depois da radioterapia pode engravidar?

    O intervalo varia conforme a área tratada e o tipo de câncer. Em geral, recomenda-se aguardar de meses a alguns anos, com orientação médica individualizada.

  • Quem já teve câncer no útero pode engravidar?

    Depende do tratamento. Se o útero foi preservado, a gravidez pode ser possível. Quando houve retirada do útero, a gestação não é viável.

  • A gravidez após o câncer é segura para a mãe e para o bebê?

    Em muitos casos, sim. Com planejamento e acompanhamento médico adequado, a gestação pode ocorrer de forma segura.

  • A fertilidade pode piorar com tratamentos complementares feitos anos depois?

    Pode. Novas quimioterapias, radioterapia ou terapias hormonais prolongadas podem impactar a fertilidade mesmo após recuperação inicial.

  • Congelar óvulos ou sêmen garante que terei filhos no futuro?

    Não é garantia, mas aumenta as chances. O sucesso depende da idade, da qualidade do material preservado e das condições de saúde futuras.

  • Existe risco genético para os filhos após o tratamento do câncer?

    Na maioria dos casos, não. O tratamento oncológico geralmente não aumenta o risco genético, mas a avaliação individual é importante.

  • Problemas de fertilidade sempre aparecem com sintomas?

    Não. Muitas alterações são silenciosas e só são identificadas por meio de exames específicos.

  • Quem está com câncer terminal pode engravidar?

    Em geral, não. O estado clínico e os tratamentos costumam inviabilizar uma gestação segura nesse contexto.

Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman


A preservação da fertilidade após um tratamento oncológico é uma questão real, relevante e cada vez mais abordada na prática clínica. Embora alguns tratamentos possam comprometer a capacidade reprodutiva, existem estratégias eficazes de preservação e, em muitos casos,
possibilidade de recuperação parcial ou total da fertilidade. Planejamento, informação e acompanhamento especializado fazem toda a diferença. Se você recebeu um diagnóstico de câncer ou já concluiu o tratamento e tem dúvidas sobre fertilidade, buscar orientação médica pode ajudar a esclarecer caminhos e possibilidades.


Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.



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