Cirurgia de ressecção pulmonar: Quando é indicada

Gustavo Schvartsman • 28 de abril de 2026

A cirurgia de ressecção pulmonar é indicada principalmente quando há uma doença localizada no pulmão que pode ser completamente removida. É mais comum em casos de câncer de pulmão em estágio inicial, tumores isolados e algumas metástases pulmonares selecionadas. Também pode ser recomendada em infecções crônicas ou bronquiectasias restritas a uma área específica. A decisão depende do estadiamento da doença, da ausência de disseminação à distância e da condição clínica do paciente. Avaliações da função pulmonar e cardíaca são essenciais para confirmar se a cirurgia é segura e viável.


Introdução


A
ressecção pulmonar é uma das principais estratégias cirúrgicas no tratamento de doenças pulmonares, especialmente no câncer de pulmão em estágio inicial. Trata-se da retirada de uma parte do pulmão comprometida por tumor, infecção ou outra condição estrutural. Com os avanços na cirurgia torácica, o procedimento tornou-se mais preciso e seguro, com melhores resultados funcionais.


Neste artigo, você vai entender o que é a ressecção pulmonar, quando ela é indicada, quais são os tipos de cirurgia, os riscos envolvidos e como é o processo de recuperação.
Continue a leitura para compreender em quais situações essa abordagem pode ser fundamental para o controle da doença.


O que é ressecção pulmonar


A ressecção pulmonar é um procedimento cirúrgico que consiste na
retirada de uma parte do pulmão comprometida por uma doença localizada. O objetivo é remover completamente a área afetada, preservando o máximo possível de tecido saudável e mantendo a função respiratória.


Objetivo da cirurgia


O foco principal é
eliminar a lesão de forma segura e eficaz. No contexto do câncer de pulmão, especialmente nos estágios iniciais, a ressecção pulmonar pode ter intenção curativa quando o tumor está restrito ao pulmão e não há disseminação para outras regiões do corpo.


A maioria dos casos de câncer de pulmão pertence ao grupo chamado
não pequenas células, e é justamente nesse cenário que a cirurgia costuma ser considerada quando a doença é diagnosticada precocemente.


Quando a ressecção pulmonar é indicada


A indicação da ressecção pulmonar depende de uma análise do diagnóstico, do estágio da doença e das condições clínicas do paciente.


Situações mais frequentes


A cirurgia pode ser recomendada em casos como:


  • Câncer de pulmão em estágio inicial
  • Tumores pulmonares únicos e bem delimitados
  • Metástases pulmonares selecionadas
  • Infecções crônicas restritas a uma área do pulmão
  • Bronquiectasias graves localizadas


No câncer de pulmão inicial, a cirurgia costuma ser parte central da estratégia terapêutica, sempre após avaliação do
estadiamento.


Tipos de ressecção pulmonar


A extensão da ressecção pulmonar varia de acordo com o tamanho da lesão, sua localização e o volume de pulmão que pode ser preservado com segurança.


Segmentectomia


Consiste na
retirada de um segmento anatômico do pulmão. É uma alternativa possível em tumores pequenos e bem localizados, especialmente quando se busca preservar mais tecido pulmonar.


Lobectomia


É a
retirada completa de um dos lobos pulmonares. Em muitos casos de câncer de pulmão inicial, é considerada a opção que melhor equilibra controle da doença e preservação da função respiratória.


Pneumonectomia


Envolve a
remoção total de um pulmão. É indicada quando o tumor é mais extenso ou compromete estruturas centrais, e quando não é possível preservar parte do órgão com segurança.


Avaliação antes da cirurgia


Antes de indicar uma ressecção pulmonar, é fundamental avaliar se o paciente tem
condições clínicas para tolerar o procedimento. Sendo os exames mais comuns:


  • Tomografia computadorizada para avaliação detalhada do pulmão
  • PET CT para verificar extensão da doença
  • Espirometria para medir a função pulmonar
  • Avaliação cardiológica


A
capacidade respiratória é um dos principais fatores considerados. A equipe médica calcula se o pulmão remanescente será suficiente para manter uma boa qualidade de vida após a cirurgia.


Como a cirurgia é realizada


A ressecção pulmonar pode ser feita por diferentes técnicas, escolhidas de acordo com o caso clínico e a experiência da equipe.


A cirurgia aberta é realizada por meio de uma
incisão maior entre as costelas. Permite ampla visualização da cavidade torácica.


Enquanto dentre as opções de cirurgia minimamente invasiva, estão abordagens como a videotoracoscopia e a
cirurgia robótica. A cirurgia robótica torácica hoje é a técnica mais avançada. Os braços robóticos operados pelo cirurgião permitem movimentos mais amplos e finos, com melhor visualização tridimensional de áreas delicadas, como vasos, brônquios e linfonodos.


Essas técnicas utilizam pequenas incisões
e instrumentos específicos. Em muitos casos, estão associadas a menor dor no pós-operatório e recuperação mais rápida.


Leia também:

Cirurgia Robótica para Câncer de Pulmão: Entenda como funciona e seus benefícios


Riscos e possíveis complicações


Como qualquer cirurgia de grande porte, a ressecção pulmonar envolve riscos que devem ser discutidos previamente.


As possíveis complicações são pneumonia; sangramento; fístula aérea, que é vazamento persistente de ar; arritmias e dificuldades respiratórias.


O risco varia conforme idade, função pulmonar, presença de doenças cardíacas e outras condições associadas.


Recuperação após a ressecção pulmonar


O período de recuperação depende do tipo de cirurgia realizada e da condição clínica do paciente.


O que geralmente acontece no pós operatório


  • Internação hospitalar por alguns dias
  • Uso temporário de dreno torácico
  • Fisioterapia respiratória precoce
  • Controle rigoroso da dor


A
reabilitação pulmonar é parte essencial do processo. Exercícios respiratórios ajudam a expandir o pulmão remanescente e reduzir complicações.


Ressecção pulmonar no tratamento do câncer de pulmão


No câncer de pulmão diagnosticado em
fase inicial, a ressecção pulmonar pode oferecer uma chance concreta de controle completo da doença. Quando o tumor está restrito ao pulmão e não há comprometimento à distância, a cirurgia pode ser a etapa mais importante do tratamento.


Os resultados dependem de diversos fatores, como
estadiamento, perfil biológico do tumor e condição clínica do paciente. Por isso, a decisão deve sempre ser individualizada, após avaliação multidisciplinar.


A ressecção pulmonar não é apenas um procedimento técnico. É uma estratégia que precisa equilibrar controle oncológico, preservação funcional e qualidade de vida.


Perguntas frequentes


  • O que é cirurgia de ressecção pulmonar?

    É um procedimento cirúrgico que remove uma parte do pulmão comprometida por tumor, infecção ou outra doença localizada. O objetivo é retirar completamente a área afetada, preservando o máximo possível de tecido saudável.


  • Quando a ressecção pulmonar é indicada?

    É indicada principalmente em casos de câncer de pulmão em estágio inicial, tumores isolados, algumas metástases pulmonares e doenças pulmonares localizadas que não respondem ao tratamento clínico.


  • A ressecção pulmonar pode curar o câncer de pulmão?

    Em estágios iniciais, pode ter intenção curativa. A chance de cura depende do estadiamento, do tipo de tumor e das condições clínicas do paciente.

  • Quais são os tipos de ressecção pulmonar?

    Os principais tipos são a segmentectomia, lobectomia e pneumonectomia. A escolha depende do tamanho e da localização da lesão, além da função pulmonar do paciente.


  • Como saber se posso fazer ressecção pulmonar?

    É necessária avaliação com exames de imagem, estadiamento completo e testes de função pulmonar. A decisão considera também saúde cardíaca e reserva respiratória.


  • Minha capacidade pulmonar antes da cirurgia influencia diretamente o resultado?

    Sim. A função pulmonar pré operatória é um dos principais fatores para indicar ou não a ressecção pulmonar. Testes respiratórios ajudam a prever se o pulmão remanescente será suficiente para manter boa qualidade de vida.


  • A localização do tumor pode impedir a cirurgia mesmo sendo pequeno?

    Pode. Tumores centrais ou próximos a grandes vasos e brônquios podem exigir cirurgias mais extensas ou, em alguns casos, inviabilizar a ressecção pulmonar isolada.


  • Se eu tiver doença cardíaca, ainda posso fazer ressecção pulmonar?

    Depende da gravidade e do controle da condição cardíaca. Avaliação cardiológica detalhada é essencial para estimar o risco cirúrgico.


  • A idade avançada impede a realização da cirurgia?

    Não necessariamente. A decisão é baseada mais na condição clínica e funcional do que na idade cronológica isoladamente.


  • A cirurgia é sempre aberta ou pode ser minimamente invasiva?

    Pode ser realizada por cirurgia aberta ou por técnicas minimamente invasivas, como videotoracoscopia ou cirurgia robótica, dependendo do caso e da experiência da equipe.


  • Quais são os principais riscos da ressecção pulmonar?

    Os riscos incluem pneumonia, sangramento, vazamento de ar persistente, arritmias e complicações respiratórias. O risco varia conforme idade e condições de saúde prévias.


  • Existe risco de precisar retirar mais pulmão do que o planejado?

    Em situações específicas, pode ser necessário ampliar a cirurgia se forem encontrados achados inesperados durante o procedimento. Por isso, o planejamento pré-operatório é tão importante.


  • Quanto tempo dura a recuperação após a ressecção pulmonar?

    A internação costuma durar alguns dias, e a recuperação completa pode levar semanas. A fisioterapia respiratória é fundamental para melhorar a capacidade pulmonar.

  • Vou conseguir respirar normalmente após a cirurgia?

    Na maioria dos casos, sim. O organismo se adapta ao pulmão remanescente, mas o resultado depende da função pulmonar prévia e da extensão da ressecção.


  • É possível precisar de oxigênio após a cirurgia?

    Em alguns casos, pode haver necessidade temporária de oxigênio suplementar. A maioria dos pacientes se adapta com o tempo, especialmente se a função pulmonar prévia era adequada.


  • Posso voltar a praticar atividades físicas após a ressecção pulmonar?

    Na maioria dos casos, sim. A retomada deve ser gradual e orientada, mas muitos pacientes conseguem retornar às atividades habituais.


  • A ressecção pulmonar elimina a necessidade de outros tratamentos?

    Nem sempre. Em alguns casos, pode ser necessário complementar com quimioterapia, imunoterapia ou radioterapia, conforme o estágio e as características do tumor.


  • Se o tumor for retirado, ainda existe risco de recidiva?

    Sim. Mesmo após ressecção pulmonar completa, pode haver risco de retorno da doença, dependendo do estágio e das características biológicas do tumor.


  • O tipo de incisão influencia na dor e na recuperação?

    Sim. Técnicas minimamente invasivas tendem a causar menos dor e permitir recuperação mais rápida em comparação com cirurgia aberta tradicional.



Especialista em oncologia em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman


A ressecção pulmonar é uma estratégia central no tratamento de doenças pulmonares localizadas, especialmente no câncer de pulmão em estágio inicial. A escolha do tipo de cirurgia depende do tamanho do tumor, da localização e da reserva funcional do paciente. Com técnicas modernas e avaliação criteriosa,
é possível alcançar bons resultados oncológicos com preservação da qualidade de vida. Se você recebeu indicação de cirurgia ou está investigando um nódulo pulmonar, conversar com um especialista em cirurgia torácica é fundamental para entender as opções disponíveis. Você já avaliou se a ressecção pulmonar pode ser a melhor estratégia para o seu caso?



Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.


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