Cirurgia Robótica para Câncer de Pulmão: Entenda como funciona e seus benefícios

Gustavo Schvartsman • 25 de setembro de 2024

A cirurgia robótica para câncer de pulmão é uma inovação tecnológica que tem revolucionado o tratamento cirúrgico oncológico. Este método oferece maior precisão, menos complicações e uma recuperação mais rápida em comparação com as técnicas tradicionais.


Entenda como a cirurgia robótica funciona, seus benefícios, e por que ela está se tornando uma escolha preferida entre pacientes e profissionais de saúde. Continue lendo para saber mais sobre essa técnica e seus impactos positivos no tratamento do câncer de pulmão.


O que é cirurgia robótica?


A cirurgia robótica é uma
técnica minimamente invasiva que utiliza um sistema robótico para realizar procedimentos cirúrgicos complexos. Esse sistema é controlado por um cirurgião experiente e certificado, que manipula os braços robóticos através de um console. Os movimentos do robô são extremamente precisos, permitindo intervenções detalhadas em áreas difíceis de alcançar.

Os componentes do sistema robótico são:


  • Console do cirurgião: Local onde o cirurgião controla o robô.
  • Braços robóticos: equipados com instrumentos cirúrgicos e uma câmera de alta definição.
  • Torre de visão: Fornece imagens tridimensionais e ampliadas da área operada.


Como funciona a cirurgia robótica para câncer de pulmão?


A cirurgia robótica para
câncer de pulmão é um procedimento altamente sofisticado que se desenvolve em várias etapas bem coordenadas, desde a preparação pré-operatória até a recuperação pós-operatória. Esse método avançado permite uma abordagem minimamente invasiva com precisão cirúrgica superior.


Preparação pré-operatória


A preparação para a cirurgia robótica de câncer de pulmão é essencial para garantir o sucesso do procedimento. Antes da cirurgia, o paciente passa por uma série de exames de imagem, como tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM). Esses exames são cruciais para mapear a área a ser operada, permitindo ao cirurgião planejar cada etapa com precisão. Além disso, uma avaliação da saúde geral do paciente é realizada para identificar qualquer condição que possa impactar a cirurgia ou a recuperação. A equipe médica discute detalhadamente o plano cirúrgico com o paciente, explicando os passos do procedimento, os benefícios esperados e os possíveis riscos.


Procedimento cirúrgico


O procedimento cirúrgico oferece uma série de vantagens sobre as técnicas tradicionais.


Incisões mínimas:
O processo começa com a realização de pequenas incisões no tórax do paciente, através das quais são inseridos os instrumentos robóticos e a câmera de alta definição. Essas incisões são significativamente menores do que as utilizadas na cirurgia aberta, reduzindo o trauma para o paciente e acelerando o processo de cicatrização.


Controle do robô:
O cirurgião opera a partir de um console de controle, onde manipula os braços robóticos com uma precisão que seria impossível de alcançar manualmente. Os movimentos do robô são extremamente refinados e podem replicar com fidelidade os comandos do cirurgião, permitindo uma remoção precisa do tecido tumoral enquanto se preserva o tecido saudável circundante. A estabilidade e precisão dos movimentos traz uma vantagem significativa versus a cirurgia por videotoracoscopia sem robô.


Visualização 3D:
  A câmera inserida no corpo do paciente fornece uma visão tridimensional e ampliada do campo cirúrgico. Essa visualização detalhada permite ao cirurgião ver as estruturas internas com clareza, melhorando a capacidade de identificar e tratar as áreas afetadas pelo câncer. A ampliação da imagem ajuda a evitar danos a estruturas vitais próximas ao tumor. Essa é uma outra grande vantagem da cirurgia robótica versus a cirurgia por vídeo tradicional, que trabalha com duas dimensões e menor senso de profundidade.


Monitoramento intra operatório


Durante a cirurgia, o paciente é continuamente monitorado por uma equipe de anestesiologistas e outros profissionais de saúde. Esse monitoramento garante que quaisquer alterações na condição do paciente sejam rapidamente identificadas e tratadas. A precisão permitida no uso de tecnologia robótica pode resultar em menor perda de sangue e menos complicações.


Cuidados pós-operatórios


Após a cirurgia, o paciente é transferido para a sala de recuperação, onde é monitorado de perto até que os efeitos da anestesia desapareçam. A recuperação da cirurgia robótica tende a ser mais rápida em comparação com a cirurgia aberta devido ao menor trauma cirúrgico. Os pacientes geralmente experimentam menos dor e podem retomar suas atividades normais mais rapidamente. O acompanhamento pós-operatório inclui consultas regulares para monitorar a recuperação e garantir que não haja sinais de complicações ou recorrência do câncer.


Essa técnica não só melhora os resultados cirúrgicos, mas também a qualidade de vida  dos pacientes, permitindo uma recuperação mais rápida e menos dolorosa.

Quais são os benefícios da cirurgia robótica para câncer de pulmão?


A cirurgia robótica oferece uma série de benefícios significativos em comparação com a cirurgia aberta e outras técnicas minimamente invasivas. Como já citado, esses benefícios incluem maior precisão, menos complicações, recuperação mais rápida e melhoria na qualidade de vida dos pacientes. A seguir, conheça cada um deles em detalhes.


  1. Maior precisão

A precisão dos movimentos robóticos é um dos principais benefícios da cirurgia robótica para câncer de pulmão. Os braços robóticos permitem remover tumores com uma exatidão incomparável. Essa precisão é crucial para preservar o máximo possível de tecido saudável ao redor do tumor, minimizando o impacto sobre as funções pulmonares. Além disso, a visualização tridimensional e ampliada do campo cirúrgico proporcionada pela câmera robótica permite ao cirurgião identificar e evitar estruturas vitais, reduzindo o risco de danos colaterais. Seu benefício é particularmente percebido em segmentectomias anatômicas, onde o uso do Firefly permite identificar exatamente os limites de cada segmento, e para dissecções de linfonodos do mediastino mais complexas. 


     2.  Menos complicações

A cirurgia robótica reduz significativamente o risco de complicações em comparação com a cirurgia aberta e tem menor chance de conversão para cirurgia aberta versus a videotoracoscopia.


  • Redução do sangramento: As incisões menores feitas durante a cirurgia robótica resultam em menos perda de sangue, o que diminui a necessidade de transfusões e reduz o risco de complicações associadas à perda sanguínea excessiva.
  • Menor risco de infecção: A abordagem minimamente invasiva da cirurgia robótica reduz a exposição dos órgãos internos, diminuindo o risco de infecções pós-operatórias. Menor manipulação dos tecidos e menores incisões também contribuem para um menor risco de infecção.
  • Precisão na remoção do tumor: A capacidade de realizar movimentos extremamente precisos com os instrumentos robóticos ajuda a assegurar a remoção completa do tumor, reduzindo a possibilidade de recorrência e a necessidade de procedimentos adicionais.


   3.  Recuperação Mais Rápida

Pacientes submetidos à cirurgia robótica geralmente experimentam uma recuperação mais rápida em comparação com aqueles que passam por cirurgia aberta.


Menos dor pós-operatória:
As incisões menores e a menor manipulação dos tecidos resultam em menos dor pós-operatória, permitindo que os pacientes se movimentem e realizem atividades leves mais cedo.


Hospitalização reduzida:
Devido ao menor trauma cirúrgico, o tempo de internação hospitalar é significativamente reduzido. Pacientes podem receber alta mais cedo, retornando ao conforto de suas casas e diminuindo o risco de infecções hospitalares.


Recuperação geral:
A recuperação mais rápida permite aos pacientes retomarem suas atividades diárias e de trabalho em um período menor, favorecendo uma melhor adaptação ao pós-operatório e uma reintegração mais rápida à vida normal.


   4.  Melhor Qualidade de Vida

A soma de todos esses benefícios resulta em uma melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes.


  • Retorno rápido às atividades diárias: A recuperação mais rápida e menos dolorosa permite que os pacientes retornem às suas atividades diárias e profissionais com maior rapidez, reduzindo o impacto da cirurgia em suas rotinas.


  • Menor impacto emocional e psicológico: Menos dor e uma recuperação mais rápida também contribuem para um menor estresse emocional e psicológico, o que é vital para a saúde mental dos pacientes durante o processo de recuperação.


  • Melhor prognóstico geral: A precisão e a eficácia da cirurgia robótica aumentam as chances de sucesso no tratamento do câncer de pulmão, proporcionando aos pacientes uma perspectiva mais positiva em relação à sua saúde a longo prazo.


Perguntas Frequentes


Como é feita a cirurgia robótica de pulmão?

A cirurgia robótica de pulmão é feita através de pequenas incisões no tórax, inserindo braços robóticos e uma câmera 3D. O cirurgião controla o robô de um console para remover o tumor com precisão.


Quando a cirurgia robótica é indicada?

A cirurgia robótica é indicada para pacientes com câncer de pulmão em estágios iniciais ou localmente avançados, onde uma abordagem minimamente invasiva é benéfica.


Qual o risco de cirurgia robótica?

Os riscos incluem complicações anestésicas, infecções, sangramento e danos a estruturas próximas, mas são geralmente menores comparados à cirurgia aberta.


Quem é um candidato ideal para a cirurgia robótica para câncer de pulmão?

Candidatos ideais são pacientes com câncer de pulmão em estágios iniciais ou localmente avançados que podem se beneficiar de uma abordagem minimamente invasiva. A avaliação é feita caso a caso, levando em conta a saúde geral do paciente e a localização do tumor.


Qual é o tempo de recuperação após a cirurgia robótica para câncer de pulmão?

O tempo de recuperação pode variar, mas geralmente é mais curto em comparação com a cirurgia aberta. Muitos pacientes conseguem retornar às suas atividades normais em algumas semanas, com menos dor e desconforto pós-operatório.


Quais são as taxas de sucesso da cirurgia robótica para câncer de pulmão?

As taxas de sucesso dependem de vários fatores, incluindo o estágio do câncer, a localização do tumor e a saúde geral do paciente. Em geral, a cirurgia robótica tem demonstrado alta eficácia na remoção de tumores pulmonares, com taxas de sucesso comparáveis ou superiores às de outras técnicas cirúrgicas.


Como a cirurgia robótica pode afetar a função pulmonar após o procedimento?

A cirurgia robótica pode preservar mais tecido pulmonar saudável, resultando em melhor função pulmonar pós-operatória comparada à cirurgia tradicional.


Como a cirurgia robótica impacta a taxa de recorrência do câncer de pulmão?

A precisão da cirurgia robótica pode aumentar a remoção completa do tumor, potencialmente reduzindo a taxa de recorrência do câncer de pulmão.


Existe alguma limitação anatômica que possa impedir o uso da cirurgia robótica?

Sim, tumores localizados em áreas de difícil acesso ou próximos a estruturas vitais podem limitar a viabilidade da cirurgia robótica.


Conclusão


A cirurgia robótica para câncer de pulmão representa um avanço significativo na medicina, oferecendo precisão, menos complicações e uma recuperação mais rápida. À medida que a tecnologia continua a evoluir, espera-se que mais pacientes tenham acesso a esses benefícios. Se você ou um ente querido está buscando opções de tratamento para o câncer de pulmão, a cirurgia robótica pode ser uma escolha a ser discutida com seu médico. 


Se você está em busca de um especialista em oncologia clínica, conheça o Dr. Gustavo Schvartsman, formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo e com especialização no MD Anderson Cancer Center, ele traz experiência internacional e um forte foco em imunoterapia. Atuando no Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Gustavo oferece tratamentos personalizados, incluindo terapias de última geração e um cuidado integral, garantindo que cada paciente receba as melhores opções de tratamento disponíveis. Para mais informações navegue no site ou para agendar uma consulta clique aqui.


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Pacientes com metástases cerebrais Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para: Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas Prevenir o surgimento de novas lesões Reduzir sintomas neurológicos Postergar radioterapia Dados publicados no New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana. Pacientes recém diagnosticados com doença avançada No estudo FLAURA , considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual. Pacientes operados com alto risco de recidiva Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte. Efeitos colaterais O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança. Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve. Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. O monitoramento com o oncologista reduz riscos e permite ajustes adequados do tratamento quando necessário. Como é feito o diagnóstico das mutações EGFR Para indicar o Osimertinibe corretamente, é essencial identificar as mutações por meio de: Sequenciamento de nova geração (NGS) PCR em tempo real Biópsia líquida (quando o tumor libera DNA no sangue) Esses métodos estão amplamente disponíveis e ajudam a escolher a melhor abordagem terapêutica. Atenção! O NGS é sempre preferível para buscar co-mutações associadas ao EGFR que podem afetar prognóstico e auxiliar na decisão de tratamento, uma vez que hoje há mais de uma opção. Esse método sequencia centenas de genes ao mesmo tempo. Por que isso é decisivo Sem o teste molecular, não é possível confirmar se o tumor depende da via EGFR. Sem essa informação, o tratamento pode não trazer o benefício esperado. 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