Imunoterapia para câncer de mama explicada por especialista

Gustavo Schvartsman • 16 de maio de 2025

A imunoterapia está se tornando uma opção cada vez mais promissora no tratamento do câncer de mama, especialmente para pacientes com tipos mais agressivos ou avançados da doença. Enquanto tratamentos tradicionais, como quimioterapia e radioterapia, ainda desempenham papéis fundamentais, a imunoterapia oferece uma abordagem mais direcionada ao estimular o sistema imunológico para atacar as células cancerosas.


Neste artigo, você entenderá como funciona a
imunoterapia para câncer de mama, quando ela é indicada e quais são seus principais benefícios.


O que é a imunoterapia para câncer de mama?


A
imunoterapia é uma abordagem terapêutica que utiliza o sistema imunológico do próprio paciente para combater o câncer. No tratamento do câncer de mama, a imunoterapia atua desbloqueando mecanismos que impedem o corpo de identificar as células tumorais como uma ameaça, permitindo que o sistema imunológico as reconheça e ataque de maneira mais eficaz.


Esse tipo de tratamento é
especialmente recomendado para pacientes com câncer de mama triplo-negativo, que é uma forma mais agressiva da doença e muitas vezes não responde bem às terapias convencionais. A imunoterapia em câncer de mama é aplicada em conjunto com outros tratamentos, como a quimioterapia, dependendo das necessidades e características de cada caso.


Assista:


Como funciona a imunoterapia no câncer de mama?


A imunoterapia no tratamento do câncer de mama tem como foco interromper as estratégias que as células cancerosas utilizam para "enganar" o sistema imunológico. Essas células tumorais produzem proteínas, como a PD-L1, que inibem a ação das células T, responsáveis por defender o corpo. A imunoterapia bloqueia essa interação, permitindo que as células T voltem a atacar o tumor de maneira eficaz.


Inibidores de Checkpoint Imunológico: Uma das formas mais comuns de imunoterapia utilizada no câncer de mama envolve os inibidores de checkpoint imunológico. Esses medicamentos agem removendo os "freios" que impedem o sistema imunológico de combater o tumor. Exemplos de inibidores de checkpoint imunológico incluem o pembrolizumabe e o atezolizumabe, indicados especialmente para pacientes com câncer de mama triplo-negativo metastático.


Terapia com Células T Modificadas: Outra abordagem promissora é a terapia com células T modificadas, na qual as células T do paciente são retiradas e geneticamente modificadas para reconhecer as células cancerosas. Essas células modificadas são reintroduzidas no corpo para atacar o tumor. Essa técnica, chamada de terapia CAR-T, é mais comumente usada em leucemias, mas está sendo estudada para aplicação em casos de câncer de mama. Essa modalidade ainda está indisponível no Brasil.


Quando a imunoterapia é indicada?


Nem todas as pacientes com câncer de mama são elegíveis para imunoterapia. Este tratamento é mais indicado em situações específicas, como:


  • Câncer de mama Triplo-Negativo metastático: A imunoterapia é amplamente recomendada para pacientes com esse tipo de câncer, que não expressa os receptores de estrogênio, progesterona e HER2, tornando-o mais difícil de tratar com terapias hormonais ou direcionadas. Para identificar as pacientes elegíveis, é necessário testar a proteína PD-L1. 


  • Câncer de mama triplo-negativo sem metástases: O tratamento perioperatório pode melhorar significativamente as chances de cura quando a imunoterapia é associada à quimioterapia convencional. Está indicada para tumores acima de 2 cm, ou quando há invasão linfonodal. A chance de resposta patológica completa aumenta de 50% para 65%.


  • Pacientes com instabilidade de microssatélites ou alta carga mutacional O câncer de mama oriundo de defeitos em genes de reparo de DNA pode responder muito bem à imunoterapia. Para isso, é necessário testagem molecular com painel NGS amplo para avaliação desses marcadores, apesar de serem encontrados pouco frequentemente em câncer de mama.


Desafios e limitações da imunoterapia para câncer de mama


Embora a imunoterapia ofereça avanços significativos, ela não é eficaz para todas as pacientes com câncer de mama. Alguns desafios incluem:


  1. Resistência ao tratamento

Assim como em outras terapias, o câncer pode desenvolver resistência à imunoterapia ao longo do tempo, diminuindo sua eficácia.


    2. Eficácia limitada a certos tipos de câncer de mama

Pacientes cujo tumor não expressa a proteína PD-L1 ou que não possuem câncer de mama triplo-negativo tendem a responder menos ao tratamento, tornando a imunoterapia menos indicada nesses casos.


Como saber se a imunoterapia é adequada?


Antes de iniciar a imunoterapia, o oncologista solicita exames para identificar características do tumor que indicam uma possível resposta ao tratamento. Testes que detectam a expressão de PD-L1 ou outras análises genéticas são essenciais para determinar se a paciente é uma boa candidata à imunoterapia.


Resultados da imunoterapia para câncer de mama


Os resultados da imunoterapia no câncer de mama variam de acordo com o perfil biológico do tumor e as particularidades da paciente. Estudos mostram que, em alguns casos, a combinação de imunoterapia com quimioterapia pode melhorar a taxa de resposta e aumentar a sobrevida.


A imunoterapia tem sido especialmente eficaz em pacientes com câncer de mama triplo-negativo, proporcionando uma nova alternativa de tratamento para esses casos mais agressivos.


Clique abaixo e conheça mais temas relacionados ao câncer de mama:

Cirurgia para Câncer de Mama: Tudo o que você precisa saber!

Importância da prevenção do Câncer de Mama: Guia para uma Vida Saudável


Perguntas frequentes


O que é imunoterapia no tratamento do câncer de mama?

A imunoterapia é um tratamento que utiliza o sistema imunológico para reconhecer e atacar as células cancerosas no câncer de mama, especialmente no tipo triplo-negativo.


Quando a imunoterapia é indicada para câncer de mama?

É indicada principalmente para pacientes com câncer de mama triplo-negativo, metastático ou com alta expressão de PD-L1.


Como é feita a imunoterapia para câncer de mama?

A imunoterapia geralmente é administrada por via intravenosa em ciclos, muitas vezes em combinação com quimioterapia, conforme o protocolo indicado pelo oncologista.


Quanto tempo dura o tratamento de imunoterapia para câncer de mama?

A duração varia, mas pode ser administrada por meses, dependendo da resposta do paciente e do protocolo de tratamento.


A imunoterapia pode ser interrompida se o câncer entrar em remissão?

Sim, em muitos casos a imunoterapia pode ser interrompida se o câncer entrar em remissão, mas a decisão depende da avaliação do oncologista, que monitorará o progresso da paciente com exames regulares.


A imunoterapia pode ser usada como tratamento preventivo para pacientes com risco de câncer de mama?

Atualmente, a imunoterapia não é usada como uma medida preventiva. Ela é indicada para tratar o câncer de mama, especialmente nos casos avançados ou metastáticos.


A imunoterapia para câncer de mama é indicada apenas para casos metastáticos?

Não. Embora seja mais frequentemente usada em casos metastáticos, também pode ser indicada para tumores agressivos e não operáveis.


Conclusão | Imunoterapia para Câncer de Mama em São Paulo


A imunoterapia para câncer de mama é uma das opções mais inovadoras e promissoras no tratamento da doença, especialmente para pacientes com câncer triplo-negativo ou metastático. Ao usar o próprio sistema imunológico do corpo para combater o câncer, a imunoterapia oferece uma abordagem mais precisa e direcionada, com menos efeitos colaterais. Para pacientes que buscam tratamentos eficazes além das opções tradicionais, a imunoterapia pode ser a chave para uma vida mais longa e saudável.


Se você está em busca de um especialista em oncologia clínica com expertise em Imunoterapia para câncer de mama, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo e com especialização no MD Anderson Cancer Center, possuo experiência internacional e um forte foco em imunoterapia. Atuando no Hospital Israelita Albert Einstein, ofereço tratamentos personalizados, incluindo terapias de última geração e um cuidado integral, garantindo que cada paciente receba as melhores opções de tratamento disponíveis. Para mais informações acesse meu site ou para agendar uma consulta clique aqui.


E continue acompanhando a central educativa para mais conteúdos relacionados à saúde.

sono e câncer
Por Gustavo Schvartsman 10 de fevereiro de 2026
Sono e câncer: Entenda a relação, como noites mal dormidas afetam o organismo e o que a ciência revela sobre risco, prevenção e saúde.
exposição ao sol e câncer
Por Gustavo Schvartsman 5 de fevereiro de 2026
Conheça qual é o limite saudável de exposição ao sol, como prevenir o câncer de pele e quais cuidados realmente fazem diferença para a sua saúde.
cirurgia ou radioterapia para câncer de próstata
Por Gustavo Schvartsman 3 de fevereiro de 2026
Cirurgia ou radioterapia para câncer de próstata na fase inicial, entenda diferenças, benefícios, riscos e como escolher o tratamento mais adequado.
câncer de próstata resistente à castração
Por Gustavo Schvartsman 21 de janeiro de 2026
Entenda o que significa Câncer de próstata resistente à castração, por que acontece e quais tratamentos podem oferecer controle e qualidade de vida.
Por Gustavo Schvartsman 13 de janeiro de 2026
Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão? O Osimertinibe beneficia principalmente pacientes com carcinoma de pulmão de não pequenas células que apresentam mutações específicas no gene EGFR, como deleção no éxon 19, L858R e T790M. Esses pacientes respondem melhor porque o tumor depende diretamente dessa via molecular. Introdução O uso do Osimertinibe no câncer de pulmão transformou o tratamento de pacientes com tumores que apresentam mutações específicas no gene EGFR. Esse medicamento marcou uma mudança importante na oncologia ao oferecer maior eficácia, melhor tolerabilidade e capacidade de atuar inclusive em metástases cerebrais. Hoje, ele é considerado o tratamento padrão em várias situações, desde diagnóstico inicial até doença avançada. Este artigo explica quem pode se beneficiar dessa medicação, como ela age, quando é indicada e por que o teste genético é indispensável para orientar a terapia. Continue a leitura para entender como esse avanço pode impactar o tratamento. O que é o Osimertinibe e como ele funciona? O Osimertinibe é um inibidor de tirosina-quinase (TKI) de terceira geração usado no tratamento de tumores pulmonares que apresentam mutações específicas no gene EGFR. Ele foi desenvolvido para bloquear sinalizações que mantêm o crescimento celular descontrolado em muitos casos de carcinoma de pulmão de não pequenas células. Por atuar de forma precisa, tornou-se um dos pilares do tratamento moderno para pacientes com mutações sensíveis e resistentes no EGFR. Mecanismo de ação O medicamento atua de forma seletiva sobre mutações EGFR importantes, como: L858R Deleções no éxon 19 Mutação de resistência T790M Outro aspecto relevante é sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica , permitindo controle eficaz de lesões cerebrais. Por que isso importa Ao bloquear a via EGFR, o Osimertinibe interrompe sinais que estimulam a proliferação tumoral. Como resultado, reduz o crescimento do tumor e prolonga a sobrevida . Evidências mostram benefício consistente até mesmo em pessoas previamente tratadas com outros TKIs, reforçando seu papel como terapia de alto impacto. Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão Pacientes com mutações EGFR sensibilizantes O grupo mais beneficiado inclui pessoas com: Deleções no éxon 19 L858R no éxon 21 Algumas outras alterações mais raras no EGFR Pacientes com mutação T790M A mutação T790M aparece como forma de resistência em aproximadamente 50 a 60 por cento dos pacientes tratados com TKIs de gerações anteriores. O Osimertinibe foi o primeiro TKI a demonstrar eficácia comprovada contra essa alteração, com impacto direto no controle da doença. Pacientes com metástases cerebrais Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para: Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas Prevenir o surgimento de novas lesões Reduzir sintomas neurológicos Postergar radioterapia Dados publicados no New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana. Pacientes recém diagnosticados com doença avançada No estudo FLAURA , considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual. Pacientes operados com alto risco de recidiva Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte. Efeitos colaterais O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança. Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve. Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. O monitoramento com o oncologista reduz riscos e permite ajustes adequados do tratamento quando necessário. Como é feito o diagnóstico das mutações EGFR Para indicar o Osimertinibe corretamente, é essencial identificar as mutações por meio de: Sequenciamento de nova geração (NGS) PCR em tempo real Biópsia líquida (quando o tumor libera DNA no sangue) Esses métodos estão amplamente disponíveis e ajudam a escolher a melhor abordagem terapêutica. Atenção! O NGS é sempre preferível para buscar co-mutações associadas ao EGFR que podem afetar prognóstico e auxiliar na decisão de tratamento, uma vez que hoje há mais de uma opção. Esse método sequencia centenas de genes ao mesmo tempo. Por que isso é decisivo Sem o teste molecular, não é possível confirmar se o tumor depende da via EGFR. Sem essa informação, o tratamento pode não trazer o benefício esperado. Osimertinibe como parte de um tratamento personalizado O plano terapêutico é individualizado e leva em conta o tipo e localização do tumor, o estágio da doença, a existência de metástases e as condições clínicas do paciente. Muitas vezes, o Osimertinibe integra um programa terapêutico que pode incluir: Imunoterapia Quimioterapia Radioterapia Cuidados de suporte Essa integração promove melhor controle, diminui sintomas e contribui para avanços importantes na qualidade de vida. Perguntas frequentes
terapia celular CAR-T
Por Gustavo Schvartsman 10 de dezembro de 2025
Entenda como a terapia celular CAR-T está sendo adaptada para tratar tumores sólidos e quais são os principais avanços, desafios e perspectivas dessa tecnologia.
inibidores de checkpoint imunológico
Por Gustavo Schvartsman 3 de dezembro de 2025
Inibidores de checkpoint imunológico: O que são, quando são indicados, quais são seus benefícios? Entenda.
o que é radiofármacos
Por Gustavo Schvartsman 26 de novembro de 2025
Saiba o que é radiofármacos, como atuam no tratamento oncológico, em quais casos são usados e quais avanços essa estratégia traz para a medicina do câncer.
rastreamento genômico e teste genético
Por Gustavo Schvartsman 18 de novembro de 2025
Entenda as diferenças entre rastreamento genômico e teste genético e como essas análises ajudam na prevenção e tratamento personalizado do câncer.
o que é estadiamento do câncer
Por Gustavo Schvartsman 12 de novembro de 2025
Conheça o que é estadiamento do câncer, como ele é realizado e por que essa etapa é essencial para definir o tratamento e o prognóstico dos pacientes.