O câncer é hereditário? Devo fazer testes genéticos?

Gustavo Schvartsman • 13 de agosto de 2025

A pergunta “O câncer é hereditário?” É uma das mais comuns entre pacientes e familiares que enfrentam o diagnóstico da doença. A preocupação faz sentido, especialmente quando há histórico familiar de câncer em diferentes gerações. Com os avanços da medicina, hoje já é possível identificar alterações genéticas que aumentam o risco de determinados tipos de câncer e, com isso, adotar estratégias de prevenção e rastreamento precoce.


Neste artigo, vamos explicar quando o câncer pode ser herdado, como funcionam os testes genéticos e quem deve considerá-los.
Continue a leitura e esclareça suas dúvidas.


O câncer pode ser hereditário? Entenda as diferenças e quando investigar


Quando se fala em câncer, uma das dúvidas mais frequentes é se a doença pode ser herdada de familiares. A resposta é:
na maioria das vezes, não. Apenas uma pequena parcela dos casos — cerca de 5% a 10% — têm origem genética hereditária comprovada, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Isso significa que a maior parte dos tumores surge por mutações que acontecem ao longo da vida, influenciadas por fatores como envelhecimento, exposição a substâncias cancerígenas, hábitos alimentares, infecções e estilo de vida.


Câncer esporádico:

  • Resulta de alterações genéticas adquiridas ao longo do tempo
  • Não está ligado a histórico familiar direto
  • Representa aproximadamente 90% de todos os casos


Câncer hereditário:

  • Causado por mutações genéticas herdadas dos pais
  • Eleva significativamente o risco de determinados tipos de câncer
  • Costuma aparecer mais cedo e afetar vários membros da mesma família


Saber diferenciar esses dois tipos é o
primeiro passo para compreender a importância do rastreamento genético e da prevenção personalizada.


Quais tipos de câncer têm maior associação com hereditariedade?


Alguns tumores estão mais frequentemente ligados a alterações genéticas herdadas. Isso é ainda mais relevante quando os casos ocorrem em idades precoces ou em diferentes gerações da família. Os principais exemplos incluem:



  • Câncer de mama e de ovário com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2
  • Câncer colorretal hereditário, associado à síndrome de Lynch
  • Câncer de próstata em homens mais jovens
  • Câncer de pâncreas em famílias com histórico de câncer de mama ou ovário
  • Câncer gástrico difuso hereditário
  • Melanoma familiar


Esses padrões fazem parte de síndromes genéticas de predisposição ao câncer, já bem mapeadas pela oncogenética.


Entenda a diferença:

Predisposição genética x Mutação hereditária



Sinais que podem indicar risco de câncer hereditário


Algumas situações devem
acender o alerta para investigar se há predisposição genética:



  • Dois ou mais parentes de primeiro grau com o mesmo tipo de câncer
  • Diagnóstico de câncer em idade precoce (antes dos 50 anos)
  • Ocorrência de mais de um câncer primário na mesma pessoa
  • Câncer em local incomum, como mama em homens ou câncer adrenal
  • Casos recorrentes em diferentes gerações da mesma família


Se você se reconhece em algum desses cenários, conversar com um
oncologista pode ajudar a esclarecer os riscos e definir os próximos passos.


Para que servem os testes genéticos?


Os testes genéticos têm o objetivo de
detectar mutações germinativas, ou seja, alterações genéticas herdadas que aumentam o risco de desenvolver determinados tipos de câncer. A análise é feita a partir de uma amostra de sangue ou saliva e avalia genes como BRCA1, BRCA2, TP53, MLH1, MSH2, entre outros.


Importante: esses testes não diagnosticam a presença de um tumor, mas sim
ajudam a prever o risco aumentado de câncer. A partir do resultado, é possível traçar uma estratégia de acompanhamento e prevenção personalizada.


Quem deve considerar fazer um teste genético?

Exames genéticos hereditários para câncer: Entenda como e quando são indicados:




O teste genético não é necessário para todas as pessoas, mas sim para aquelas com histórico sugestivo de predisposição hereditária. Os principais critérios incluem:


  • Diagnóstico de câncer antes dos 50 anos
  • Parentes de primeiro grau com câncer hereditário confirmado
  • Homens com câncer de mama
  • Mulheres com câncer de ovário de alto grau
  • Pessoas com câncer colorretal ligado à síndrome de Lynch
  • Casos de câncer em diferentes gerações da mesma família


A avaliação para o teste deve ser feita após uma consulta de aconselhamento genético, conduzida por profissional capacitado.


Quais são os benefícios de identificar um câncer hereditário?


Descobrir uma predisposição genética pode trazer impactos positivos na vida do paciente e de seus familiares. Existem síndromes onde o risco de
surgimento de câncer pode chegar até 90-100% ao longo da vida, como a síndrome de Li-Fraumeni e algumas mutações no BRCA. Portanto, descobrir a síndrome antes do surgimento do primeiro câncer pode trazer ganhos imensuráveis. Os principais benefícios incluem:


  1. Rastreamento precoce e mais frequente, com exames iniciados em idade mais jovem
  2. Decisões terapêuticas mais precisas, como o uso de terapias-alvo
  3. Cirurgias preventivas, em situações específicas e bem indicadas
  4. Avaliação e orientação de familiares, que também podem se beneficiar do teste


A partir dessa informação, é possível
criar um plano de cuidados individualizado, focado na prevenção, monitoramento e qualidade de vida.


O teste genético pode causar algum prejuízo?


Fisicamente, o exame é simples e seguro, feito com coleta de sangue ou saliva. No entanto, os resultados podem gerar dúvidas, ansiedade ou decisões difíceis. Por isso, é essencial que o processo seja acompanhado por profissionais experientes, garantindo
clareza nas orientações e acolhimento emocional.


Vale destacar que a confidencialidade é protegida por lei, como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), que regula o uso responsável dessas informações no Brasil.


É possível prevenir o câncer hereditário?


Embora não exista prevenção absoluta, identificar uma mutação genética
permite adotar estratégias eficazes para reduzir riscos e detectar precocemente qualquer alteração. Isso pode incluir:


  • Exames de rastreamento em intervalos menores e iniciados mais cedo
  • Adoção de hábitos saudáveis (atividade física, alimentação equilibrada, evitar tabaco e álcool)
  • Cirurgias redutoras de risco em casos específicos
  • Acompanhamento constante com equipe multidisciplinar


A
detecção precoce continua sendo uma das melhores formas de salvar vidas — e, nesse contexto, o teste genético é um aliado poderoso.


Perguntas frequentes


  • Quais são os cânceres que são hereditários?

    Os principais cânceres com origem hereditária são os de mama, ovário, colorretal (síndrome de Lynch), próstata, pâncreas, melanoma e gástrico difuso, especialmente quando há histórico familiar em múltiplas gerações.


  • O teste genético detecta se estou com câncer?

    Não. Ele avalia se você tem uma mutação genética que aumenta o risco de desenvolver certos tipos de câncer ao longo da vida, permitindo medidas de prevenção e rastreamento mais eficazes.


  • Qual tipo de câncer é genético?

    Cânceres relacionados a mutações nos genes BRCA1, BRCA2, TP53, MLH1, MSH2, entre outros, são considerados genéticos. Eles estão ligados a síndromes hereditárias que aumentam o risco de câncer em diferentes órgãos.


  • Qual a chance de herdar o câncer?

    A chance de herdar uma predisposição genética ao câncer é de 50% quando um dos pais é portador da mutação. No entanto, isso representa apenas 5% a 10% de todos os casos de câncer, segundo o INCA.


  • Quando a mãe tem câncer, a filha pode ter?

    Depende. Nem todo câncer é hereditário. Se a mãe possui uma mutação genética, como BRCA1 ou BRCA2, há risco de transmissão. O histórico familiar deve ser avaliado por um especialista.


  • Quem são as pessoas que têm mais chance de ter câncer?

    Indivíduos com histórico familiar de câncer precoce, múltiplos casos na família ou tipos raros de câncer têm maior chance de predisposição hereditária. Fatores ambientais e estilo de vida também influenciam.

  • Como evitar o câncer hereditário?

    Não é possível evitar completamente, mas é possível reduzir o risco com rastreamento precoce, hábitos saudáveis, acompanhamento médico contínuo e, em alguns casos, cirurgias preventivas.


  • Como saber se tenho predisposição hereditária ao câncer?

    Sinais como múltiplos casos de câncer na família, diagnósticos em idade jovem e cânceres raros (como mama em homens) podem indicar predisposição. A avaliação deve ser feita por um médico com experiência em genética.


  • Quando devo procurar um teste genético para câncer?

    O teste é indicado quando há histórico familiar sugestivo, como parentes com câncer precoce ou com mutações já identificadas. A decisão deve sempre ser acompanhada por um especialista.

  • Quem tem predisposição genética vai, necessariamente, desenvolver câncer?

    Não. Ter uma mutação genética aumenta o risco, mas não garante que o câncer vá surgir. O acompanhamento médico e a prevenção adequada ajudam a reduzir esse risco.


  • Ter vários casos de câncer na família sempre significa que ele é hereditário?

    Não necessariamente. Pode haver coincidência, exposição a fatores ambientais comuns ou hábitos semelhantes entre familiares. Só uma análise genética detalhada pode confirmar se há predisposição hereditária.


  • Se meu teste genético der negativo, estou livre do risco de câncer?

    Não. O teste identifica mutações conhecidas, mas não elimina totalmente o risco, pois outras mutações podem não ser detectadas e fatores ambientais também influenciam no desenvolvimento da doença.


  • Posso fazer o teste genético mesmo sem ter câncer?

    Sim. Pessoas saudáveis com histórico familiar sugestivo podem realizar o teste para entender seus riscos e adotar estratégias preventivas personalizadas.


  • O câncer hereditário pode pular gerações?

    Sim. Nem todos os portadores da mutação desenvolvem a doença. Isso se chama penetrância incompleta, e pode dar a falsa impressão de que o risco desapareceu em determinadas gerações.



Especialista em diagnóstico oncológico em São Paulo | Dr. Gustavo Schvartsman


Nem todo câncer é hereditário, mas
entender se há risco genético pode mudar completamente a forma como cuidamos da saúde. Saber mais sobre sua história familiar, realizar testes genéticos quando indicados e contar com uma equipe especializada são passos essenciais para uma abordagem moderna, preventiva e personalizada.


Se você tem histórico familiar de câncer ou dúvidas sobre seu risco, converse com um oncologista e considere uma avaliação genética.

Você já parou para investigar se sua história familiar pode indicar uma predisposição ao câncer?


Se você busca por um oncologista com expertise e experiência, sou o Dr. Gustavo Schvartsman, especialista em oncologia clínica. Formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo, me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, acesse o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.


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Como resultado, reduz o crescimento do tumor e prolonga a sobrevida . Evidências mostram benefício consistente até mesmo em pessoas previamente tratadas com outros TKIs, reforçando seu papel como terapia de alto impacto. Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão Pacientes com mutações EGFR sensibilizantes O grupo mais beneficiado inclui pessoas com: Deleções no éxon 19 L858R no éxon 21 Algumas outras alterações mais raras no EGFR Pacientes com mutação T790M A mutação T790M aparece como forma de resistência em aproximadamente 50 a 60 por cento dos pacientes tratados com TKIs de gerações anteriores. O Osimertinibe foi o primeiro TKI a demonstrar eficácia comprovada contra essa alteração, com impacto direto no controle da doença. Pacientes com metástases cerebrais Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para: Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas Prevenir o surgimento de novas lesões Reduzir sintomas neurológicos Postergar radioterapia Dados publicados no New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana. Pacientes recém diagnosticados com doença avançada No estudo FLAURA , considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual. Pacientes operados com alto risco de recidiva Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte. Efeitos colaterais O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança. Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve. Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. 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Osimertinibe como parte de um tratamento personalizado O plano terapêutico é individualizado e leva em conta o tipo e localização do tumor, o estágio da doença, a existência de metástases e as condições clínicas do paciente. Muitas vezes, o Osimertinibe integra um programa terapêutico que pode incluir: Imunoterapia Quimioterapia Radioterapia Cuidados de suporte Essa integração promove melhor controle, diminui sintomas e contribui para avanços importantes na qualidade de vida. Perguntas frequentes
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