Terapia de prótons: Entenda o que é a protonterapia e suas indicações

Gustavo Schvartsman • 19 de dezembro de 2024

A terapia de prótons, também conhecida como protonterapia, é uma forma avançada de radioterapia que utiliza prótons em vez de raios X para tratar o câncer. Essa abordagem oferece maior precisão, permitindo que os médicos direcionem a radiação diretamente para o tumor, com menos impacto nos tecidos saudáveis circundantes.

Com isso, a protonterapia tem se tornado uma opção cada vez mais importante para pacientes que precisam de tratamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais. Continue lendo para entender
o que é a protonterapia, como ela funciona e quais são suas principais indicações.


Ainda não há um centro de tratamento de prótons no Brasil, pelo alto custo de investimento para essa tecnologia e dificuldade de acesso para manter o equipamento em constante uso. 


O que é a terapia de prótons?


A terapia de prótons é uma
forma avançada de radioterapia que utiliza partículas chamadas prótons para tratar o câncer. Diferente da radioterapia tradicional, que usa raios X e distribui radiação ao longo do caminho até o tumor, os prótons liberam a maior parte de sua energia diretamente no tumor, minimizando danos aos tecidos saudáveis ao redor.


Como funciona a protonterapia?


A protonterapia utiliza uma característica física chamada pico de Bragg, que permite
liberar a energia dos prótons de forma controlada, concentrando-a exatamente no local do tumor. Diferente dos raios X, que liberam radiação ao longo de todo o trajeto no corpo, os prótons depositam sua energia apenas no ponto-alvo, minimizando o risco de danos aos tecidos saudáveis ao redor.


O processo funciona da seguinte maneira:



  1. Produção de prótons: Os prótons são gerados em um acelerador de partículas e direcionados ao corpo do paciente.
  2. Direcionamento de precisão: Os prótons são ajustados para liberar energia no tumor, conforme seu tamanho, formato e localização.
  3. Tratamento em sessões: O tratamento ocorre em várias sessões, cada uma liberando uma dose precisa de prótons diretamente no tumor.


Benefícios da terapia de prótons


A terapia de prótons oferece vantagens significativas em comparação à radioterapia convencional, especialmente pela sua precisão e menor impacto no corpo. Entre os principais benefícios estão:


  • Menos danos aos tecidos saudáveis: Como os prótons liberam sua energia diretamente no tumor, o risco de afetar órgãos e tecidos próximos é muito reduzido.
  • Redução de efeitos colaterais: Pacientes que recebem protonterapia tendem a ter menos efeitos colaterais, como fadiga, náuseas e irritações na pele, típicos da radioterapia tradicional.
  • Maior precisão: A capacidade de focar a radiação com extrema precisão permite o tratamento de tumores em locais delicados, como o cérebro, olhos e medula espinhal.
  • Tratamento seguro para crianças: Em pacientes pediátricos, a protonterapia é particularmente vantajosa, pois minimiza os efeitos tardios da radiação em órgãos em desenvolvimento.


Indicações da terapia de prótons


A protonterapia é indicada para vários tipos de câncer, especialmente em áreas
onde a preservação dos tecidos saudáveis é essencial. As principais indicações incluem:


Tumores no sistema nervoso central

A protonterapia é especialmente eficaz no tratamento de tumores cerebrais (gliomas, astrocitomas, ependimomas) e na medula espinhal.

Por que é indicada: A capacidade dos prótons de liberar energia diretamente no tumor reduz a exposição de tecidos saudáveis, protegendo áreas críticas, como o córtex cerebral e os nervos ópticos.

Benefícios adicionais: Menor risco de efeitos colaterais tardios, como comprometimento da função cognitiva e problemas motores, o que é essencial em pacientes pediátricos e adultos jovens.


Câncer de próstata

Tratamento localizado do câncer de próstata, principalmente em estágios iniciais ou para pacientes que desejam minimizar os efeitos colaterais.

Benefícios: A precisão da protonterapia diminui a radiação nos tecidos próximos, como a bexiga e o reto, reduzindo o risco de incontinência urinária e problemas intestinais. Além disso, minimiza a chance de disfunção erétil, preservando a qualidade de vida do paciente.

Casos avançados: Em certos casos, pode ser combinada com terapias hormonais para maximizar a eficácia.


Câncer de cabeça e pescoço

Indicação: Tumores próximos a estruturas sensíveis, como olhos, boca, garganta e glândulas salivares.

Por que é vantajosa: A protonterapia permite irradiar o tumor sem comprometer a função de órgãos vitais, como a visão, audição e deglutição.

Redução de efeitos colaterais: Menor risco de xerostomia (boca seca), dificuldades para engolir e perda do paladar, que são comuns em radioterapias convencionais.


Câncer pediátrico

Indicação: Tumores infantis, como meduloblastomas e ependimomas, onde a preservação do crescimento e desenvolvimento é crucial.

Vantagem específica: A menor dose de radiação fora do campo de tratamento reduz o risco de efeitos colaterais tardios, como distúrbios hormonais, comprometimento do crescimento e o desenvolvimento de novos cânceres induzidos pela radiação.

Importância: A protonterapia é especialmente indicada para crianças e adolescentes, pois os órgãos em desenvolvimento são mais sensíveis à radiação.


Tumores ósseos e sarcomas

Indicação: Sarcomas e tumores ósseos em áreas delicadas, como coluna vertebral e pelve.

Benefícios: A protonterapia permite tratar o tumor preservando ao máximo os tecidos saudáveis, especialmente nervos e vasos sanguíneos próximos, fundamentais para a função motora e circulação.

Casos complexos: Pode ser utilizada após cirurgias para eliminar células remanescentes, minimizando o risco de recidiva.


Câncer de pulmão e mama

Indicação: Casos em que os tumores estão próximos de órgãos vitais, como o coração e os pulmões.

Vantagem específica: A capacidade dos prótons de interromperem sua trajetória com precisão reduz a exposição a estruturas delicadas, minimizando o risco de complicações cardíacas e respiratórias a longo prazo.

Casos de mama esquerda: A protonterapia é frequentemente indicada para tumores na mama esquerda, protegendo o coração de danos durante o tratamento.


Câncer do trato ginecológico/intestinal

Indicação: Casos em que mulheres em idade fértil com tumores na região abdominal que necessite de radioterapia

Vantagem específica: A capacidade dos prótons de interromperem sua trajetória com precisão reduz a exposição ao útero e ovários, podendo ter maior possibilidade de preservar a fertilidade.


Efeitos colaterais da terapia de prótons


Embora a terapia de prótons cause menos efeitos colaterais em comparação à radioterapia convencional, alguns sintomas ainda podem ocorrer,
variando de acordo com o tamanho e a localização do tumor. Os efeitos colaterais mais comuns incluem:


  • Fadiga;
  • Irritação na pele na área tratada;
  • Inchaço ou desconforto no local do tumor;
  • Náuseas e perda de apetite, dependendo da área tratada.


No geral, esses efeitos
tendem a ser menos intensos e de curta duração quando comparados aos tratamentos convencionais, proporcionando uma recuperação mais tranquila ao paciente.


Perguntas frequentes


Como funciona a protonterapia?

A protonterapia usa prótons para liberar energia diretamente no tumor, com precisão milimétrica, minimizando os danos aos tecidos saudáveis ao redor.


Qual a vantagem da protonterapia?

A principal vantagem é a precisão, que permite tratar o câncer com menos danos aos tecidos saudáveis e menos efeitos colaterais em comparação à radioterapia convencional.


Para quais tipos de câncer a protonterapia é indicada?

A protonterapia é indicada para cânceres no cérebro, medula espinhal, próstata, cabeça e pescoço, pulmão, mama e câncer pediátrico, entre outros.


Quais os tipos de tumores mais tratados por protonterapia?

Tumores no cérebro, medula espinhal, próstata, cabeça e pescoço, além de cânceres pediátricos e sarcomas são os mais frequentemente tratados.


Qual é o tempo de duração de um tratamento com protonterapia?

A protonterapia é geralmente realizada em várias sessões diárias durante um período de 6 a 8 semanas, dependendo do tipo e estágio do câncer.


A protonterapia está disponível no Brasil?

Não, a protonterapia ainda não está disponível no Brasil.


A protonterapia pode ser combinada com outros tratamentos de câncer?

Sim, a protonterapia pode ser combinada com quimioterapia ou imunoterapia, dependendo do tipo e estágio do câncer, aumentando a eficácia do tratamento.


Quais fatores os médicos consideram ao decidir entre protonterapia e radioterapia convencional?

Os médicos avaliam a localização do tumor, a necessidade de preservar tecidos saudáveis, o histórico de tratamentos anteriores e o perfil do paciente.


A protonterapia pode ser utilizada em pacientes que já receberam radioterapia?

Sim, em alguns casos, a protonterapia pode ser usada em pacientes que já passaram por radioterapia convencional, especialmente se houver necessidade de proteger tecidos previamente irradiados.


A protonterapia pode ser usada para tratar metástases?

Sim, a protonterapia pode ser uma opção para tratar metástases, especialmente em áreas sensíveis onde a precisão é fundamental para proteger tecidos saudáveis.


Conclusão


A terapia de prótons é uma das formas mais avançadas de tratamento contra o câncer, oferecendo
precisão, eficácia e menor impacto nos tecidos saudáveis. Indicada para diversos tipos de câncer, especialmente aqueles localizados em áreas críticas, como cérebro e medula espinhal, a protonterapia está revolucionando o tratamento oncológico. Quer saber mais sobre como a protonterapia pode beneficiar você ou um ente querido? Compartilhe este artigo.

Se você está em busca de um especialista em oncologia clínica, conheça o Dr. Gustavo Schvartsman, formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo e com especialização no MD Anderson Cancer Center, ele traz experiência internacional e um forte foco em imunoterapia. Atuando no Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Gustavo oferece tratamentos personalizados, incluindo terapias de última geração e um cuidado integral, garantindo que cada paciente receba as melhores opções de tratamento disponíveis. Para mais informações navegue no site ou para agendar uma consulta clique aqui.


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Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. 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O monitoramento com o oncologista reduz riscos e permite ajustes adequados do tratamento quando necessário. Como é feito o diagnóstico das mutações EGFR Para indicar o Osimertinibe corretamente, é essencial identificar as mutações por meio de: Sequenciamento de nova geração (NGS) PCR em tempo real Biópsia líquida (quando o tumor libera DNA no sangue) Esses métodos estão amplamente disponíveis e ajudam a escolher a melhor abordagem terapêutica. Atenção! O NGS é sempre preferível para buscar co-mutações associadas ao EGFR que podem afetar prognóstico e auxiliar na decisão de tratamento, uma vez que hoje há mais de uma opção. Esse método sequencia centenas de genes ao mesmo tempo. Por que isso é decisivo Sem o teste molecular, não é possível confirmar se o tumor depende da via EGFR. Sem essa informação, o tratamento pode não trazer o benefício esperado. 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