Outubro Rosa – Conscientização sobre Rastreamento de Câncer de Mama

Dr. Gustavo Schvartsman • 9 de outubro de 2018

No mês de outubro, o mundo inteiro adota a cor rosa em prol da conscientização sobre a luta contra o câncer de mama, além de medidas de prevenção e diagnóstico precoce. O movimento teve início na década de 90, em Nova York, pela fundação Susan G. Komen for the Cure, onde os participantes da Corrida pela Cura receberam o famoso laço cor-de-rosa para utilizar durante a prova. Desde então, o mês é celebrado anualmente e a prática foi gradualmente adquirindo maiores proporções e sendo adotado mundialmente. No Brasil, a primeira iniciativa ocorreu em 2002, quando o Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, foi iluminado de rosa.

 

O câncer de mama representa o tumor mais frequente em mulheres (excluindo-se câncer de pele não-melanoma). No Brasil, estima-se que quase 60 mil casos novos serão diagnosticados em 2018, com mais de 14 mil mortes associadas ao câncer de mama. A chance de uma mulher sem risco aumentado desenvolver um câncer de mama ao longo da vida é de 1 em 8 (12,5%), risco que pode chegar a 80-90% em casos de pacientes portadoras de mutações genéticas hereditárias, como BRCA 1 e 2. O câncer de mama, quando diagnosticado precocemente, apresenta altas taxas de cura. Graças ao rastreamento com mamografia, grande parte das lesões são encontradas em estágio inicial. Aqui, discutimos alguns pontos importantes sobre esse câncer.

 

O que significa rastreamento?

É a busca, através de algum exame, que detecte uma doença antes de ela causar sintomas, assumindo que a doença seja de tratamento mais efetivo e simples quando em estágios mais precoces. Ou seja, no caso do câncer de mama, queremos diagnosticá-lo antes que ele se apresente como um nódulo palpável. O principal método de rastreamento deste câncer é a mamografia.

 

Por que, então, não rastreamos todos os cânceres?

O rastreamento só é discutido para doenças de alta prevalência, que ocorrem frequentemente na população. É muito pouco custo-efetivo, por exemplo, realizar exames na população inteira para procurar um câncer de baixa incidência, como o câncer de pâncreas, que representa apenas 2% dos tumores malignos. Em comparação, o câncer de mama representa 28% de todos os cânceres em mulheres no Brasil. Dessa forma, a chance de encontrarmos um tumor na mama é muito mais alta, o que justifica rastrear todas as mulheres na faixa etária adequada. Ademais, não basta encontrar o tumor – o diagnóstico precoce deve aumentar as chances de cura do câncer em questão, diminuindo sua mortalidade câncer-específica. Cerca de 90-95% dos cânceres de mama diagnosticados em estágios iniciais são curáveis. Novamente, comparando com o exemplo de câncer de pâncreas, apenas 20% desses tumores são curados quando diagnosticados em estágio inicial, o que dificilmente levaria a uma redução de mortalidade significativa, mesmo se um número maior de tumores fosse diagnosticado precocemente.

 

Quando devo iniciar o rastreamento para câncer de mama?

O maior benefício do rastreamento com mamografias ocorre entre os 50 e 75 anos de idade. Essa é a recomendação do Ministério da Saúde, e de outros órgãos governamentais, que tem como custo-efetividade sua principal finalidade. Algumas sociedades médicas advogam pelo início mais precoce do rastreamento, a partir dos 40 anos, pois há evidência de benefício entre 40-49 anos, mas em menor escala. A frequência do rastreamento também é motivo de debate. Enquanto as sociedades recomendam a mamografia anualmente, os órgãos governamentais recomendam o exame a cada 2 anos. Em mulheres acima de 75 anos, mas com expectativa de vida de mais de 10 anos (algo cada vez mais comum), ainda há benefício de continuar o rastreamento.

 

Qual a magnitude do benefício ao rastrear todas as mulheres nessa faixa etária?

Estima-se que a redução da mortalidade por câncer de mama seja reduzida em 20-30% com um rastreamento populacional bem feito. Isso também se traduz em uma redução de custos ao sistema de saúde, um tratamento mais simples e com reestabelecimento mais rápido da mulher, com retorno precoce às suas atividades e menos sequelas físicas e psicológicas.

 

O rastreamento é disponível no SUS?

Toda mulher tem direito ao seu exame de mamografia. A depender da região, o acesso infelizmente ainda é um problema. Outra questão importante é o tratamento adequado e em tempo hábil após o diagnóstico. A fila para a realização da cirurgia para um câncer de mama pode chegar a 6 meses, o que muitas vezes converte um diagnóstico precoce em localmente avançado, ou mesmo metastático.

 

Há efeitos negativos de um rastreamento disseminado?

O rastreamento deve ser realizado apenas na faixa etária recomendada. Fora dela, não há benefício. Nódulos mamários são comuns, e muitas vezes mulheres jovens realizam exames em idade muito precoce, sendo subsequentemente submetidas a procedimentos desnecessários. Muitos nódulos benignos acabam sendo biopsiados, e até removidos sem necessidade. O mesmo vale para tumores benignos em mulheres na faixa etária adequada. Tranquilizar a paciente que tiver uma mamografia sem achados suspeitos para malignidade, evitando procedimentos potencialmente lesivos e custosos, é tão importante quanto investigar um nódulo suspeito.

 

O movimento Outubro Rosa é efetivo?

Estudos apontam que a mortalidade por câncer de mama reduziu muito pouco nos últimos 10 anos – muito por conta da alta probabilidade de cura que já se verifica em tumores iniciais. No Brasil, porém, o rastreamento adequado não é realizado sistematicamente, particularmente no SUS. No Hospital Israelita Albert Einstein, o tamanho médio do tumor diagnosticado é de 1,5 cm. No sistema público, é de 5 cm. Há uma discrepância de mortalidade de natureza socioeconômica importante no Brasil. O Outubro Rosa é uma campanha que se mostrou efetiva para aumentar a conscientização e engajamento em mídias sociais, mas não necessariamente isso se traduziu em maior número de diagnósticos precoces ou redução da mortalidade. O objetivo comercial e de marketing hoje é muito forte no período. Algumas críticas ao movimento são de que estimula muito o auto-exame, modalidade de rastreamento já comprovadamente ineficaz, e dedica muito pouco da verba arrecadada à pesquisa em câncer de mama ou ao maior acesso pelo SUS. Muitas ONGs, como o Instituo Protea e Amigo H, arrecadam mais no período. Os fundos são destinados para causas como diminuição de pacientes da fila do SUS e incentivo à pesquisa.

 

Já sei como diagnosticar o câncer de mama precocemente. Há meios de prevenir que ele se desenvolva?

Fatores modificáveis que estão comprovadamente associados a um aumento do risco incluem obesidade (aumento relativo de 10-20% de risco), uso de contraceptivos hormonais (10-30%, a depender do método), ingestão pesada de álcool (15%) e reposição hormonal prolongada (35% para mais de 5 anos de uso). Fatores que diminuem o risco incluem exercício físico regular (redução relativa de 15% de risco), dieta mediterrânea (40%) e amamentação (4,3% para cada 12 meses de amamentação).

 

Em conclusão, o diagnóstico precoce através do rastreamento populacional efetivo é um meio comprovadamente eficaz para redução de mortalidade por câncer de mama. Nenhuma recomendação através de mídias sociais substitui a do médico especialista. Procure um mastologista ou oncologista para tirar as dúvidas específicas e saber o que é necessário ser feito na sua faixa etária.


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Pacientes com metástases cerebrais Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para: Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas Prevenir o surgimento de novas lesões Reduzir sintomas neurológicos Postergar radioterapia Dados publicados no New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana. Pacientes recém diagnosticados com doença avançada No estudo FLAURA , considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual. Pacientes operados com alto risco de recidiva Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte. Efeitos colaterais O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança. Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve. Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. 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