Vivendo com Câncer: Estratégias para gerenciar a saúde mental e física durante o tratamento

Gustavo Schvartsman • 15 de outubro de 2024

Viver com câncer é uma jornada desafiadora que envolve lidar com inúmeros aspectos físicos e emocionais. Durante o tratamento, é fundamental encontrar maneiras eficazes de cuidar tanto da saúde mental quanto da física para manter a qualidade de vida. Neste artigo, exploramos uma variedade de estratégias para ajudá-lo a enfrentar os desafios diários do tratamento.



Você encontrará orientações sobre como lidar com o estresse e a ansiedade, a importância de uma alimentação balanceada e de exercícios físicos adequados, além de técnicas de relaxamento e apoio emocional. Saber como buscar e aceitar ajuda de profissionais de saúde, familiares e amigos também é essencial nessa caminhada. Continue lendo.


Gerenciando a saúde física durante o tratamento


O gerenciamento dos sintomas físicos associados ao câncer é um aspecto importante do cuidado integral ao paciente, visando melhorar sua qualidade de vida durante o tratamento e além. Esta abordagem multidimensional requer uma equipe de saúde especializada e um plano de tratamento personalizado, abordando não apenas o tumor em si, mas também os sintomas decorrentes tanto da doença quanto de suas terapias.


1. Dor


A dor é um dos sintomas mais comuns e debilitantes associados ao câncer. O manejo eficaz da dor pode incluir medicamentos, além de terapias complementares como acupuntura, massagem e técnicas de relaxamento. A avaliação contínua da dor é fundamental, adaptando as intervenções para responder às mudanças nas condições do paciente.


No Brasil, estudos indicam que a dor é uma queixa frequente entre pacientes com câncer, sendo reportada por até 70% dos pacientes em estágios avançados da doença. O acesso a opioides (classe de medicamentos que atuam no sistema nervoso central para aliviar a dor) embora essencial, é muitas vezes limitado por questões regulatórias e de disponibilidade, o que desafia o manejo eficaz da dor em oncologia.


Em alguns casos, técnicas de bloqueio de plexos nervosos responsáveis pela região dolorosa podem ser muito úteis em casos mais avançados, com doses mais altas de opioides. 


2. Fadiga

A fadiga é reportada em cerca de 80% dos pacientes em tratamento quimioterápico no Brasil. Reconhecendo essa realidade, instituições como o Instituto Nacional de Câncer (INCA) oferecem diretrizes para manejo de fadiga. Estratégias de gerenciamento podem incluir modificações na atividade física, com a introdução de exercícios leves a moderados, orientação nutricional para combater deficiências e, em alguns casos, medicamentos para melhorar a energia e o bem-estar.


Aqui estão algumas dicas para gerenciar a fadiga:


  • Monitoramento de energia: Priorizar atividades, reconhecer os próprios limites e planejar períodos de descanso antes de se sentir completamente exausto. Isso pode ajudar a manter um equilíbrio entre atividade e repouso.
  • Técnicas de relaxamento: Yoga e meditação podem ajudar a reduzir o estresse e melhorar os níveis de energia.
  • Sono adequado: Manter uma rotina de sono regular e criar um ambiente propício ao descanso e limitar a exposição a telas antes de dormir.


3. Problemas gastrointestinais

Náuseas, vômitos e alterações no apetite são frequentes, especialmente relacionados à quimioterapia. O uso de antieméticos antes e durante o tratamento quimioterápico é padrão. Dietas ajustadas e pequenas refeições frequentes podem ajudar a manter a nutrição adequada e controlar os sintomas.


4. Alterações na pele e cabelo

Os efeitos colaterais como perda de cabelo e alterações cutâneas são visíveis e muitas vezes afetam a autoestima do paciente. O SUS oferece suporte, incluindo perucas e acessórios para pacientes que sofrem perda de cabelo devido à quimioterapia, através de programas sociais e parcerias.


5. Problemas respiratórios

Pacientes com câncer no pulmão ou aqueles com metástases pulmonares podem experimentar dificuldades respiratórias. Terapias respiratórias, uso de oxigênio suplementar e medicamentos broncodilatadores podem ser necessários para aliviar os sintomas.


Gerenciando a saúde mental durante o tratamento de câncer 


O tratamento do câncer é uma jornada complexa que afeta não apenas o corpo físico, mas também o
bem-estar emocional e mental dos pacientes. Gerenciar a saúde mental é crucial, pois um estado psicológico positivo pode influenciar significativamente o curso do tratamento e a qualidade de vida. 


Entendendo o impacto emocional do câncer


O diagnóstico de câncer frequentemente evoca uma ampla gama de emoções intensas: medo, ansiedade, depressão e incerteza são comuns. Esses sentimentos podem surgir da preocupação com a própria saúde, o impacto da doença nas relações familiares e profissionais, e a ansiedade sobre tratamentos e seus efeitos colaterais. Reconhecer e validar esses sentimentos como parte normal da experiência do câncer é o primeiro passo essencial na gestão da saúde mental.


Estratégias para fortalecer a saúde mental


Suporte psicológico profissional

A terapia psicológica, seja individual ou em grupo, pode ser extremamente benéfica. Psicólogos especializados em oncologia estão equipados para ajudar os pacientes a processar suas emoções, desenvolver estratégias de coping e fortalecer a resiliência mental. Terapias como a cognitivo-comportamental são eficazes para tratar a ansiedade e depressão relacionadas ao câncer.


Grupos de apoio

Participar de grupos de apoio onde pacientes e sobreviventes compartilham suas experiências pode proporcionar um senso de comunidade e entendimento mútuo. Esses grupos oferecem um espaço seguro para expressar sentimentos, compartilhar preocupações e aprender com as experiências dos outros, reduzindo a sensação de isolamento.


Práticas de mindfulness e relaxamento

Técnicas de mindfulness, meditação e relaxamento ajudam a reduzir o estresse e promovem a saúde mental. Práticas como a meditação guiada e o yoga podem ajudar a centrar a mente, controlar a ansiedade e melhorar o estado emocional geral.


Atividade física

Embora seja principalmente benéfica para a saúde física, como citado anteriormente, a atividade física também tem efeitos positivos significativos sobre a saúde mental. Exercícios regulares, adaptados às capacidades e limitações do paciente, podem diminuir os sintomas de depressão e ansiedade, além de melhorar a autoestima e a energia.


Educação e autonomia do paciente

Educar os pacientes sobre sua condição e tratamento pode empoderá-los, reduzindo o medo do desconhecido e aumentando o senso de controle. Entender os aspectos do tratamento e os possíveis efeitos colaterais ajuda os pacientes a se prepararem melhor para o que esperar e como gerenciar.


Adaptações no ambiente doméstico

Criar um ambiente tranquilo e confortável em casa pode ajudar significativamente na gestão do estresse e promoção do bem-estar. Isso inclui ter áreas de descanso adequadas, reduzir o ruído e a desordem, e adaptar o espaço para atender às necessidades físicas durante o tratamento.


Dicas de nutrição para pacientes com câncer


Como já citado, a nutrição adequada é um componente essencial do tratamento do câncer, desempenhando um papel fundamental na
manutenção da força, na promoção da recuperação e no suporte ao sistema imunológico. Uma abordagem nutricional bem planejada pode ajudar a mitigar os efeitos colaterais do tratamento e melhorar a qualidade de vida. Aqui estão algumas recomendações para pacientes em tratamento oncológico:


  1. Manutenção de uma dieta balanceada


Variedade nutricional: Incorporar uma variedade de frutas, vegetais, proteínas magras e grãos integrais é fundamental. Frutas e vegetais fornecem vitaminas e minerais essenciais, além de antioxidantes que ajudam a combater o estresse oxidativo. Proteínas são importantes para a reparação e construção de tecidos, enquanto grãos integrais fornecem a energia necessária para o corpo durante o tratamento.

Frequência de refeições: Comer pequenas porções várias vezes ao dia pode ser mais gerenciável para aqueles que experienciam náuseas ou falta de apetite. Snacks nutritivos entre as refeições principais podem ajudar a manter o nível de energia e promover uma nutrição adequada.

Alimentos anti-inflamatórios: Incluir alimentos com propriedades anti-inflamatórias, como peixes ricos em ômega-3, nozes, sementes de linhaça e azeite de oliva, pode ajudar a reduzir a inflamação sistêmica e apoiar a recuperação geral.

     2.  Hidratação adequada


Consumo de água: Manter-se hidratado é crucial, pois a hidratação adequada ajuda a eliminar toxinas do corpo, facilita a digestão e melhora a função celular. A quantidade recomendada pode variar, mas geralmente sugere-se que pacientes com câncer bebam pelo menos oito copos de água por dia, ajustando conforme necessário com base na atividade física e em outros fatores de saúde.

Evitar desidratação: É importante estar atento aos sinais de desidratação, especialmente quando os efeitos colaterais do tratamento, como vômitos ou diarreia, podem aumentar o risco. Sintomas como boca seca, cansaço e tontura indicam a necessidade de aumentar a ingestão de líquidos.

     3.  Evitando alimentos problemáticos


Alimentos a evitar: Durante o tratamento, alguns alimentos podem agravar os efeitos colaterais ou interagir negativamente com os medicamentos. É recomendável evitar o consumo excessivo de açúcares refinados, gorduras saturadas e processadas, bem como alimentos muito condimentados ou ácidos que podem irritar o estômago.

Segurança alimentar: Pacientes com câncer devem ser particularmente cuidadosos com a segurança alimentar devido ao risco aumentado de infecções. Alimentos crus, como sushi e certas carnes mal passadas, devem ser evitados, e frutas e vegetais devem ser bem lavados.

Implementar essas práticas nutricionais não só pode ajudar a gerenciar os desafios físicos associados ao tratamento do câncer, mas também apoiar a saúde emocional e mental, fortalecendo o paciente para enfrentar melhor sua jornada de tratamento.


Cuidados paliativos em oncologia


Cuidados paliativos em oncologia são essenciais para a
gestão integrada da saúde de pacientes enfrentando câncer, concentrando-se não só em tratar a doença, mas também em melhorar a qualidade de vida dos pacientes e suas famílias. Esses cuidados são projetados para complementar os tratamentos curativos, ajudando a gerenciar os efeitos colaterais e a melhorar a qualidade de vida. Além disso, envolvem uma abordagem multidisciplinar que alivia sintomas físicos, psicológicos e espirituais, proporcionando suporte durante todas as fases do tratamento do câncer. A ideia central é tratar a pessoa como um todo, não apenas a doença.

Benefícios dos Cuidados Paliativos


Melhoria na qualidade de vida: Ao abordar as necessidades físicas e emocionais, os cuidados paliativos ajudam a melhorar a qualidade de vida.

Redução do estresse: O suporte emocional e espiritual contribui para a redução do estresse tanto para o paciente quanto para seus familiares.

Maior autonomia do paciente: Empoderar os pacientes na tomada de decisões sobre seus tratamentos e cuidados promove uma maior sensação de controle sobre sua situação.


Implementação Efetiva dos Cuidados Paliativos


Implementar cuidados paliativos eficazes requer a colaboração de uma equipe multidisciplinar, incluindo médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e capelães. A integração desses serviços desde o início do tratamento do câncer garante que todos os aspectos do bem-estar do paciente sejam considerados e tratados.

Perguntas Frequentes


É possível uma pessoa viver com câncer?

Sim, muitas pessoas vivem com câncer, especialmente com os avanços nos tratamentos que permitem controlar a doença por longos períodos. A expectativa de vida pode variar amplamente dependendo do tipo, estágio do câncer e eficácia do tratamento.

Quem tem câncer pode ter uma vida normal?

Muitas pessoas com câncer conseguem manter aspectos de suas vidas normais, incluindo trabalho e atividades sociais, especialmente durante os períodos de remissão ou quando o câncer está sendo gerenciado efetivamente. As adaptações podem ser necessárias, dependendo dos efeitos do tratamento.

Como fica o psicológico de uma pessoa com câncer?

O impacto psicológico do câncer pode incluir sentimentos de ansiedade, depressão e medo, além de preocupações sobre a saúde e o futuro. Muitos pacientes beneficiam-se de apoio psicológico profissional para ajudar a gerenciar esses desafios emocionais.


O que não podemos fazer quando se tem câncer?

Restrições podem variar dependendo do tipo e estágio do câncer, bem como dos efeitos colaterais do tratamento. Geralmente, recomenda-se evitar atividades que comprometam o sistema imunológico, consumir álcool em excesso, fumar, e ignorar recomendações médicas relacionadas à dieta e ao exercício físico.


Quais adaptações podem ser necessárias em casa para alguém vivendo com câncer?

Adaptações podem incluir a instalação de barras de apoio no banheiro, ajustes na altura da cama para facilitar o acesso, e a organização do espaço para minimizar o risco de quedas. Equipamentos de assistência podem ser recomendados por terapeutas ocupacionais.


Como posso lidar com os efeitos colaterais do tratamento do câncer?

Para lidar com os efeitos colaterais do tratamento de câncer, mantenha uma comunicação aberta com sua equipe médica sobre quaisquer sintomas, utilize medicamentos para alívio conforme prescritos, e implemente mudanças de estilo de vida recomendadas, como ajustes na dieta e exercícios leves.


Posso trabalhar durante o tratamento de câncer?

Trabalhar durante o tratamento de câncer depende da natureza do trabalho, da intensidade do tratamento e de como você se sente. Muitas pessoas conseguem trabalhar com ajustes na carga horária ou com acomodações, mas é essencial discutir com a equipe médica e avaliar sua capacidade individual.


Quais são os sinais de alerta para buscar ajuda médica imediata durante o tratamento do câncer?

Sinais de alerta incluem febre alta (acima de 38°C), dificuldade súbita para respirar, dor intensa, confusão ou desorientação, e sinais de infecção como vermelhidão ou pus em qualquer parte do corpo. Estes sintomas exigem atenção médica imediata


É normal se sentir com raiva, triste ou com medo depois de receber um diagnóstico de câncer?

Sim, é completamente normal e compreensível sentir raiva, tristeza ou medo após um diagnóstico de câncer. Estas são reações emocionais comuns frente a uma notícia impactante e desafiadora. O apoio de profissionais de saúde mental pode ser muito benéfico.


Conclusão


Viver com câncer requer uma abordagem multifacetada para gerenciar tanto a saúde física quanto mental. Adotar uma combinação de boas práticas de nutrição, exercício físico, apoio emocional e tratamentos complementares pode fazer uma diferença significativa na jornada de tratamento. Encorajamos os pacientes e seus familiares a explorar essas estratégias e discutir suas opções com profissionais de saúde.

Se você está em busca de um especialista em oncologia clínica, conheça o Dr. Gustavo Schvartsman, formado pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo e com especialização no MD Anderson Cancer Center, ele traz experiência internacional e um forte foco em imunoterapia. Atuando no Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Gustavo oferece tratamentos personalizados, incluindo terapias de última geração e um cuidado integral, garantindo que cada paciente receba as melhores opções de tratamento disponíveis. Para mais informações navegue no site ou para agendar uma consulta clique aqui.


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Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. 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