Todo tratamento de câncer faz cair o cabelo?

Gustavo Schvartsman • 7 de maio de 2025

A queda de cabelo é uma das consequências mais temidas associadas ao tratamento do câncer. Muitas pessoas acreditam que todo tratamento faz cair o cabelo, mas será que isso é verdade?


Neste artigo, vamos esclarecer as condições em que a
queda de cabelo ocorre, quais tratamentos a causam e como é possível lidar com esses efeitos. Continue lendo para entender o tema com mais profundidade e esclarecer suas dúvidas sobre o impacto do tratamento do câncer na saúde capilar.


O câncer em si faz cair o cabelo?


O câncer, por si só, não provoca a queda significativa de cabelo. Geralmente, a perda de cabelo ocorre devido aos tratamentos intensivos
utilizados para eliminar as células cancerígenas, que podem afetar também as células saudáveis


Em casos onde o paciente se submete a terapias menos invasivas ou quando o tumor é removido por cirurgia sem o uso de medicamentos agressivos,
a integridade dos fios pode ser preservada.


Tratamentos que podem provocar queda de cabelo


A queda de cabelo durante o tratamento do câncer está diretamente
ligada ao tipo de terapia utilizada. Conheça os tratamentos mais comuns que podem afetar os folículos capilares.


Quimioterapia


A
quimioterapia é conhecida por ser uma terapia eficaz contra o câncer, mas pode causar queda de cabelo significativa. Isso acontece porque o tratamento destroi células de divisão rápida, afetando também as células dos folículos capilares.

Exemplos de medicamentos: Doxorrubicina, Paclitaxel, Ciclofosfamida.

Além disso, a queda de cabelo pode ser parcial ou total e, em geral, inicia-se algumas semanas após o início do tratamento.


Radioterapia


A
radioterapia provoca queda de cabelo apenas quando é direcionada à cabeça ou a áreas próximas ao couro cabeludo. A radiação pode danificar os folículos capilares e interromper seu ciclo de crescimento.


Já a sua recuperação
pode ser temporária ou permanente, dependendo da dose de radiação aplicada.


Terapia-alvo e imunoterapia


Essas
terapias são mais direcionadas e têm uma probabilidade menor de causar queda de cabelo. No entanto, dependendo do tipo de medicamento e da resposta do paciente, pode haver um leve afinamento ou queda de fios.


Efeitos específicos: Variam conforme o mecanismo do medicamento, podendo afetar o ciclo capilar de forma mais leve.


Terapias hormonais


Usadas em
cânceres hormônio-dependentes, como o de mama e o de próstata, as terapias hormonais podem levar ao afinamento dos fios, mas raramente causam queda total de cabelo.


O que determina a queda de cabelo?


A reação do corpo aos tratamentos oncológicos pode variar entre os pacientes e depende de fatores como:


  • Tipo de medicamento: Certos quimioterápicos têm maior potencial de causar queda de cabelo.
  • Dosagem: Doses mais elevadas aumentam a probabilidade de impacto nos fios.
  • Área de tratamento: Na radioterapia, somente a área irradiada é afetada.
  • Predisposição genética: A genética do paciente pode influenciar a intensidade da queda de cabelo.


Estratégias para minimizar a queda de cabelo


Há diversas medidas que podem ajudar a reduzir a queda de cabelo ou a lidar com ela durante o tratamento:


1. Uso de touca de resfriamento


As toucas de resfriamento
diminuem a circulação sanguínea no couro cabeludo, limitando a quantidade de quimioterapia que atinge os folículos capilares.


  • Indicação: Mais eficaz em casos de quimioterapia.
  • Efetividade: A taxa de sucesso varia; algumas pessoas evitam a queda, enquanto outras notam uma redução parcial.


2. Cuidados com o couro cabeludo


Manter o couro cabeludo
bem hidratado e evitar produtos agressivos ajuda a proteger os fios durante o tratamento.


3. Alternativas estéticas


O uso de
perucas, lenços e chapéus pode proporcionar conforto e ajudar a preservar a autoestima durante o processo.


4. Alimentação saudável


Uma dieta
rica em proteínas, vitaminas e minerais contribui para a saúde do cabelo e auxilia na recuperação geral do organismo.


Recuperação pós-tratamento: Cuidados com o cabelo


Após o fim do tratamento, seguir cuidados específicos é fundamental para uma recuperação saudável dos fios:


  • Evite químicas e colorações

Nos primeiros meses após a quimioterapia, evite tinturas e tratamentos que possam agredir o couro cabeludo.


  • Utilize produtos suaves

Opte por shampoos e condicionadores formulados para cabelos frágeis, que ajudam a nutrir e fortalecer os fios em crescimento.


  • Consulte um dermatologista

Um especialista em dermatologia pode indicar os melhores produtos e tratamentos para estimular um crescimento capilar saudável e seguro.


Mitos e verdades sobre câncer e queda de cabelo


O tema da queda de cabelo relacionada ao câncer está cercado por muitos mitos. Abaixo, esclarecemos alguns pontos importantes:


Todo câncer faz cair o cabelo

Mito. Nem todo tipo de câncer leva à queda de cabelo; isso depende principalmente do tipo de tratamento utilizado.


Toucas de resfriamento são 100% eficazes

Mito. As toucas de resfriamento podem ajudar a reduzir a queda de cabelo, mas não garantem que os fios sejam mantidos integralmente.


O cabelo volta a ser como antes

Parcialmente verdade. Em muitos casos, o cabelo cresce novamente, mas a textura e a cor podem mudar temporariamente após o tratamento com quimioterapia.


Perguntas frequentes


Que tipo de câncer faz o cabelo cair?

A queda de cabelo ocorre principalmente em tipos de câncer tratados com quimioterapia ou radioterapia na cabeça, como linfomas e câncer de mama.


Quem tem câncer perde o cabelo?

Nem todos os pacientes com câncer perdem o cabelo; a queda depende do tipo de tratamento, como quimioterapia e radioterapia, e da sua intensidade.


Por que o cabelo cai quando se tem câncer?

O cabelo cai devido aos tratamentos, como a quimioterapia, que afetam células que se dividem rapidamente, incluindo as células dos folículos capilares.


Quem tem câncer no intestino cai o cabelo?

A queda de cabelo pode ocorrer se o câncer no intestino for tratado com quimioterapia, mas isso depende dos medicamentos usados e das doses administradas.


Qual o câncer que não cai o cabelo?

Cânceres tratados sem quimioterapia ou com terapias-alvo, imunoterapia ou cirurgias isoladas, geralmente não causam queda de cabelo.


O cabelo cai com todos os medicamentos quimioterápicos?

Não. Certos medicamentos são mais agressivos para os folículos capilares do que outros, causando diferentes graus de queda.


A queda de cabelo é permanente após o tratamento do câncer?

Na maioria dos casos, a queda de cabelo é temporária e o crescimento é retomado após o término do tratamento.


Quanto tempo leva para o cabelo crescer após a quimioterapia?

Geralmente, o cabelo começa a crescer novamente em algumas semanas a meses após o término do tratamento.


Há maneiras de prevenir a queda de cabelo durante o tratamento de câncer?

Sim, o uso de toucas de resfriamento pode ajudar a reduzir a queda de cabelo em alguns pacientes.


A perda de cabelo afeta todo o corpo?

Depende do tipo e da dose do tratamento. Em alguns casos, a queda pode ocorrer em todo o corpo, incluindo sobrancelhas e cílios.


Quais são as alternativas para lidar com a queda de cabelo durante o tratamento?

Perucas, lenços, chapéus e cuidados específicos com o couro cabeludo são opções comuns.


Conclusão


Embora a queda de cabelo seja um efeito colateral comum em certos tratamentos de câncer, como a quimioterapia e a radioterapia,
o próprio câncer não é o causador direto desse sintoma. A intensidade e o impacto da queda variam conforme o tipo de tratamento, a dosagem e a resposta individual do paciente. Felizmente, existem estratégias e cuidados que podem minimizar esses efeitos e ajudar na recuperação após o término do tratamento.


Se você está em busca de um especialista em oncologia clínica, sou o Dr. Gustavo Schvartsman. Me formei pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo e me especializei no MD Anderson Cancer Center, adquirindo experiência internacional e aprofundando meu foco em imunoterapia. Hoje atuo no Hospital Israelita Albert Einstein, onde ofereço tratamentos personalizados e terapias de última geração. Meu compromisso é garantir que cada paciente receba o melhor cuidado possível e as opções de tratamento mais adequadas para seu caso. Para mais informações, explore o meu site ou clique aqui para agendar uma consulta.


E continue acompanhando a central educativa para acessar conteúdos importantes sobre saúde. Até o próximo artigo.

sono e câncer
Por Gustavo Schvartsman 10 de fevereiro de 2026
Sono e câncer: Entenda a relação, como noites mal dormidas afetam o organismo e o que a ciência revela sobre risco, prevenção e saúde.
exposição ao sol e câncer
Por Gustavo Schvartsman 5 de fevereiro de 2026
Conheça qual é o limite saudável de exposição ao sol, como prevenir o câncer de pele e quais cuidados realmente fazem diferença para a sua saúde.
cirurgia ou radioterapia para câncer de próstata
Por Gustavo Schvartsman 3 de fevereiro de 2026
Cirurgia ou radioterapia para câncer de próstata na fase inicial, entenda diferenças, benefícios, riscos e como escolher o tratamento mais adequado.
câncer de próstata resistente à castração
Por Gustavo Schvartsman 21 de janeiro de 2026
Entenda o que significa Câncer de próstata resistente à castração, por que acontece e quais tratamentos podem oferecer controle e qualidade de vida.
Por Gustavo Schvartsman 13 de janeiro de 2026
Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão? O Osimertinibe beneficia principalmente pacientes com carcinoma de pulmão de não pequenas células que apresentam mutações específicas no gene EGFR, como deleção no éxon 19, L858R e T790M. Esses pacientes respondem melhor porque o tumor depende diretamente dessa via molecular. Introdução O uso do Osimertinibe no câncer de pulmão transformou o tratamento de pacientes com tumores que apresentam mutações específicas no gene EGFR. Esse medicamento marcou uma mudança importante na oncologia ao oferecer maior eficácia, melhor tolerabilidade e capacidade de atuar inclusive em metástases cerebrais. Hoje, ele é considerado o tratamento padrão em várias situações, desde diagnóstico inicial até doença avançada. Este artigo explica quem pode se beneficiar dessa medicação, como ela age, quando é indicada e por que o teste genético é indispensável para orientar a terapia. Continue a leitura para entender como esse avanço pode impactar o tratamento. O que é o Osimertinibe e como ele funciona? O Osimertinibe é um inibidor de tirosina-quinase (TKI) de terceira geração usado no tratamento de tumores pulmonares que apresentam mutações específicas no gene EGFR. Ele foi desenvolvido para bloquear sinalizações que mantêm o crescimento celular descontrolado em muitos casos de carcinoma de pulmão de não pequenas células. Por atuar de forma precisa, tornou-se um dos pilares do tratamento moderno para pacientes com mutações sensíveis e resistentes no EGFR. Mecanismo de ação O medicamento atua de forma seletiva sobre mutações EGFR importantes, como: L858R Deleções no éxon 19 Mutação de resistência T790M Outro aspecto relevante é sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica , permitindo controle eficaz de lesões cerebrais. Por que isso importa Ao bloquear a via EGFR, o Osimertinibe interrompe sinais que estimulam a proliferação tumoral. Como resultado, reduz o crescimento do tumor e prolonga a sobrevida . Evidências mostram benefício consistente até mesmo em pessoas previamente tratadas com outros TKIs, reforçando seu papel como terapia de alto impacto. Quem pode se beneficiar do Osimertinibe no câncer de pulmão Pacientes com mutações EGFR sensibilizantes O grupo mais beneficiado inclui pessoas com: Deleções no éxon 19 L858R no éxon 21 Algumas outras alterações mais raras no EGFR Pacientes com mutação T790M A mutação T790M aparece como forma de resistência em aproximadamente 50 a 60 por cento dos pacientes tratados com TKIs de gerações anteriores. O Osimertinibe foi o primeiro TKI a demonstrar eficácia comprovada contra essa alteração, com impacto direto no controle da doença. Pacientes com metástases cerebrais Por atravessar o sistema nervoso central, o medicamento é especialmente útil para: Controlar metástases cerebrais já diagnosticadas Prevenir o surgimento de novas lesões Reduzir sintomas neurológicos Postergar radioterapia Dados publicados no New England Journal of Medicine evidenciam redução significativa no risco de progressão intracraniana. Pacientes recém diagnosticados com doença avançada No estudo FLAURA , considerado referência global, o osimertinibe mostrou aumento da sobrevida global para 18,9 meses, contra 10,2 meses com outros TKIs. Em cenários de maior risco biológico, estratégias de intensificação terapêutica têm sido avaliadas. Nesse contexto, o uso do osimertinibe associado à quimioterapia demonstrou prolongamento do tempo até progressão da doença e da sobrevida global, à custa de maior incidência de efeitos colaterais, sendo uma abordagem reservada para casos selecionados. Outra combinação recentemente aprovada é a de lazertinibe, molécula semelhante ao osimertinibe, com amivantamabe, que também foi superior ao osimertinibe isolado no estudo MARIPOSA, mas igualmente associada a toxicidades que exigem manejo cuidadoso. A decisão terapêutica passa por avaliação detalhada do caso, considerando aspectos radiológicos, moleculares, clínicos e as preferências do paciente. No segundo semestre de 2025, o New England Journal of Medicine publicou a análise final de sobrevida global do estudo FLAURA2 , que avaliou o uso do osimertinibe em combinação com quimioterapia à base de platina e pemetrexed como tratamento inicial. Os resultados demonstraram ganho adicional de sobrevida global em comparação ao osimertinibe isolado, com mediana de 47,5 meses versus 37,6 meses, respectivamente, confirmando que a intensificação terapêutica pode trazer benefício clínico relevante em pacientes selecionados, embora associada a maior incidência de efeitos adversos, exigindo criteriosa avaliação individual. Pacientes operados com alto risco de recidiva Desde 2020, o Osimertinibe é aprovado como terapia adjuvante em alguns estágios de tumores operados com mutações EGFR, que carregam alto risco de recidiva a despeito da cirurgia completa. O estudo ADAURA demonstrou uma redução de aproximadamente 80 por cento no risco de recidiva ou morte. Efeitos colaterais O Osimertinibe costuma ser bem tolerado, mantendo bom perfil de segurança. Entre os efeitos mais frequentes estão diarreia, erupções cutâneas, fadiga, alterações nas unhas, e tosse leve. Efeitos raros incluem pneumonite e prolongamento do intervalo QT. O monitoramento com o oncologista reduz riscos e permite ajustes adequados do tratamento quando necessário. Como é feito o diagnóstico das mutações EGFR Para indicar o Osimertinibe corretamente, é essencial identificar as mutações por meio de: Sequenciamento de nova geração (NGS) PCR em tempo real Biópsia líquida (quando o tumor libera DNA no sangue) Esses métodos estão amplamente disponíveis e ajudam a escolher a melhor abordagem terapêutica. Atenção! O NGS é sempre preferível para buscar co-mutações associadas ao EGFR que podem afetar prognóstico e auxiliar na decisão de tratamento, uma vez que hoje há mais de uma opção. Esse método sequencia centenas de genes ao mesmo tempo. Por que isso é decisivo Sem o teste molecular, não é possível confirmar se o tumor depende da via EGFR. Sem essa informação, o tratamento pode não trazer o benefício esperado. Osimertinibe como parte de um tratamento personalizado O plano terapêutico é individualizado e leva em conta o tipo e localização do tumor, o estágio da doença, a existência de metástases e as condições clínicas do paciente. Muitas vezes, o Osimertinibe integra um programa terapêutico que pode incluir: Imunoterapia Quimioterapia Radioterapia Cuidados de suporte Essa integração promove melhor controle, diminui sintomas e contribui para avanços importantes na qualidade de vida. Perguntas frequentes
terapia celular CAR-T
Por Gustavo Schvartsman 10 de dezembro de 2025
Entenda como a terapia celular CAR-T está sendo adaptada para tratar tumores sólidos e quais são os principais avanços, desafios e perspectivas dessa tecnologia.
inibidores de checkpoint imunológico
Por Gustavo Schvartsman 3 de dezembro de 2025
Inibidores de checkpoint imunológico: O que são, quando são indicados, quais são seus benefícios? Entenda.
o que é radiofármacos
Por Gustavo Schvartsman 26 de novembro de 2025
Saiba o que é radiofármacos, como atuam no tratamento oncológico, em quais casos são usados e quais avanços essa estratégia traz para a medicina do câncer.
rastreamento genômico e teste genético
Por Gustavo Schvartsman 18 de novembro de 2025
Entenda as diferenças entre rastreamento genômico e teste genético e como essas análises ajudam na prevenção e tratamento personalizado do câncer.
o que é estadiamento do câncer
Por Gustavo Schvartsman 12 de novembro de 2025
Conheça o que é estadiamento do câncer, como ele é realizado e por que essa etapa é essencial para definir o tratamento e o prognóstico dos pacientes.